O que foi a Guerra do Golfo?
A Guerra do Golfo foi um conflito armado ocorrido entre 2 de agosto de 1990 e 28 de fevereiro de 1991, iniciado com a invasão do Kuwait pelo Iraque, motivada por disputas econômicas, territoriais e pelo controle de recursos petrolíferos na região do Golfo Pérsico; em resposta, formou-se uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, com respaldo da Organização das Nações Unidas, que interveio militarmente para expulsar as forças iraquianas do território kuwaitiano, utilizando amplo aparato tecnológico e militar, o que resultou na rápida derrota do Iraque e consolidou a atuação das grandes potências no contexto internacional do pós-Guerra Fria.
As principais causas da Guerra do Golfo foram:
• Um dos motivos da invasão alegado pelo presidente iraquiano, Saddam Hussein, foi que o Kuwait estava prejudicando o Iraque no comércio de petróleo, vendendo o produto por um preço muito baixo. Com isso, o Iraque estaria perdendo mercado consumidor e precisando baixar o preço de seu petróleo no mercado internacional. Para diminuir os prejuízos, o Iraque pediu uma indenização milionária ao governo do Kuwait. O governo do Kuwait não aceitou a reivindicação de indenização e não efetuou o pagamento.
• Havia também outro problema envolvendo os dos países do Oriente Médio. O Iraque reivindicava a devolução de um território que pertencia ao Kuwait, mas que o governo iraquiano afirmava que fez parte do Iraque no passado.
• Como o Kuwait não pagou a indenização pretendida pelo Iraque e não entregou o território, o governo iraquiano enviou tropas que ocuparam o Kuwait, tomando os poços de petróleo.
• O conflito refletiu a ambição de Saddam Hussein de estabelecer o Iraque como uma potência dominante no Golfo Pérsico e no Oriente Médio.
• O regime de Saddam Hussein, enfrentando pressões internas e dificuldades econômicas, pode ter visto a conquista do Kuwait como um meio de aumentar o orgulho nacional e consolidar o poder internamente.
Como foi a guerra
A ONU (Organização das Nações Unidas) condenou a invasão e emitiu um documento exigindo a retirada imediata das tropas iraquianas do Kuwait. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos deslocaram tropas e aviões para a Arábia Saudita, preparando-se para uma ação militar.
Como o Iraque não retirou seu exército do Kuwait, a ONU autorizou a invasão militar do Iraque por um grupo de países (Inglaterra, França, Egito, Síria, Arábia Saudita), liderados pelos Estados Unidos. O ataque ao Iraque teve início em janeiro de 1991 e durou um mês e meio.
Fim da Guerra e consequências principais
O Iraque foi derrotado (o cessar-fogo foi aceito em abril de 1991) e teve que retirar suas tropas do vizinho Kuwait, além de sofrer com o embargo econômico imposto pela ONU.
Milhares de soldados e civis morreram ou ficaram mutilados nesta guerra e os prejuízos econômicos também foram gigantescos. Porém, Saddam Hussein continuou no poder do Iraque e reorganizou, com o passar dos anos, a economia e o exército iraquiano.
Principais dados da guerra:
- Combatentes: Coalizão formada por Kuwait, Estados Unidos, Reino Unido, França e Arábia Saudita contra o Iraque.
- Forças de combate: coalizão com 956,5 mil militares. Iraque com 650 mil militares.
- Vítimas: A Coalizão teve 292 mortos e 776 feridos. Já o Iraque teve entre 25 mil e 50 mil mortos e cerca de 74 mil feridos.
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| Infográfico com uma síntese sobre a Guerra do Golfo. |
Dicas do professor: Como o tema da Guerra do Golfo costuma ser cobrado em Vestibulares e ENEM?
1. Contexto geopolítico do Oriente Médio no final do século XX
A Guerra do Golfo costuma aparecer associada à compreensão das tensões históricas do Oriente Médio, com destaque para disputas territoriais, rivalidades regionais e o papel estratégico da região no cenário internacional.
2. Importância do petróleo como fator central do conflito
As provas frequentemente exploram a relação entre a guerra e o controle das reservas petrolíferas, enfatizando a dependência energética das grandes potências e o impacto econômico global do conflito.
3. Papel das grandes potências e dos Estados Unidos
É comum a cobrança sobre a atuação dos Estados Unidos como líder da coalizão internacional, relacionando a guerra à consolidação de uma nova ordem mundial após o fim da Guerra Fria.
4. Atuação de organismos internacionais
Vestibulares e ENEM costumam abordar o papel da Organização das Nações Unidas, destacando resoluções, legitimidade internacional da intervenção e limites da ação diplomática.
5. Uso de tecnologia militar e guerra midiática
As questões podem enfatizar o uso intensivo de tecnologia bélica, como mísseis de precisão, e a ampla cobertura da mídia, apontando a Guerra do Golfo como um marco da guerra transmitida em tempo real.
6. Consequências políticas e econômicas do conflito
É recorrente a cobrança sobre os desdobramentos da guerra, como o enfraquecimento do Iraque, o reforço da presença militar estrangeira na região e os impactos na política internacional.
7. Relação com o período pós-Guerra Fria
A guerra costuma ser interpretada como um dos primeiros conflitos do mundo pós-bipolar, sendo cobrada a capacidade do aluno de relacioná-la à transição das relações internacionais após o colapso do bloco socialista.
8. Abordagem interpretativa e interdisciplinar
Especialmente no ENEM, a Guerra do Golfo aparece integrada a textos, charges ou gráficos, exigindo interpretação crítica, articulação entre História, Geografia e Atualidades e compreensão das relações de poder no sistema internacional.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 04/01/2025
Fonte de referência utilizada na elaboração do texto:
CAMPOS, Raymundo. Estudos de História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Editora Atual, 1988.
Vídeo indicado no YouTube:
Guerra do Golfo e Saddam Hussein | Canal Nerdologia