Reinos Bárbaros


 

História da formação


Os povos germânicos (chamados de bárbaros pelos romanos) invadiram o Império Romano do Ocidente entre o final do século IV e meados do século VI. Ao penetrarem na Europa, se estabeleceram em várias regiões, formando reinos. Nestes reinos, ocorreu a fusão entre a cultura romana e a destes povos germânicos. Estes reinos bárbaros podem ser considerados como sendo os germes da formação territorial dos países atuais da Europa.



Principais características

 

Os reinos bárbaros eram governados pelos chefes das tribos germânicas e por seus descendentes. Foram estes líderes que ficaram com as melhores terras, sendo os antecessores dos senhores feudais durante o Feudalismo. Possuíam certa estrutura administrativa e funcionavam como reinos independentes.

 

Se por um lado o cristianismo foi sendo, aos poucos, incorporado como religião pelos povos germânicos, o sistema de estrutura administrativa fragmentada, de origem germânica, foi mantida durante grande parte da Idade Média.



Os reinos bárbaros (germânicos) na Europa Medieval, período de reinado e suas localizações:



- Reino dos Suevos (409-585) – região noroeste da Península Ibérica. Esse reino foi formado por povos germânicos que se estabeleceram principalmente na região da Galícia após a desagregação da autoridade romana no Ocidente. Tornou-se um dos primeiros reinos germânicos a adotar o cristianismo como religião oficial, consolidando sua organização política e religiosa na região.

- Reino dos Anglo-Saxões (450-1035) – faixa leste da Grã-Bretanha, incluindo Wessex, Mércia, Nortúmbria, entre outros. Esse conjunto de reinos foi estabelecido por povos germânicos vindos da atual Alemanha e Dinamarca após a retirada das tropas romanas da Britânia no início do século V. Ao longo dos séculos, essas entidades políticas desenvolveram estruturas administrativas próprias e contribuíram para a formação cultural e linguística da futura Inglaterra.

- Reino dos Bretões
(500-1532) – região oeste da Grã-Bretanha e noroeste da França. Esse reino foi formado por populações de origem celta que resistiram à expansão anglo-saxônica na ilha da Grã-Bretanha e mantiveram sua identidade cultural. Parte desses grupos também se estabeleceu na região da Bretanha, na atual França, preservando tradições linguísticas e políticas próprias.

- Reino dos Vândalos (429-534) – ilhas da Córsega, ilha da Sardenha e costa norte da África. Os vândalos atravessaram a Península Ibérica e, posteriormente, estabeleceram um poderoso reino no norte da África após conquistar Cartago em 439. Durante seu domínio, controlaram importantes rotas comerciais no Mediterrâneo até serem derrotados pelo Império Bizantino no século VI.

- Reino dos Ostrogodos (493-553) – territórios da atual Itália, Áustria, Sérvia, Eslovênia, Montenegro e Albânia. Sob a liderança de Teodorico, o Grande, os ostrogodos estabeleceram um reino relativamente estável na península Itálica após a queda do Império Romano do Ocidente em 476. Esse reino procurou preservar instituições administrativas romanas, convivendo com a população local até ser conquistado pelos bizantinos nas guerras góticas.

- Reino dos Visigodos (472-711) – região central e norte da Península Ibérica. Inicialmente estabelecidos no sul da Gália, os visigodos transferiram seu centro político para a Hispânia após serem pressionados por outros povos germânicos. Seu reino desenvolveu importantes códigos legais, como o Liber Iudiciorum, e terminou com a conquista muçulmana da península em 711.

- Reino dos Burgúndios (443-534) – região central da Europa (região sul da atual Alemanha e Suíça). Os burgúndios estabeleceram um reino na região do vale do rio Ródano após receberem autorização do Império Romano para se fixar como povo federado. Seu território posteriormente foi incorporado ao Reino dos Francos no século VI, mas deixou influência duradoura na região que passou a ser chamada de Borgonha.

- Reino dos Francos (481-814) – foi um dos principais reinos germânicos durante a Alta Idade Média, principalmente durante o reinado de Carlos Magno. Estava localizado nos territórios das atuais França e Bélgica e expandiu-se progressivamente sobre áreas da Europa Ocidental. Sob a dinastia carolíngia, transformou-se no Império Carolíngio, que buscou restaurar a ideia de unidade política no Ocidente cristão.

