O que foi
Trata-se de evento na área de relações diplomáticas entre o Brasil e a Grã-Bretanha. Ocorreu em 1863 e levou à quebra das relações diplomáticas entre os dois países.
Contexto histórico
A Questão Christie insere-se no contexto das relações diplomáticas entre o Império do Brasil e o Reino Unido em meados do século XIX, especialmente entre 1862 e 1865. Nesse período, o Brasil, governado por Dom Pedro II, buscava afirmar sua soberania política e jurídica no cenário internacional, ao mesmo tempo em que ainda mantinha vínculos econômicos e diplomáticos marcados pela influência britânica, construída desde o início do século XIX. O Reino Unido, por sua vez, adotava uma postura intervencionista em relação a países considerados periféricos, sustentada por sua posição como principal potência industrial, naval e financeira do período. Essa assimetria de poder moldava as tensões diplomáticas, sobretudo quando interesses comerciais, questões jurídicas e a proteção de súditos britânicos eram invocadas como justificativa para pressões externas.
O episódio ocorreu em um contexto mais amplo de redefinição das relações internacionais do Brasil imperial, que procurava reduzir a dependência externa e reafirmar o princípio da igualdade entre Estados soberanos. As tensões diplomáticas intensificaram-se após incidentes envolvendo súditos britânicos em território brasileiro e a reação do governo inglês, representado pelo diplomata William Dougal Christie, que exigiu reparações e adotou medidas coercitivas, como represálias navais, entre 1862 e 1863. A resposta brasileira, ao romper relações diplomáticas com o Reino Unido em 1863, expressou uma mudança significativa na política externa do Império, sinalizando maior disposição para confrontar práticas diplomáticas consideradas abusivas. As relações entre Brasil e Reino Unido só seriam restabelecidas em 1865, após negociações que refletiram um novo equilíbrio nas interações diplomáticas.
Principais causas
Em 1861, o navio britânico Prince of Wales afundou na costa brasileira, tendo sua carga fora saqueada. Pouco mais de um ano depois, três marinheiros britânicos vestidos à paisana foram presos no Brasil por embriaguez e má conduta. O governo britânico considerou então essas detenções como provocação deliberada e exigiu do Brasil um pedido de desculpas pelas prisões e pela destruição do Prince of Wales. Autorizou assim William Christie, embaixador britânico no Brasil à época, a bloquear o porto do Rio de Janeiro, onde cinco navios brasileiros foram apreendidos.
O governo brasileiro concordou em pagar pelo Prince of Wales e soltar os marinheiros presos, mas exigiu a restituição de seus cinco navios. Os britânicos se recusaram a isso e os brasileiros cortaram relações diplomáticas com a Grã-Bretanha. Embora os britânicos nunca tenham pago pelos navios apreendidos, o Brasil restabeleceu relações diplomáticas cinco anos depois por razões econômicas.
![]() |
|
Naufrágio do navio britânico Prince of Wales esteve no centro da crise diplomática entre Brasil e Grã-Bretanha. |
Principais consequências:
• O incidente levou a um grave estremecimento nas relações diplomáticas entre o Brasil e a Grã-Bretanha. A abordagem autoritária do governo britânico, incluindo as ações agressivas de seu diplomata, William Dougal Christie, e o subsequente bloqueio naval, foram vistos como afrontas à soberania nacional do Brasil.
• A crise estimulou o nacionalismo brasileiro e o sentimento anti-britânico. A reação do público no Brasil foi de indignação, e houve amplo apoio à recusa do governo em ceder às exigências britânicas.
• Em resposta ao bloqueio naval britânico e à apreensão de cinco navios brasileiros, o Brasil rompeu as relações diplomáticas com a Grã-Bretanha em 1863. Isso foi uma medida significativa, dada a influência global da Grã-Bretanha na época.
• O conflito acabou levando à arbitragem internacional. O governo brasileiro concordou em submeter a questão ao Rei da Bélgica, Leopoldo I, para arbitragem. A decisão foi um tanto favorável ao Brasil, pois não foi obrigado a pagar a indenização inicialmente exigida pela Grã-Bretanha.
