Sumérios


 

Quem foram, localização e período histórico:



Os sumérios foram um dos primeiros povos a desenvolver uma civilização urbana na Antiguidade, destacando-se pela criação de cidades-Estado, pela escrita cuneiforme, pela agricultura irrigada e pela organização política e religiosa. Estabeleceram-se no sul da Mesopotâmia, região situada entre os rios Tigre e Eufrates, correspondente principalmente ao atual sul do Iraque, onde fundaram cidades como Ur, Uruk, Lagash, Eridu e Nippur. 

A civilização suméria desenvolveu-se aproximadamente entre 3500 a.C. e 2000 a.C., alcançando maior importância durante os períodos de Uruk, das primeiras dinastias e da Terceira Dinastia de Ur. Mesmo após perderem a independência política, sua língua, suas crenças e seus conhecimentos continuaram influenciando outros povos mesopotâmicos.



História e aspectos culturais dos sumérios:


1. Engenharia: controlando e usando a água 


Os sumérios destacaram-se na elaboração de projetos e construção de um complexo e desenvolvido sistema de controle de água do Tigre e Eufrates. Construíram barragens, sistemas de drenagem do solo, canais de irrigação e diques. A armazenagem da água era muito importante para a sobrevivência das cidades sumérias.

 

Os sumérios foram pioneiros (primeiros) na utilização da água dos rios para a irrigação do solo para o cultivo agrícola.



2. Escrita cuneiforme


Uma enorme contribuição cultural dos sumérios foi a criação do sistema de escrita cuneiforme, por volta de 4.000 a.C. Neste sistema, os sinais representavam ideias e objetos. Usavam placas de argila (barro), onde cunhavam (marcavam com cunhas) esta escrita. Muito do que sabemos atualmente, sobre este período da história, devemos as placas de barro com registros cotidianos, econômicos, administrativos e políticos deste período.



3. Principais características da religião:

 

Os sumérios eram politeístas (acreditavam na existência de vários deuses). As divindades sumérias eram ligadas a natureza (Sol, chuva, vento, trovão) e também aos sentimentos (ódio, amor, tristeza, felicidade, etc.).




4. Arquitetura e cidades sumérias 


Os sumérios eram excelentes arquitetos e construtores. Desenvolveram os zigurates, que eram enormes construções em formato de pirâmides. Os zigurates eram usados como locais de armazenagem de grãos e também como templos religiosos. 

 

Construíram várias cidades-estados importantes como, por exemplo: Nippur, Ur, Kish, Uruk, Lagash, Sipar, Larsa e Eridu.

 

Foto das ruínas da cidade sumério de Ur

Ruínas da cidade de Ur (localizada no atual Iraque)



5. Os principais reis sumérios foram:


Gilgamesh de Uruk

Gilgamesh teria governado a cidade de Uruk por volta do século XXVII ou XXVI a.C. Sua existência histórica é considerada provável, embora muitos relatos sobre sua vida tenham caráter lendário. A tradição atribuiu-lhe a construção ou ampliação das muralhas de Uruk, enquanto seus feitos foram preservados em poemas sumérios e, posteriormente, no “Épico de Gilgamesh”. Nessa narrativa, o rei aparece como um governante poderoso que, após a morte de seu companheiro Enkidu, parte em busca da imortalidade.



Enmebaragesi de Kish

Governante de Kish por volta de 2700 a.C., Enmebaragesi é um dos primeiros reis sumérios cuja existência histórica é confirmada por inscrições arqueológicas. Segundo a tradição mesopotâmica, realizou campanhas militares contra a região de Elam e exerceu grande influência sobre outras cidades sumérias. Seu nome também aparece em narrativas relacionadas a Gilgamesh e a Agga, seu filho e sucessor.



Eannatum de Lagash

Eannatum governou Lagash aproximadamente entre 2450 e 2425 a.C. e transformou essa cidade-Estado em uma das maiores potências da Suméria. Conquistou territórios vizinhos, derrotou a cidade de Umma e ampliou sua influência sobre boa parte do sul da Mesopotâmia. Suas vitórias foram representadas na “Estela dos Abutres”, monumento que combina cenas militares e religiosas para exaltar o poder do rei.



Urukagina de Lagash


Urukagina governou Lagash por volta de 2350 a.C. e ficou conhecido pelas reformas destinadas a limitar abusos praticados por autoridades, sacerdotes e cobradores de impostos. Seus decretos procuraram proteger viúvas, órfãos e pessoas endividadas, além de reduzir certas obrigações econômicas impostas à população. Essas medidas são consideradas algumas das primeiras reformas sociais e jurídicas documentadas da história, embora não tenham constituído um código legal completo.



Lugalzagesi de Umma e Uruk

Lugalzagesi governou durante o século XXIV a.C. e conquistou diversas cidades sumérias, entre elas Lagash, Ur, Uruk e Nippur. Por um curto período, conseguiu reunir grande parte da Suméria sob sua autoridade, estabelecendo sua capital em Uruk. Seu domínio terminou quando foi derrotado por Sargão da Acádia, responsável pela formação do Império Acádio por volta de 2334 a.C.



Gudea de Lagash

Gudea governou Lagash aproximadamente entre 2144 e 2124 a.C., durante o período neossumério. Embora utilizasse o título de ensi, geralmente traduzido como governador ou príncipe, exerceu poderes equivalentes aos de um rei. Seu governo foi marcado pela construção e restauração de templos, pelo desenvolvimento artístico e pela retomada das tradições culturais sumérias. As numerosas estátuas de Gudea apresentam-no como um governante religioso, piedoso e dedicado aos deuses.