- Reino dos Alamanos (213-512) – território da atual República Tcheca. Os alamanos eram uma confederação de tribos germânicas que se estabeleceram em regiões da Europa Central após sucessivos confrontos com o Império Romano. Seu poder foi gradualmente reduzido após derrotas para os francos, especialmente na batalha de Tolbiac no final do século V.

- Reino dos Bávaros (século III ao século VIII) – principalmente o território do sul da Alemanha. Esse reino surgiu a partir da união de diferentes grupos germânicos que ocuparam a região da Baviera após o declínio da presença romana. Ao longo da Alta Idade Média, os bávaros estabeleceram relações políticas e religiosas com o Reino dos Francos e com a Igreja cristã.

- Reino Turíngio (280-531) – região norte da Alemanha. Esse reino foi formado por tribos germânicas que se organizaram politicamente na região central da Europa durante o período de fragmentação do poder romano. No século VI, foi conquistado pelos francos, sendo posteriormente integrado às estruturas políticas do reino franco.

- Reino Gépida (século VI) – região da Dácia (atualmente territórios da Hungria e Romênia). Os gépidas estabeleceram um reino poderoso na região do médio Danúbio após a queda do império dos hunos no século V. Sua influência regional foi significativa até serem derrotados pelos lombardos e pelos ávaros em meados do século VI.

- Reino Rúgio (século III ao VIII) – esse reino existiu na região do rio Danúbio e foi fundado por Alarico I. Os rúgios eram um povo germânico que estabeleceu comunidades políticas nas áreas próximas ao Danúbio após o enfraquecimento da autoridade romana. Seu domínio regional foi gradualmente reduzido por conflitos com ostrogodos e outros povos germânicos durante a Alta Idade Média.

 

Declínio e transformação

 

O declínio dos Reinos Bárbaros ocorreu, em grande parte, devido à incorporação de muitos deles ao Império Carolíngio no século VIII. Esse processo marcou o início de uma transformação profunda, onde a fusão cultural entre romanos e germânicos deu origem à Europa medieval. Além disso, a formação do feudalismo consolidou as bases econômicas e sociais que estruturariam a sociedade europeia durante a Idade Média.

 

 

Imagem de três reis visigodos

Os reis visigodos Quindasvinto, Recesvinto e Égica.

 



 

RESUMO

 

Formação dos Reinos Bárbaros

- Resultaram da fragmentação do Império Romano do Ocidente.
- Ocorreram entre os séculos V e VIII.
- Eram liderados por povos de origem germânica.


Características Gerais:

- Não tinham unidade política centralizada.
- Baseavam-se em laços de lealdade pessoal entre reis e guerreiros.
- Misturavam elementos romanos e germânicos em sua organização.


Principais Reinos:

- Reino dos Francos: estabelecido na atual França, destacou-se com Clóvis e a Dinastia Merovíngia.
- Reino Ostrogodo: localizou-se na Itália sob o governo de Teodorico.
- Reino Visigodo: formou-se na Península Ibérica após a queda do Império Romano.
- Reino Anglo-Saxão: originou-se na Inglaterra, formado por várias tribos germânicas.
- Reino Lombardo: ocupou a região da Itália no século VI.


Relação com a Igreja

- Adoção do cristianismo foi um fator de legitimidade para os reis.
- Fortaleceram alianças políticas com o papado.
- Contribuíram para a disseminação da religião cristã na Europa.


Declínio e Transformação

- Muitos reinos foram incorporados ao Império Carolíngio no século VIII.
- A fusão cultural romano-germânica deu origem à Europa medieval.
- A formação do feudalismo consolidou as bases econômicas e sociais da região.

 

 




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 04/03/2025




Você também pode gostar de:


Temas Relacionados
Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de pesquisa consultadas para a elaboração do texto:

 

ARRUDA. José Jobson de Andrade. História Antiga e Medieval. São Paulo: Editora Ática, 1988.

 

SILVA, Marcelo Cândido da. História Medieval. São Paulo: Contexto, 2019.

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

5 Reinos Medievais Que os Bárbaros Criaram Depois da Queda de Roma - Canal Saber Mais


Os textos deste site não podem ser reproduzidos sem autorização de seu autor.
Só é permitida a reprodução para fins de trabalhos escolares.



Copyright © 2004 - 2026 SuaPesquisa.com
Todos os direitos reservados.