O que foi
A Guerra do Afeganistão foi um conflito militar ocorrido no Afeganistão entre os anos de 1979 e 1989. Na verdade, foi uma guerra civil entre grupos militares do governo marxista afegão e grupos rebeldes islâmicos (mujahidins).
Contexto histórico
A Guerra do Afeganistão (1979-1989) ocorreu no contexto da Guerra Fria (1947-1991), período marcado pela disputa ideológica, política e militar entre Estados Unidos e União Soviética. No Afeganistão, a crise teve início após a Revolução de Saur, em abril de 1978, quando um governo socialista alinhado à União Soviética assumiu o poder. Esse novo regime promoveu reformas profundas, como a redistribuição de terras e a secularização do Estado, o que gerou forte resistência interna, sobretudo entre grupos islâmicos tradicionais e setores rurais. Diante da instabilidade crescente e do risco de perda de influência na região, a União Soviética decidiu intervir militarmente em dezembro de 1979, instalando tropas no país para sustentar o governo aliado.
O conflito rapidamente assumiu caráter internacional, pois os Estados Unidos, dentro da lógica de contenção do socialismo, passaram a apoiar os grupos insurgentes afegãos, conhecidos como mujahidin, fornecendo recursos financeiros, armamentos e treinamento, muitas vezes com apoio do Paquistão e da Arábia Saudita. Esse cenário transformou o Afeganistão em um dos principais palcos indiretos da Guerra Fria, onde duas superpotências disputavam influência sem confronto direto. A guerra prolongou-se ao longo da década de 1980, causando grande devastação no país e contribuindo para o desgaste econômico e político da União Soviética, que acabou retirando suas tropas em 1989, em meio a um processo mais amplo de crise interna que levaria à sua dissolução em 1991.
Causas principais da guerra
Uma das principais causas da guerra civil foi a crise econômica que eclodiu na União Soviética, no governo de Leonid Brejnev, no final da década de 1970.
A resposta soviética à crise econômica foi a tradicional corrida armamentista e a expansão territorial. Em particular, a URSS reforçou os acordos militares com os regimes radicalmente antiocidentais da África e do Oriente Médio, e interveio na guerra no Afeganistão.
Em 1978, um governo socialista pró-soviético foi estabelecido na República Democrática do Afeganistão. Um dos primeiros objetivos deste governo marxista foi a secularização do Estado, mas isso provocou a insurreição de grupos islâmicos radicais, que pretendiam derrubar o presidente do novo governo. Então, em dezembro de 1979, os soviéticos ocuparam militarmente o Afeganistão para ajudar a manter o governo afegão e combater os rebeldes.
A Guerra do Afeganistão no contexto da Guerra Fria
Esta guerra civil, em pouco tempo, cresceu e envolveu indiretamente outros países. Logo, ela deve ser entendida dentro do contexto da Guerra Fria (disputa indireta entre EUA capitalista e União Soviética socialista).
Então, o cenário era este: o governo marxista afegão tinha o apoio da União Soviética, que em 1979, resolveu enviar tropas e armamentos para defender o governo afegão. Por outro lado, os rebeldes islâmicos mujahidins, que queriam derrubar o governo marxista e implantar um estado teocrático islâmico, receberam indiretamente apoio, principalmente, dos Estados Unidos, Paquistão, Irã, China, Reino Unido e Arábia Saudita.
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| Tanque de Guerra Soviético nas montanhas do Afeganistão |
Fim da guerra e principais consequências
A União Soviética retirou totalmente suas tropas do Afeganistão em 1989, após assinar os Acordos de Genebra de 1988, que colocou fim oficialmente à guerra.
Porém, estes acordos não foram suficientes para terminar com a guerra civil no país, pois os guerrilheiros mujahidins não participaram das negociações, nem assinaram os acordos. Portanto, a guerra civil entre o governo afegão e os rebeldes islâmicos permaneceu até 1993. Neste ano, os mujahidins conseguiram derrubar o governo e implantaram um regime teocrático islâmico no país.
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Blindados soviéticos durante a retirada da URSS da Guerra do Afeganistão |
| Análise da Guerra do Afeganistão Por Jefferson E. M. Ramos (historiador formado pela USP) |
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A Guerra do Afeganistão (1979-1989) evidenciou a lógica predatória das intervenções militares conduzidas pelas grandes potências durante a Guerra Fria (1947-1991). A entrada das tropas soviéticas em dezembro de 1979 não pode ser compreendida apenas como um gesto de defesa de um governo aliado, mas como uma imposição geopolítica que ignorou as complexidades sociais, culturais e religiosas do Afeganistão. Ao tentar sustentar um regime alinhado a interesses externos, a União Soviética aprofundou tensões internas e contribuiu para a desestruturação de formas tradicionais de organização da sociedade afegã. O território afegão, nesse contexto, foi reduzido a um espaço de disputa estratégica, no qual a soberania nacional e as necessidades da população foram subordinadas a interesses ideológicos e militares.
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Como a Guerra do Afeganistão pode cair em vestibulares e ENEM?
A Guerra do Afeganistão (1979-1989) costuma aparecer em vestibulares e no ENEM como um exemplo clássico de conflito indireto da Guerra Fria (1947-1991). As questões geralmente exploram a lógica da bipolaridade mundial, destacando a intervenção da União Soviética para manter um governo aliado e o apoio dos Estados Unidos aos grupos insurgentes afegãos. Nesse sentido, o tema pode ser cobrado para avaliar a compreensão do conceito de “guerra por procuração”, no qual as superpotências evitavam o confronto direto, mas financiavam e apoiavam conflitos em países periféricos. Também é comum a cobrança da relação entre ideologia e geopolítica, enfatizando a disputa entre socialismo e capitalismo em regiões estratégicas.
Outra abordagem recorrente envolve as consequências do conflito, tanto para o Afeganistão quanto para o cenário internacional. As provas podem destacar o impacto humano e econômico da guerra, a desestabilização política do país e o fortalecimento de grupos armados islâmicos. Vale ressaltar também que o tema pode aparecer associado ao enfraquecimento da União Soviética na década de 1980, contribuindo para o fim da Guerra Fria em 1991. Em alguns casos, as questões estabelecem conexões com eventos posteriores, como a ascensão de grupos extremistas e os conflitos no Oriente Médio e na Ásia Central, exigindo do estudante a capacidade de relacionar processos históricos de longa duração.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 19/03/2026
Fontes de referência:
CAMPOS, Raymundo. Estudos de História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Editora Atual, 1988.
CÁCERES, Florival; PEDRO, Antônio. História Geral. São Paulo: Moderna, 1988.
https://en.wikipedia.org/wiki/Soviet%E2%80%93Afghan_War
Vídeo indicado no Youtube:
A GUERRA DO AFEGANISTÃO (1979 - 1989) || VOGALIZANDO A HISTÓRIA