Introdução: o que foi o absolutismo
O absolutismo foi uma forma de governo consolidada em diversos reinos europeus entre os séculos XVI e XVIII, caracterizada pela concentração do poder político nas mãos do rei. Essa autoridade centralizada era justificada tanto por argumentos religiosos quanto por teorias políticas, e foi praticada especialmente em países como França, Inglaterra, Espanha e Portugal. O soberano absoluto não estava submetido a nenhuma instituição superior, como parlamentos ou assembleias, e detinha o controle sobre as leis, os impostos, a justiça e os exércitos. O absolutismo foi fundamental para o fortalecimento dos Estados modernos e estava vinculado a interesses das elites nobres e burguesas que buscavam estabilidade e proteção.
O que é um teórico do absolutismo? O que eles faziam?
Os teóricos do absolutismo eram pensadores, juristas, filósofos e clérigos que desenvolveram ideias e argumentos para justificar a centralização do poder nas mãos do rei. Suas obras foram produzidas em um contexto de transição entre a Idade Média e a Modernidade, marcado por guerras civis, conflitos religiosos e crises políticas. Esses autores buscavam legitimar o poder real, muitas vezes com base em princípios religiosos (como o direito divino dos reis), jurídicos (como a soberania do Estado) ou racionais (como a necessidade de ordem e estabilidade). Ao formular teorias sobre a autoridade monárquica, os teóricos do absolutismo desempenharam papel essencial na consolidação dos Estados centralizados europeus.
Teóricos do Absolutismo, suas principais ideias e obras:
Jacques Bossuet (1627-1704): bispo, teólogo e filósofo francês. Defendeu a ideia de que o monarca era o representante de Deus no mundo. Dessa forma, todos deveriam respeitá-lo, sem questionar seus procedimentos. Nessa linha de pensamento, questionar o poder do rei seria o mesmo que questionar Deus.
Sua principal obra foi A Política Tirada da Sagrada Escritura, publicada postumamente em 1709.
Nicolau Maquiavel (1469-1527): historiador, diplomata, músico e filósofo italiano (florentino) do período do Renascimento. Defendeu a necessidade da concentração de poder nas mãos de um monarca forte. Esse deve fazer de tudo para obter resultados positivos em seu governo, mesmo que tenha que deixar de seguir a ética, a moral e a religião.
Sua principal obra foi O Príncipe, publicado em 1532.
Hugo Grotius (1583-1645): foi um diplomata, teórico, jurista e filósofo holandês. Defendeu a necessidade da soberania absoluta do Estado nas relações com outros Estados.
Sua obra principal foi Das leis de guerra e paz, publicada em 1625.
Thomas Hobbes (1588-1679): matemático, teórico político e filósofo inglês. Defendeu a ideia da necessidade de um rei forte como forma de preservar a existência da sociedade. Só um rei forte (autoritário) pode evitar a guerra de todos contra todos. Hobbes é um contratualista, ou seja, diz que os indivíduos de uma sociedade abrem mão de sua liberdade para dar ao governante poderes absolutos. Nesse contrato social, os indivíduos obtêm proteção e ordem e o monarca pode e deve governar com poderes totais.
Sua principal obra foi Leviatã, publicada em 1651.
Francisco Suárez (1548-1617): filósofo, jurista e teólogo espanhol, defendeu a origem divina do poder dos reis em sua obra Sobre as Leis e o Legislador Divino.
Robert Filmer (1588-1653): filósofo inglês que escreveu sobre a teoria do patriarcado, a importância da família como modelo do Estado e sobre o direito divino dos reis (justificativa do pode político dos reis através da escolha por Deus).
Sua principal obra foi Patriarca e o poder natural dos reis (1680).
Jean Bodin (1530-1596): foi um jurista, economista e filósofo francês. Também defendeu o Absolutismo de acordo com a “Teoria do Direito Divino dos Reis”. De acordo com Jean Bodin, o monarca necessita de soberania absoluta e irrestrita.
Sua principal obra foi a Da República (conjunto de seis livros), publicado em 1576.
![]() |
| Jean Bodin: filósofo e economista francês que defendeu o absolutismo. |
|
|
| Roberto Filmer: teórico político que defendeu, em sua obra, o direito divino dos reis. |
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes de pesquisa consultadas para a elaboração do texto:
CAMPOS, Raymundo. Estudos de História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Editora Atual, 1988.
CÁCERES, Florival; PEDRO, Antônio. História Geral. São Paulo: Moderna, 1988.
Vídeo indicado no YouTube:
Teóricos do Absolutismo - Canal da Profa Anelize