Arte Persa

A arte persa foi marcada pela valorização de temas militares, religiosos e ligados aos feitos dos reis.


Ruínas de Persópolis: exemplo da arquitetura persa
Ruínas de Persópolis: exemplo da arquitetura persa

 

Introdução


A arte persa corresponde às diversas manifestações artísticas (pintura, arquitetura, escultura, artesanato, relevos, etc.) da civilização persa antiga. Era essencialmente uma arte imperial, já que os artistas eram contratados pelos imperadores para construírem e adornarem seus palácios e templos.

 

Grande parte da arte persa é carregada de significados simbólicos, muitos deles ligados ao zoroastrismo, a religião predominante. Representações de criaturas míticas, como grifos, leões-alados ou seres compostos, são comuns, muitas vezes simbolizando proteção ou poder real.


Influências recebidas

 

A arte persa antiga foi fortemente influenciada pelas várias civilizações com as quais os persas entraram em contato. O amplo alcance do Império Persa, abrangendo do Egito à Índia em seu auge, facilitou uma mistura única de estilos culturais da Mesopotâmia, Anatólia, Egito e Grécia.




PRINCIPAIS ASPECTOS DA ARTE PERSA E SUAS CARACTERÍSTICAS


1. Arquitetura Persa


A arquitetura persa, embora tenha desenvolvido uma identidade própria, teve influências dos gregos, egípcios, medos e assírios.

 

Podemos destacar os templos religiosos, utilizados para os cultos do zoroastrismo (religião predominante entre os persas) e também para reuniões de caráter social.

 

Os palácios eram suntuosos, apresentando grandes espaços internos decorados, pois serviam de moradia para os reis e suas famílias. Estes palácios eram sustentados por grandes colunas e capiteis decorativos.

 

Os persas também construíram grandes mausoléus (espécie de tumbas) em homenagem aos reis e imperadores mortos.

 

As cidades persas também merecem destaque não só pela arquitetura, mas também pelo desenvolvimento urbano que apresentaram. A grandiosidade das cidades persas pode ser atestada até hoje, através das ruínas de Pasárgada ( uma das principais cidades do Império Persa). As cidades persas de Susa e Persépolis também são exemplos da grandiosidade e alto nível de desenvolvimento da arquitetura urbana desta civilização.

 

Foto da tumba do imperador Ciro em Passárgada

Tumba do imperador Ciro em Pasárgada: exemplo de arquitetura ligada a temas fúnebres.

 

 

 

2. Escultura, relevos e pintura persa


Os artistas persas esculpiram lindas esculturas, usando ouro, prata e pedras decorativas. Estas peças eram encomendadas por reis e serviam para, principalmente, ornamentar os luxuosos palácios. Em alguns palácios, os imperadores ordenavam a produção de gigantes esculturas retratando o próprio imperador, numa forma de demonstrar todo seu poder.

 

Os relevos decorativos também estavam presentes nestes palácios, assim como as pinturas. Estes relevos e pinturas retratavam, principalmente, aspectos sociais que mostravam a grandeza do império e do poder do imperador.

 

Temas da vida cotidiana dos nobres como, por exemplo, cerimônias religiosas dos persas também apareciam nestas pinturas presentes nos palácios.

 

Outra temática muito presente nas pinturas, esculturas e relevos, que decoravam os palácios, eram as grandes vitórias e conquistas militares realizadas pelos imperadores persas.



3. Artesanato em tecidos e tapetes


Os tecidos persas, incluindo tapeçarias e tapetes, eram altamente valorizados por sua qualidade e design. A tradição da tecelagem de tapetes persas, com seus intrincados padrões e símbolos, é um legado duradouro deste antigo ofício.

 

 

4. Trabalho de metal e joias magistrais

 

Os persas eram especialmente conhecidos por seu intrincado trabalho em metal e joias. Itens luxuosos de ouro e prata, muitas vezes incrustados com pedras preciosas, demonstraram a habilidade dos artesãos persas. Vasos, joias e armas geralmente apresentavam desenhos complexos e representações de humanos, animais ou seres mitológicos.



5. A arte da caligrafia

 

A arte da caligrafia na antiga Pérsia se desenvolveu a partir do século VII, após a chegada do Islã à região. A caligrafia persa evoluiu principalmente em duas formas principais: o estilo Nasta'liq e o estilo Shekasteh. O Nasta'liq é reconhecido por suas curvas graciosas e elegância, sendo amplamente utilizado em manuscritos poéticos e documentos oficiais. Já o Shekasteh, desenvolvido no século XVII, é caracterizado por suas formas mais fluídas e quebradas, conferindo um aspecto mais dinâmico à escrita.

Os calígrafos persas não apenas escreviam textos religiosos e literários, mas também criavam obras de arte independentes, onde a beleza das letras se tornava uma expressão estética por si só.

A caligrafia era ensinada em escolas especializadas e apreciada por sua habilidade de capturar a essência da cultura persa através da harmonia entre forma e conteúdo.

 

 

Relevo mostrando soldados persas

Relevo de soldados persas (Museu de Pérgamo, Berlim).

 

 

Escultura de uma cabeça de touro

Capitel persa (século V a.C.) em formato de cabeça de touro.

 

 


 

Última atualização: 13/06/2024

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia Indicada

 

Saber ver a arte mesopotâmica e persa (coleção Saber ver a Arte)
Autor: Ezquerra, Jaime Alvar
Editora: Martins Editora


Fontes de referência do texto:

 

- HODGE, Susie. Breve História da Arte. São Paulo: Editora Gustavo Gili, 2018.

 

- CHILVERS, Ian. História Ilustrada da Arte. São Paulo: Publifolha, 2014.


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