Cubismo Analítico


 

O que foi

 

O Cubismo Analítico foi a primeira fase plenamente desenvolvida do Cubismo, realizada principalmente entre 1909 e 1912 por Pablo Picasso e Georges Braque. Nessa etapa, os artistas decompunham figuras, objetos e paisagens em numerosos planos geométricos, apresentando diferentes ângulos de uma mesma forma ao mesmo tempo. As obras costumavam utilizar cores sóbrias, como cinza, marrom e ocre, para concentrar a atenção na estrutura e na fragmentação das imagens. Como resultado, os elementos representados tornavam-se difíceis de reconhecer, aproximando a pintura da abstração e rompendo com a perspectiva tradicional do Renascimento.



Principais características:

 

• Ausência de perspectiva nas pinturas.

• As formas dos objetos são apresentadas num modo plano.

• Os objetos da pintura são apresentados de forma fragmenta e espalhada pela tela. O resultado dá a impressão de uma obra mantada com colagens.

• Representação do volume sobre superfícies planas.

• Geometrização de volumes e formas.

• Apresentação da figura de modo a ser visualizada na sua totalidade.

• Utilização, nas obras de arte, de cores moderadas (neutras) com presença de tons marrons, amarelos, ocres e cinzas.

• Ausência de contrates entre escuro e claro.

• O espaço, a cor e o objeto se tornam autônomos nas pinturas dos pintores desse movimento.


• As obras de arte do cubismo analítico não possuem lógica.


• O artista busca fazer a separação para chegar a compreensão das partes. Esse é o método analítico.


• Falta de diferença entre o objeto retratado e o fundo da tela.




Principais pintores que fizeram parte do Cubismo Analítico:

 

Pablo Picasso: foi um dos criadores do Cubismo Analítico, desenvolvido principalmente entre 1909 e 1912. Em suas pinturas, decompôs figuras, objetos e paisagens em numerosos planos geométricos, representando diferentes pontos de vista simultaneamente. Obras como “Retrato de Ambroise Vollard”, “Ma Jolie” e “O Acordeonista” demonstram a fragmentação intensa das formas e o uso de cores sóbrias.


Georges Braque: ao lado de Picasso, foi o principal formulador do Cubismo Analítico. Suas obras apresentam objetos divididos em planos sobrepostos, pouca profundidade e paletas dominadas por tons de cinza, marrom e ocre. Em pinturas como “Violino e Paleta”, “O Português” e “Homem com Violão”, Braque investigou a estrutura dos objetos e incorporou letras, números e sinais gráficos às composições.


Juan Gris: embora tenha se destacado principalmente no Cubismo Sintético, também produziu obras relacionadas à fase analítica. Sua pintura era mais organizada, clara e racional do que a de Picasso e Braque, utilizando formas geométricas cuidadosamente estruturadas. Gris representou instrumentos musicais, garrafas, jornais e retratos, contribuindo para tornar a linguagem cubista mais precisa e compreensível.


Jean Metzinger
: participou do chamado Cubismo de Salão, difundido por meio das exposições públicas de Paris. Suas obras combinavam a fragmentação geométrica com a representação simultânea de diferentes ângulos. Metzinger também teve importância teórica, pois escreveu, com Albert Gleizes, o livro “Do Cubismo”, publicado em 1912, no qual procurou explicar os princípios do movimento.


Albert Gleizes: pintor e teórico francês, desenvolveu uma versão do Cubismo marcada por figuras monumentais, planos geométricos amplos e sensação de movimento. Diferentemente de Picasso e Braque, participou ativamente dos salões parisienses, ajudando a divulgar o Cubismo para um público mais amplo. Suas obras frequentemente abordavam cenas urbanas, esportivas e coletivas.


Fernand Léger: adotou alguns procedimentos do Cubismo Analítico, mas desenvolveu uma linguagem própria, baseada em formas cilíndricas, volumes robustos e contrastes marcantes. Suas figuras e objetos parecem construídos por tubos, engrenagens e peças mecânicas. Essa característica aproximou sua arte do ambiente industrial e da modernização das cidades no início do século XX.


Robert Delaunay: iniciou sua trajetória cubista utilizando a fragmentação das formas e a multiplicidade de perspectivas, sobretudo em paisagens urbanas. Posteriormente, afastou-se das cores reduzidas do Cubismo Analítico e passou a explorar cores intensas, luz e movimento. Essa pesquisa deu origem ao Orfismo, vertente relacionada ao Cubismo, mas marcada por maior valorização da cor.




