O que foi a Intentona Integralista?
A Intentona Integralista foi uma tentativa de levante político-militar organizada por membros da Ação Integralista Brasileira (AIB) contra o governo de Getúlio Vargas, ocorrida em maio de 1938, durante o período do Estado Novo (1937–1945). O movimento foi planejado por integralistas insatisfeitos com a dissolução de sua organização política e com a repressão promovida pelo regime varguista. Inspirado em ideologias autoritárias e nacionalistas, o levante buscava derrubar o governo e estabelecer um regime alinhado aos princípios integralistas.
O episódio ficou conhecido como “Intentona Integralista” em analogia à chamada Intentona Comunista de 1935, embora os dois acontecimentos tenham origens ideológicas distintas. No caso integralista, tratava-se de uma reação de setores da extrema direita brasileira que, após inicialmente apoiarem Vargas, passaram a confrontar o governo quando perceberam que o Estado Novo não permitiria a existência de movimentos políticos autônomos.
Contexto histórico
O Brasil da década de 1930 vivia um período de profundas transformações políticas e sociais. A Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, marcou o fim da chamada República Oligárquica (1889–1930) e inaugurou uma fase de centralização do poder federal e de reorganização das instituições políticas do país.
Nesse contexto, surgiram diversos movimentos ideológicos que buscavam influenciar os rumos do Estado brasileiro. Entre eles destacava-se a Ação Integralista Brasileira, fundada em 1932 por Plínio Salgado. O movimento defendia um Estado forte, nacionalista e autoritário, inspirado em modelos corporativistas e em elementos presentes nos regimes fascistas europeus da década de 1930.
Durante alguns anos, os integralistas mantiveram uma relação relativamente próxima com o governo Vargas, sobretudo pela oposição comum ao comunismo. Entretanto, essa relação mudou radicalmente após o golpe de 10 de novembro de 1937, que instaurou o Estado Novo. Com a nova Constituição autoritária, Vargas proibiu todos os partidos políticos e dissolveu organizações de caráter político, incluindo a própria Ação Integralista Brasileira.
A partir desse momento, muitos integralistas passaram a considerar o governo como traidor de suas expectativas políticas. A repressão contra o movimento e a impossibilidade de participação institucional levaram setores mais radicais a organizar uma tentativa de derrubada do regime.
Causas:
• Dissolução da Ação Integralista Brasileira: com o golpe de 1937, Vargas proibiu todos os partidos e movimentos políticos, retirando dos integralistas sua principal estrutura de atuação política.
• Frustração política dos integralistas: muitos membros da AIB acreditavam que o governo de Vargas poderia abrir espaço para um regime autoritário semelhante ao defendido pelo integralismo.
• Repressão do Estado Novo: após a instauração da ditadura, vários integralistas passaram a sofrer vigilância, perseguições e limitações políticas.
• Rivalidade entre Vargas e lideranças integralistas: figuras como Plínio Salgado perderam influência política após o golpe, o que alimentou tensões com o governo.
• Radicalização de setores do movimento: diante da exclusão política, parte dos integralistas passou a defender ações armadas contra o regime.
Como ocorreu (acontecimentos)
A tentativa de golpe ocorreu na madrugada de 11 de maio de 1938. O plano dos integralistas consistia em atacar pontos estratégicos do governo federal, especialmente no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. O objetivo principal era capturar ou assassinar Getúlio Vargas e tomar o controle das principais instituições do poder.
Um dos grupos envolvidos dirigiu-se ao Palácio Guanabara, residência oficial de Vargas na época. Os insurgentes tentaram invadir o local durante a madrugada, acreditando que poderiam surpreender a guarda presidencial. Entretanto, o plano foi rapidamente frustrado. As forças de segurança reagiram ao ataque e impediram a invasão.
Outros focos menores de rebelião ocorreram em diferentes locais, mas nenhum deles conseguiu mobilizar apoio suficiente para ameaçar seriamente o governo. A falta de coordenação entre os conspiradores, somada à rápida resposta das autoridades, levou ao fracasso imediato da tentativa de levante.
Em poucas horas, o governo controlou a situação e iniciou uma série de prisões contra participantes do movimento. Muitos integralistas foram detidos, interrogados e submetidos a processos judiciais.
Como terminou
A Intentona Integralista terminou rapidamente, ainda na madrugada do dia 11 de maio de 1938, quando as forças de segurança do governo conseguiram conter os ataques e prender os envolvidos. A tentativa de golpe revelou-se mal planejada e sem apoio significativo dentro das Forças Armadas ou da sociedade.
Após o fracasso da insurreição, o governo Vargas intensificou a repressão contra os integralistas. Diversos líderes e militantes foram presos ou perseguidos politicamente. Plínio Salgado, principal líder do movimento, acabou sendo obrigado a deixar o país, vivendo no exílio em Portugal durante parte do período do Estado Novo.
