O que foi
A Revolução Puritana, também conhecida como Guerra Civil Inglesa, começa em 1628, quando o Parlamento inglês impõe a Carlos I Stuart a Petição dos Direitos, limitando o poder da Coroa. O rei dissolve então o Parlamento e governa sozinho até 1642, quando irrompe a guerra civil.
Contexto histórico
O contexto histórico da Revolução Puritana insere-se na Inglaterra da primeira metade do século XVII, especialmente entre as décadas de 1620 e 1640, período marcado por intensas tensões políticas, religiosas e econômicas. A monarquia inglesa, sob o reinado de Carlos I, enfrentava conflitos recorrentes com o Parlamento em razão da centralização do poder real, da cobrança de impostos sem aprovação parlamentar e da tentativa de governar de forma absolutista, prática observada sobretudo entre 1629 e 1640, durante o chamado Governo Pessoal do rei. No plano religioso, o país vivia disputas entre diferentes correntes do protestantismo, com destaque para os puritanos, que criticavam a hierarquia da Igreja Anglicana e defendiam reformas mais profundas inspiradas no calvinismo. Socialmente, a expansão do comércio, o fortalecimento da burguesia urbana e o avanço das relações capitalistas alteravam as estruturas tradicionais da sociedade inglesa, ampliando o peso político de grupos ligados às cidades e ao Parlamento. Esse conjunto de transformações e conflitos expressa o ambiente de instabilidade e contestação que caracterizava a Inglaterra entre o final do século XVI e meados do século XVII, no interior do qual se desenvolveu a Revolução Puritana.
Causas principais
• Desde 1629, o absolutismo dos reis ingleses provocava conflitos religiosos: líderes da Igreja Anglicana, queriam a unidade religiosa do país e perseguiam os católicos e puritanos que se recusavam a obedecer à hierarquia da Igreja.
• De 1629 a 1640, Carlos I dispensou o Parlamento e governou sozinho. Este período, conhecido como "Tirania dos Onze Anos" ou "Governo Pessoal", aprofundou ainda mais a divisão entre o rei e muitos súditos, especialmente os puritanos.
• Em 1640, diante da revolta dos escoceses, que desejavam manter sua Igreja Presbiteriana, Carlos I convocou o Parlamento para levantar um exército. Os parlamentares dirigiram ao rei uma grande contestação, e este, ao tentar impedi-los, acaba provocando uma guerra civil.
Consequências:
O principal trunfo de Carlos I era sua legitimidade: sagrada e respeitada por todos, defendia ordem e tradição. A balança de poder, no entanto, pendeu a favor dos parlamentares, cujo exército, liderado por Oliver Cromwell, derrotou as tropas reais. Depois de ter se refugiado na Escócia, Carlos I foi entregue aos ingleses. Os parlamentares estavam divididos, mas o rei foi finalmente julgado e executado em 1649 em praça pública. A República foi então instaurada e, em 1653, Cromwell acabou dissolvendo o Parlamento.
Os principais personagens da Revolução Puritana:
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Oliver Cromwell: militar, político e lorde protetor da Inglaterra, liderou o Parlamento Inglês durante a Revolução Puritana. |
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Carlos I: rei da Inglaterra |
RESUMO
Contexto político da Inglaterra no século XVII (1603–1649), marcado pela consolidação da monarquia absolutista sob os reinados de Jaime I (1603–1625) e Carlos I (1625–1649), com tensões constantes entre o rei e o Parlamento.
Fortalecimento do Parlamento inglês como espaço de representação da nobreza rural (gentry) e da burguesia mercantil, em oposição às tentativas da Coroa de governar sem consulta parlamentar, especialmente no período do chamado Governo Pessoal de Carlos I (1629–1640).
Conflitos religiosos entre o anglicanismo oficial da monarquia e os grupos puritanos de inspiração calvinista, que defendiam maior austeridade religiosa, moral rigorosa e rejeição de práticas consideradas próximas ao catolicismo.
Crise financeira do Estado inglês ao longo das décadas de 1620 e 1630, agravada por guerras externas, aumento de impostos e resistência da sociedade ao pagamento de tributos sem aprovação parlamentar.
