São Tomás de Aquino


 

Quem foi


Tomás de Aquino, mais conhecido como São Tomás de Aquino, foi um importante teólogo, filósofo e padre dominicano do século XIII. Foi declarado santo pelo papa João XXII em 18 de julho de 1323. É considerado um dos principais representantes da escolástica (linha filosófica medieval de base cristã). Foi o fundador da Escola Tomista de filosofia e teologia. Suas obras filosóficas tiveram grande influência na teologia e filosofia do mundo moderno.

 

Principais ideias filosóficas e teológicas:


• Tomás de Aquino buscou utilizar a filosofia greco-latina clássica (principalmente de Aristóteles) para compreender a revelação religiosa do cristianismo. Em outras palavras, sua filosofia e teologia buscaram estabelecer uma sintonia entre o racionalismo aristotélico e a tradição cristã.

 

• Defendia também que a política deveria estar subordinada à Igreja, pois possuía um conteúdo ético (busca pelo bem comum, respeito aos direitos dos seres humanos e busca pela moral).

 

• Tomás de Aquino fez uma distinção crucial entre 'ser' (esse) e 'essência' (essentia). Essência refere-se ao que uma coisa é, enquanto ser refere-se ao ato de existir.

 

• Tomás de Aquino é conhecido por sua teoria da Lei Natural, uma forma de ética que afirma que nossas obrigações morais decorrem do projeto de Deus para a natureza e os seres humanos. Como criaturas racionais, os humanos podem discernir essa lei moral, que é um aspecto da razão divina, por meio de sua própria razão.

 

• Um dos temas centrais da obra de Tomás de Aquino é a compatibilidade entre fé e razão. Ele postulou que ambos são caminhos para a verdade e que a razão pode nos ajudar a entender melhor nossa fé.

 

Contexto histórico em que viveu

 

Tomás de Aquino viveu no século XIII, em plena Baixa Idade Média, período marcado pelo crescimento das cidades, pela expansão das universidades europeias e pelo fortalecimento da Igreja Católica como grande instituição intelectual, política e religiosa do Ocidente. Aquino atuou em um contexto de intensa renovação cultural, quando as obras de Aristóteles voltavam a circular na Europa por meio de traduções árabes e latinas. Esse contato com a filosofia aristotélica gerou debates entre os pensadores cristãos, pois muitos procuravam conciliar a razão filosófica com a fé religiosa. A época em que ele viveu foi de afirmação da Escolástica, método de ensino e reflexão desenvolvido nas universidades medievais, especialmente em Paris. Nesse ambiente, 

 


Biografia



Tomás de Aquino nasceu por volta de 1225 no castelo de Roccasecca, no Reino da Sicília, filho do conde Landolfo de Aquino. Aos cinco anos foi enviado ao mosteiro de Monte Cassino para receber a primeira formação religiosa, prática comum entre famílias nobres da época. Ali permaneceu até os quatorze anos, quando o conflito entre o imperador Frederico II e o papado o obrigou a se transferir para a Universidade de Nápoles.


Em Nápoles aproximou-se dos frades dominicanos e, por volta de 1244, resolveu ingressar na ordem. A família reagiu com violência à decisão: os irmãos, a mando da mãe, sequestraram-no no caminho e o mantiveram preso por quase um ano no castelo de Roccasecca, na tentativa de fazê-lo desistir. Tomás não cedeu e, uma vez libertado, retomou os estudos.


Formou-se sob orientação de Alberto Magno, primeiro em Paris e depois em Colônia, onde acompanhou de perto os debates sobre a recepção de Aristóteles na filosofia cristã. Foi ordenado sacerdote por volta de 1250. Nos anos seguintes lecionou em Colônia e obteve, em 1256, a licença para ensinar teologia na Universidade de Paris.


Produziu então a maior parte de sua obra. Escreveu a Summa contra Gentiles entre 1259 e 1265 e iniciou, por volta de 1265, a Summa Theologiae, texto que ficaria inacabado. Passou um período em Roma e retornou a Paris em 1269 para uma segunda regência, na qual se envolveu em disputas com defensores de uma leitura averroísta de Aristóteles, considerada incompatível com a doutrina católica.


Em 1274 o papa Gregório X o convocou para o Concílio de Lyon. Tomás partiu já debilitado e, durante a viagem, bateu a cabeça no galho baixo de uma árvore, ferimento que o obrigou a interromper o trajeto. Buscou abrigo na abadia cisterciense de Fossanova, onde seu quadro de saúde piorou nos dias seguintes.