10 exemplos de importantes obras do cubismo analítico:


1. “As Senhoritas de Avignon” (1907), de Pablo Picasso: considerada uma obra precursora do Cubismo Analítico, apresenta cinco figuras femininas construídas por formas angulosas e fragmentadas. A influência da arte africana e da escultura ibérica aparece especialmente nos rostos, enquanto a perspectiva tradicional é substituída pela representação simultânea de diferentes pontos de vista.


2. “Casas em L’Estaque” (1908), de Georges Braque: a paisagem foi reduzida a formas geométricas semelhantes a cubos, com casas, árvores e montanhas organizadas de maneira compacta. A obra contribuiu para a origem do termo cubismo e demonstra o abandono da profundidade construída pela perspectiva renascentista.


3. “O Reservatório em Horta de Ebro” (1909), de Pablo Picasso: nesta pintura, a paisagem espanhola foi decomposta em volumes geométricos que parecem se encaixar uns nos outros. A diferenciação entre edifícios, montanhas e vegetação torna-se reduzida, pois todos os elementos são submetidos ao mesmo processo de fragmentação.


4. “Violino e Paleta” (1909), de Georges Braque: a obra apresenta um violino dividido em planos geométricos e observado sob diferentes ângulos. Embora alguns elementos permaneçam reconhecíveis, como a paleta na parte superior, a composição demonstra o avanço da análise cubista sobre a forma e o espaço.


5. “Retrato de Ambroise Vollard” (1910), de Pablo Picasso: o comerciante de arte Ambroise Vollard foi representado por meio de numerosos planos fragmentados. O rosto e o corpo parecem dissolver-se no fundo, mas certos detalhes, como a testa, o nariz e os olhos, permitem identificar o retratado.


6. “O Português” (1911), de Georges Braque: inspirada em um músico observado pelo artista, a figura humana foi intensamente decomposta e integrada ao espaço ao redor. A presença de letras e números introduz elementos da realidade cotidiana na pintura e antecipa procedimentos que seriam aprofundados no Cubismo Sintético.


7. “Ma Jolie” (1911–1912), de Pablo Picasso: a composição representa uma figura feminina tocando um instrumento musical, embora sua aparência seja de difícil identificação. As formas são divididas em pequenos planos, enquanto letras e palavras ajudam a estabelecer relações com a música, os cafés parisienses e a vida pessoal do artista.


8. “Homem com Violão” (1911–1912), de Georges Braque: a figura do músico e o instrumento foram fragmentados em planos sobrepostos, com pouca diferenciação entre corpo, objeto e fundo. A paleta reduzida, dominada por tons de marrom, cinza e ocre, concentra a atenção na estrutura da composição.


9. “O Acordeonista” (1911), de Pablo Picasso: a figura humana foi decomposta a tal ponto que quase desaparece entre os planos geométricos. A obra representa uma das fases mais complexas do Cubismo Analítico, na qual o objeto é analisado por diferentes ângulos e reconstruído sobre a superfície plana.


10. “Homem com Clarinete” (1911–1912), de Pablo Picasso: o músico é representado por linhas, planos e volumes que se cruzam, tornando sua figura parcialmente abstrata. O instrumento, as mãos e o rosto podem ser percebidos apenas por alguns indícios, exigindo uma observação cuidadosa para a compreensão da imagem.



Jarra, garrafa e copo, obra do cubismo analítico

Jarra, Garrafa e Copo (1911): obra de Juan Gris (acervo do Museu de Arte Moderna, Nova York).

 

 

Pintura cubista representando uma mulher

Nua sentada (1910), obra de Pablo Picasso. Exemplo de pintura do cubismo analítico.

 

 

Pintura Poeta de Pablo Picasso

Poeta (1911): obra de Pablo Picasso é um dos mais conhecidos exemplos de pintura do cubismo analítico.

 

 



Artigo publicado em 04/07/2020 e atualizado em 15/07/2026

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fonte:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cubismo_anal%C3%ADtico

 

GOMBRICH, E. H. A História da Arte. São Paulo: Editora LTC, 2013.


MARSON, Antony. História da Arte Ocidental. Da Pré-História ao Século XXI. São Paulo: Rideel, 2010.



Vídeo indicado no YouTube:

 

[ART] Cubismo Analítico e Cubismo Sintético - Nead Unicentro


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