• As relações diplomáticas entre os dois países foram restauradas em 1865. Esse restabelecimento foi crucial para o Brasil, especialmente para manter e fomentar as relações comerciais.
• A Questão Christie influenciou a política externa brasileira subsequente, tornando o país mais cauteloso em suas relações internacionais, particularmente com as potências europeias.
• O incidente manchou um pouco o prestígio da Grã-Bretanha. Demonstrou os limites da diplomacia de canhoneira, especialmente no trato com nações emergentes que estavam cada vez mais assertivas de sua soberania.
• A resolução da Questão Christie através de arbitragem foi um exemplo precoce de resolução de disputas internacionais, estabelecendo um precedente para o assentamento pacífico de disputas internacionais.
Dicas do professor: Como esse tema costuma ser cobrado em avaliações escolares, Vestibulares e ENEM?
1. Contexto das relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra no século XIX (1850 a 1865).
A Questão Christie costuma ser cobrada a partir da análise das relações desiguais entre o Império do Brasil e a Inglaterra no contexto do imperialismo informal britânico no século XIX. As questões exigem a compreensão da influência econômica e política inglesa sobre o Brasil, especialmente após a extinção do tráfico transatlântico de africanos escravizados em 1850, bem como o papel da Inglaterra como potência hegemônica no cenário internacional.
2. Fatos que deram origem à Questão Christie (1861 a 1863).
Os vestibulares e o ENEM frequentemente solicitam a identificação dos episódios que desencadearam o conflito diplomático, como o naufrágio do navio inglês Prince of Wales na costa brasileira, em 1861, e a prisão de oficiais britânicos no Rio de Janeiro, em 1862. As questões costumam avaliar a capacidade de relacionar esses acontecimentos às exigências diplomáticas feitas pela Inglaterra ao governo brasileiro.
3. Atuação do diplomata William Christie e a postura inglesa.
É comum a cobrança da atuação do embaixador britânico William Christie, caracterizado como representante de uma diplomacia agressiva e impositiva. As provas exploram a forma como a Inglaterra utilizou sua superioridade econômica e militar para pressionar o Brasil, exigindo indenizações e punições, o que evidencia práticas imperialistas e a defesa dos interesses britânicos no Atlântico Sul.
4. Resposta do governo brasileiro durante o Segundo Reinado (1862 a 1865).
As questões costumam abordar a reação do governo de Dom Pedro II diante das exigências inglesas, destacando a recusa inicial em aceitar imposições externas e a posterior ruptura das relações diplomáticas com a Inglaterra em 1863. Avalia-se a compreensão do esforço brasileiro em afirmar sua soberania no campo diplomático, mesmo diante das limitações impostas pela dependência econômica.
5. Arbitragem internacional e solução do conflito (1865).
Os vestibulares e o ENEM exploram a resolução da Questão Christie por meio da arbitragem internacional conduzida pelo rei Leopoldo I da Bélgica, em 1865. As questões exigem a compreensão da decisão favorável ao Brasil e do restabelecimento das relações diplomáticas com a Inglaterra, ressaltando a importância desse episódio para a afirmação do país no cenário internacional.
6. Importância histórica e significado político da Questão Christie.
As provas frequentemente cobram a interpretação da Questão Christie como um marco simbólico da política externa do Império brasileiro, associando o episódio à tentativa de consolidação da soberania nacional e à redefinição das relações com as potências europeias. Também é comum a associação do tema a debates mais amplos sobre imperialismo, diplomacia e autonomia política na América Latina durante o século XIX.
Revisado por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 13/01/2026
Fontes de referência:
LINHARES, Maria. História Geral e do Brasil: São Paulo: GEN LTC, 2016.
ARRUDA, José Jobson de Andrade; PILETTI, Nelson. Toda a História. História Geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 2007.
Vídeo indicado no YouTube:
QUESTÃO CHRISTIE - HISTÓRIA EM MINUTOS - ADRIANO DA SILVA