Morreu em Fossanova em 7 de março de 1274, aos quarenta e nove anos.

 

São Tomás de Aquino, retratado como santo, sentado numa espécie de caixa e lendo um livro

São Tomás de Aquino: um dos grandes nomes da filosofia cristã medieval.

 

Principais obras:



"Suma Teológica"

É a obra mais importante de Tomás de Aquino e uma das mais influentes da filosofia e da teologia cristã medieval. Foi escrita entre 1265 e 1274, embora tenha ficado inacabada. Nela, o autor organiza uma ampla reflexão sobre Deus, a criação, o ser humano, a moral, Cristo, os sacramentos e o destino final da humanidade.

A obra segue o método escolástico, com perguntas, objeções, respostas e argumentos. Sua importância está na tentativa de conciliar a fé cristã com a razão filosófica, especialmente a partir do pensamento de Aristóteles. É nessa obra que aparecem temas fundamentais do tomismo, como as cinco vias para demonstrar racionalmente a existência de Deus.



"Suma contra os Gentios"

Escrita provavelmente entre 1259 e 1265, essa obra também trata da relação entre fé e razão, mas com um objetivo mais apologético. Tomás de Aquino procurou apresentar argumentos racionais em defesa das verdades cristãs, dialogando com judeus, muçulmanos, filósofos pagãos e pensadores não cristãos.

A obra é dividida em quatro livros. Os três primeiros tratam de temas que poderiam ser discutidos pela razão, como a existência de Deus, a criação, a alma e a moral. O quarto livro aborda doutrinas reveladas, como a Trindade, a Encarnação e os sacramentos. Por isso, é uma obra central para compreender a defesa racional da fé no pensamento medieval.



"Do Ente e da Essência"

É uma obra curta, mas muito importante para a filosofia de Tomás de Aquino. Nela, o autor discute a diferença entre essência e existência, tema decisivo para sua metafísica. A essência corresponde àquilo que uma coisa é; a existência indica o fato de essa coisa existir concretamente.

Tomás afirma que, nos seres criados, essência e existência são distintas. Em Deus, porém, essência e existência se identificam, pois Deus é o próprio ser. Essa ideia marcou profundamente a filosofia cristã medieval e tornou-se uma das bases do pensamento tomista.



"Comentários às Sentenças de Pedro Lombardo"

Essa foi uma das primeiras grandes obras de Tomás de Aquino, escrita durante sua formação acadêmica em Paris. As "Sentenças", de Pedro Lombardo, eram um dos principais manuais de teologia usados nas universidades medievais.



Ao comentar essa obra, Tomás discutiu temas como Deus, a criação, o pecado, a graça, Cristo, os sacramentos e a vida moral. Embora seja uma obra de juventude, ela já mostra sua capacidade de organizar problemas teológicos de forma sistemática e racional.

"Questões Disputadas sobre a Verdade"

Essa obra reúne debates acadêmicos realizados por Tomás de Aquino no ambiente universitário medieval. O tema principal é a verdade, mas o texto também aborda conhecimento, fé, consciência, vontade, alma e relação entre intelecto humano e realidade.

Sua importância está no aprofundamento da teoria do conhecimento de Tomás. Para ele, a verdade está ligada à adequação entre o intelecto e a coisa conhecida. A obra ajuda a compreender como o pensamento tomista valoriza a razão sem abandonar a centralidade da fé.



"Questões Disputadas sobre o Mal"

Nessa obra, Tomás de Aquino analisa o problema do mal, uma das questões mais complexas da filosofia e da teologia. Ele discute a origem do mal, sua relação com a liberdade humana, o pecado, a culpa, a responsabilidade moral e a ação divina.

Tomás não entende o mal como uma substância criada por Deus, mas como privação do bem. Essa interpretação foi influenciada por Santo Agostinho, mas recebeu uma formulação própria dentro da filosofia aristotélico-tomista.



"Compêndio de Teologia"

É uma obra de síntese, escrita com o objetivo de apresentar de forma mais breve os principais elementos da doutrina cristã. Tomás organiza o conteúdo a partir das virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

Embora também tenha ficado inacabada, a obra é importante porque apresenta de modo mais acessível algumas ideias fundamentais de sua teologia. Ela pode ser vista como uma introdução ao pensamento religioso de Tomás de Aquino.