Utu-hegal de Uruk

Utu-hegal governou Uruk no final do século XXII a.C. e liderou a revolta que expulsou os gutianos da Mesopotâmia. Sua vitória encerrou um período de fragmentação política iniciado após a queda do Império Acádio. Embora seu governo tenha sido breve, preparou as condições para a reunificação da Suméria promovida posteriormente por Ur-Nammu.



Ur-Nammu de Ur

Fundador da Terceira Dinastia de Ur, Ur-Nammu governou aproximadamente entre 2112 e 2094 a.C. Ele reunificou grande parte do sul da Mesopotâmia, adotou o título de “rei da Suméria e da Acádia” e fortaleceu a administração do reino. Também promoveu a construção de grandes zigurates, especialmente o de Ur, e é tradicionalmente associado ao “Código de Ur-Nammu”, uma das mais antigas coleções de leis conhecidas.



Shulgi de Ur

Filho e sucessor de Ur-Nammu, Shulgi governou aproximadamente entre 2094 e 2046 a.C. Durante seu longo reinado, a Terceira Dinastia de Ur atingiu seu auge político, econômico e cultural. Ele reorganizou o sistema administrativo, padronizou pesos e medidas, aperfeiçoou a cobrança de impostos, ampliou estradas e fortaleceu o exército. Também apoiou escolas de escribas e a produção de textos em língua suméria, tornando-se uma figura central do chamado Renascimento Sumério.



Ibbi-Sin de Ur

Ibbi-Sin foi o último rei da Terceira Dinastia de Ur, governando aproximadamente entre 2028 e 2004 a.C. Seu reinado foi marcado por crises econômicas, invasões de povos amoritas, rebeliões internas e perda progressiva dos territórios controlados por Ur. A conquista da cidade pelos elamitas, por volta de 2004 a.C., encerrou seu governo e marcou o fim da última grande dinastia suméria independente.

Placa de barro com uma imagem de um homem sentado, com barba, em relevo

Ur-Namu: rei sumério entre 2112 a 2095 a.C.

 

 

6. A educação

 

Na Antiga Suméria, a educação era predominantemente centrada em escolas de escribas conhecidas como "Edubbas", onde o foco era treinar escribas, um papel de significativo prestígio e importância para funções administrativas. O currículo era abrangente, englobando o aprendizado da escrita cuneiforme suméria e incluía matérias como matemática, história, direito e literatura. Os estudantes aprimoravam suas habilidades praticando em tabletes de argila, copiando diversos textos que serviam tanto como exercícios de escrita quanto como meio de transmitir conhecimento cultural e religioso.


Inicialmente exclusiva para os filhos da elite, a educação gradualmente se expandiu para incluir um corpo estudantil mais diversificado. Os métodos de ensino eram rigorosos, frequentemente envolvendo disciplina física, refletindo a natureza séria da educação. Apesar da sofisticação do sistema educacional sumério, a alfabetização permaneceu um privilégio das classes governante e administrativa, sublinhando seu papel na manutenção das capacidades administrativas essenciais para a gestão das cidades-estado sumérias.

 

 

7. Invasão de outros povos 



A partir do terceiro milênio a.C., as cidades sumérias passaram a sofrer pressões e invasões de diferentes povos da Mesopotâmia e de regiões vizinhas. Entre os principais invasores estavam os acádios, de origem semita, que conquistaram grande parte da Suméria sob a liderança de Sargão da Acádia, por volta de 2334 a.C. Com essa conquista, as cidades sumérias perderam parte de sua autonomia política e foram incorporadas ao Império Acádio. Mesmo assim, muitos elementos culturais sumérios, como a escrita cuneiforme, as práticas religiosas e os conhecimentos administrativos, foram preservados pelos conquistadores.

Após o enfraquecimento dos acádios, a região também foi ocupada pelos gutianos e, posteriormente, pressionada por amoritas e elamitas. Os sumérios ainda recuperaram parte de seu poder durante a Terceira Dinastia de Ur, entre aproximadamente 2112 a.C. e 2004 a.C., mas essa fase terminou com a invasão elamita e o avanço dos amoritas. A partir desse momento, os sumérios deixaram de existir como força política independente, embora sua cultura continuasse exercendo forte influência sobre babilônios, assírios e outros povos da antiga Mesopotâmia.



Legado


O legado dos sumérios permaneceu presente nas civilizações que posteriormente dominaram a Mesopotâmia. Entre suas principais contribuições estão a escrita cuneiforme, os sistemas de irrigação, a construção de cidades e templos, o desenvolvimento da matemática, da astronomia e de formas organizadas de administração. Seus conhecimentos foram assimilados e aperfeiçoados por acádios, babilônios e assírios, enquanto narrativas religiosas e literárias sumérias, como as relacionadas a Gilgamesh, influenciaram tradições culturais posteriores.



Importância na História Antiga


Os sumérios são considerados fundamentais para a História Antiga porque participaram da formação de uma das primeiras civilizações urbanas conhecidas. Suas cidades-Estado desenvolveram governos, leis, atividades comerciais, divisão social do trabalho e instituições religiosas complexas. Ao organizar a vida política, econômica e cultural em centros urbanos, os sumérios estabeleceram práticas que influenciaram outros povos do Oriente Próximo e contribuíram para o desenvolvimento das sociedades antigas.

 

 

 




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 17/07/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:

 

https://www.worldhistory.org/Sumerians/

 

https://www.britannica.com/place/Sumer

 

VICENTINO, Cláudio. História Geral – volume único. São Paulo: Editora Scipione, 2011.

 

NETO, J. A. Freitas; TASINAFO, Celio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2015.

 

Vídeo indicado no YouTube:


HISTÓRIA DA SUMÉRIA | A Primeira Grande Civilização da Humanidade | Globalizando Conhecimento


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