Consequências principais:
• Reforço da repressão do Estado Novo: o governo utilizou o episódio para justificar o fortalecimento do aparato policial e da vigilância política.
• Desarticulação do movimento integralista: a repressão e as prisões enfraqueceram profundamente a organização que já havia sido dissolvida oficialmente em 1937.
• Exílio de lideranças integralistas: figuras importantes do movimento, como Plínio Salgado, foram afastadas da política nacional durante vários anos.
• Consolidação do regime varguista: o fracasso do levante demonstrou a capacidade do Estado Novo de controlar e neutralizar opositores.
• Redução da influência política do integralismo: após 1938, o movimento perdeu grande parte de sua força e deixou de representar uma ameaça significativa ao governo.
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| Intentona Integralista de 1938: integralistas não conseguiram derrubar o governo Vargas (fonte da foto: website do Exército Brasileiro). |
RESUMO
Período Histórico (Brasil, Estado Novo: 1937–1945)
O que foi
• Tentativa de levante político-militar realizada por integralistas contra o governo de Getúlio Vargas em 11 de maio de 1938.
• Movimento organizado por membros da Ação Integralista Brasileira insatisfeitos com a dissolução da organização pelo regime do Estado Novo.
Contexto histórico
• Década de 1930 marcada por instabilidade política após a Revolução de 1930 (1930).
• Crescimento de movimentos ideológicos no Brasil, como o Integralismo e o Comunismo.
• Implantação do Estado Novo por Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, com fechamento de partidos e centralização do poder.
Causas:
• Dissolução da Ação Integralista Brasileira após o golpe do Estado Novo.
• Frustração política de integralistas que esperavam apoio do governo Vargas.
• Repressão e perseguição aos membros do movimento.
• Conflito político entre lideranças integralistas e o governo.
• Radicalização de setores que passaram a defender a derrubada do regime.
Como ocorreu
• Levante realizado na madrugada de 11 de maio de 1938.
• Tentativa de invasão do Palácio Guanabara, residência de Getúlio Vargas no Rio de Janeiro.
• Ataques planejados contra pontos estratégicos do governo.
• Reação rápida das forças de segurança, que impediram o avanço dos insurgentes.
Como terminou
• O movimento foi rapidamente reprimido pelo governo.
• Participantes foram presos e investigados pelas autoridades.
• A tentativa de golpe fracassou ainda nas primeiras horas da revolta.
Consequências:
• Intensificação da repressão política durante o Estado Novo.
• Desarticulação e enfraquecimento do movimento integralista.
• Prisão e perseguição de participantes do levante.
• Exílio de lideranças integralistas, como Plínio Salgado.
• Consolidação e fortalecimento do regime autoritário de Getúlio Vargas.
COMO ESTE TEMA PODE CAIR EM VESTIBULARES E ENEM?
- Relação com o Estado Novo (1937–1945): questões podem abordar a Intentona Integralista como exemplo das tensões políticas existentes durante o regime autoritário de Getúlio Vargas, destacando a repressão aos movimentos políticos após a dissolução dos partidos em 1937.
- Comparação com a Intentona Comunista (1935): exames podem explorar a comparação entre os dois movimentos, evidenciando que ambos representaram tentativas de levante contra o governo, porém com ideologias opostas, uma ligada ao comunismo e a outra ao integralismo.
- Integralismo no Brasil na década de 1930: provas podem cobrar características da Ação Integralista Brasileira, como o nacionalismo, o autoritarismo e a inspiração em regimes europeus de caráter fascista.
- Conflitos políticos no período Vargas (1930–1945): o episódio pode aparecer em questões que discutem as disputas entre diferentes grupos políticos no Brasil da década de 1930, incluindo integralistas, comunistas e o próprio governo.
- Consolidação do Estado Novo: vestibulares e o ENEM podem relacionar o fracasso da Intentona Integralista ao fortalecimento do regime varguista e à ampliação da repressão política contra opositores.
- Lideranças políticas da época: questões podem mencionar figuras como Plínio Salgado e Getúlio Vargas para avaliar o conhecimento sobre os atores políticos envolvidos nos conflitos ideológicos do período.
- Autoritarismo e movimentos de massa no século XX: o tema pode aparecer em questões que relacionem o Integralismo brasileiro aos movimentos autoritários e nacionalistas que surgiram em diversos países durante o período entre guerras (1918–1939).
Artigo publicado em 04/08/2021 e atualizado em 14/03/2026
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes de referência do artigo:
Trindade, Hélgio (1974). Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 30. São Paulo: Difusão Européia do Livro
Vídeo indicado no YouTube:
- Integralismo e o fascismo no Brasil | Canal Nerdologia