"Comentário à Metafísica de Aristóteles"

Tomás de Aquino escreveu importantes comentários sobre obras de Aristóteles, e o comentário à "Metafísica" está entre os mais relevantes. Nele, analisa temas como ser, substância, causa, ato, potência e finalidade.

Essa obra é fundamental para entender como Tomás incorporou Aristóteles ao pensamento cristão. Ele não apenas repetiu o filósofo grego, mas reinterpretou sua filosofia dentro de uma visão cristã do mundo, especialmente ao relacionar o conceito de ser com a existência de Deus.



"Comentário à Ética a Nicômaco"

Nesse comentário, Tomás analisa a obra ética de Aristóteles, discutindo temas como virtude, felicidade, prudência, justiça, amizade e vida contemplativa. A leitura tomista da ética aristotélica foi muito importante para a formação da moral cristã medieval.

A obra mostra que, para Tomás, a vida moral deve ser orientada pela razão e pela busca do bem. Contudo, ele amplia a perspectiva aristotélica ao relacionar a felicidade humana não apenas à vida virtuosa, mas também ao fim último do ser humano em Deus.



"Do Governo dos Príncipes"

Também conhecida como "De Regno", essa obra trata da política e do governo. Tomás de Aquino discute a finalidade do poder político, a função do governante, o bem comum e os riscos da tirania.

A obra ficou incompleta e parte de sua continuação foi atribuída a outro autor medieval. Ainda assim, é importante porque revela a visão política de Tomás, segundo a qual o governo legítimo deve orientar-se para o bem comum e não para os interesses particulares do governante.



"Catena Aurea"

A "Catena Aurea", ou "Cadeia de Ouro", é uma obra de comentário bíblico. Nela, Tomás de Aquino reuniu interpretações dos Padres da Igreja sobre os quatro evangelhos.

Sua importância está no esforço de organizar a tradição cristã anterior, mostrando continuidade entre a teologia medieval e os grandes autores da Antiguidade cristã. A obra também revela o papel central da Bíblia e da tradição patrística no pensamento de Tomás.



"Comentários às Cartas de São Paulo"

Tomás de Aquino também escreveu comentários sobre textos bíblicos, especialmente as cartas paulinas. Nessas obras, analisou temas como graça, fé, pecado, redenção, Igreja, moral cristã e salvação.

Esses comentários são relevantes porque mostram Tomás como teólogo bíblico, e não apenas como filósofo escolástico. Eles ajudam a perceber que sua reflexão filosófica estava profundamente vinculada ao estudo das Escrituras e da doutrina cristã.

 

 

Legado filosófico e teológico

 

Tomás de Aquino (1225-1274) organizou a filosofia aristotélica e a doutrina cristã em uma síntese que orientou o pensamento católico nos séculos seguintes. Na "Summa Theologica", escrita entre 1265 e 1273, ele tratou razão e fé como vias complementares, não opostas, de acesso à verdade. Essa distinção abriu espaço para que a filosofia natural entrasse no ensino teológico sem ameaçar os dogmas cristãos, e por isso a obra se tornou referência nos estudos de teologia escolástica, um lugar que ocupa até hoje em faculdades de filosofia e seminários.

 

As ideias de Tomás de Aquino continuaram influentes muito depois de sua morte. Em 1879, o papa Leão XIII declarou o tomismo a base oficial da filosofia católica, pela encíclica "Aeterni Patris", o que manteve seus escritos nos currículos eclesiásticos ocidentais por décadas. As cinco vias para provar a existência de Deus e a hierarquia das leis, eterna, natural, humana e divina, ainda aparecem hoje em discussões sobre ética e direito natural, sinal de que sua obra resistiu bem ao tempo.

 

Exemplos de Frases:


- "O primeiro degrau para a sabedoria é a humildade".


- "Tenho medo do homem de um só livro".


- " Homem algum deve vender uma coisa a outro homem por mais do que ela vale".


- "Para aqueles que tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível".

 

 

Você sabia?

 

Em 1323, quase 50 anos após sua morte, Tomás foi canonizado santo pelo Papa João XXII.

 

 



Artigo publicado em: 01/10/2019 e atualizado em 04/07/2026

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes:

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Aquinas

 

BELO, Renato dos Santos. 360° Filosofia – História e Dilemas. São Paulo: Editora FTD, 2015.

 

CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2017. 

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

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