Guerra Civil Inglesa (1642–1649), período em que o país se dividiu entre os partidários do rei e as forças parlamentares, refletindo antagonismos políticos, religiosos e sociais acumulados desde o início do século XVII.
Ascensão de Oliver Cromwell como principal liderança militar e política do lado parlamentar, com destaque para a organização do New Model Army a partir de 1645.
Julgamento e execução de Carlos I em 1649, fato que expressou a ruptura com a ideia do direito divino dos reis e simbolizou a supremacia do Parlamento sobre a monarquia.
Proclamação da República inglesa, conhecida como Commonwealth (1649–1653), seguida pelo Protetorado de Oliver Cromwell (1653–1658), período caracterizado por governo centralizado, influência puritana e repressão a opositores.
Impactos sociais da Revolução Puritana: maior valorização do trabalho, da disciplina moral e da ética protestante, elementos associados à expansão do capitalismo inglês nos séculos XVII e XVIII.
Importância histórica do processo revolucionário para a limitação do poder real e para a consolidação de princípios políticos que contribuíram para a formação do constitucionalismo inglês nas décadas posteriores (segunda metade do século XVII).
Dicas do professor: Como esse tema costuma ser cobrado em provas escolares, vestibulares e ENEM?
1. Contexto político, social e religioso da Inglaterra no século XVII (1603 a 1640).
A Revolução Puritana costuma ser cobrada a partir da compreensão das tensões existentes na Inglaterra durante o século XVII, envolvendo o fortalecimento do absolutismo monárquico, os conflitos entre o rei e o Parlamento e as disputas religiosas entre anglicanos, católicos e grupos protestantes radicais. As questões exigem a análise do descontentamento da burguesia e de setores da nobreza com a centralização do poder real e com a política fiscal da monarquia.
2. Conflitos entre a monarquia dos Stuart e o Parlamento.
Os vestibulares e o ENEM frequentemente exploram o embate entre os reis da dinastia Stuart e o Parlamento inglês, destacando a tentativa dos monarcas de governar sem o consentimento parlamentar. As questões avaliam a compreensão das disputas em torno da cobrança de impostos, da limitação do poder real e da defesa das liberdades parlamentares como elementos centrais do processo revolucionário.
3. Papel do puritanismo e das tensões religiosas no conflito.
É comum a cobrança do puritanismo como força ideológica importante na Revolução Puritana. As provas analisam o puritanismo como uma vertente do protestantismo calvinista que defendia uma Igreja mais simples e moralmente rigorosa, em oposição à hierarquia anglicana associada à monarquia. Avalia-se a capacidade de relacionar religião e política no contexto das transformações do século XVII.
4. Guerra Civil Inglesa e o protagonismo de Oliver Cromwell (1642 a 1649).
As questões costumam abordar a Guerra Civil Inglesa como momento central da Revolução Puritana, destacando o confronto armado entre realistas e parlamentares. É recorrente a cobrança do papel de Oliver Cromwell como líder militar e político dos parlamentares, bem como a execução do rei Carlos I em 1649, fato que marcou uma ruptura inédita na história política europeia.
5. República, Protetorado e limites do projeto revolucionário (1649 a 1660).
Os vestibulares e o ENEM exploram o período republicano inglês e o Protetorado de Cromwell, analisando suas contradições. As questões exigem a compreensão de que, apesar do discurso de defesa das liberdades, o governo assumiu características autoritárias, revelando os limites do projeto político puritano e as dificuldades de consolidar uma república estável naquele contexto histórico.
6. Importância histórica da Revolução Puritana para o constitucionalismo inglês.
As provas frequentemente cobram a Revolução Puritana como um marco na limitação do poder monárquico e no fortalecimento do Parlamento. Avalia-se a capacidade de relacionar esse processo à formação do constitucionalismo inglês, à valorização das liberdades políticas e à consolidação de princípios que influenciaram outras revoluções burguesas ocorridas nos séculos seguintes.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes de referência:
CAMPOS, Raymundo. Estudos de História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Editora Atual, 1988.
CÁCERES, Florival; PEDRO, Antônio. História Geral. São Paulo: Moderna, 1988.
Vídeo indicado no YouTube:
A Revolução Puritana HISTÓRIA GERAL - Aqui é História