Definição (o que é) e características
A charge é gênero textual de caráter jornalístico. Ela é representada por um desenho ou uma pequena história em quadrinhos, que possui um caráter humorístico e crítico. Destacam-se pela criatividade e abordagem de temas da atualidade. Os personagens geralmente são desenhados seguindo o estilo de caricaturas com exageros em certas características físicas ou comportamentais.
As charges podem ou não conter textos (legendas ou balões de diálogos).
Como é a criação
As charges são elaboradas por desenhistas (chargistas ou cartunistas) e podem retratar diversos temas como, por exemplo, assuntos cotidianos, política, futebol, economia, ciência, relacionamentos, artes, consumo, etc.
Onde são publicadas
As charges costumam ser publicadas em jornais, revistas, livros, etc. Com o desenvolvimento da Internet, apareceram vários sites especializados em apresentar charges animadas elaboradas em linguagem de programação flash.
Exemplos de importantes chargistas brasileiros das últimas décadas:
Ziraldo: cartunista, escritor e jornalista brasileiro (1932–2024), destacou-se pela criação do personagem "O Menino Maluquinho" e por sua atuação no humor gráfico durante a Ditadura Militar, com trabalhos publicados no jornal "O Pasquim".
Glauco: cartunista brasileiro (1957–2010), conhecido por personagens como Geraldão e pela abordagem irreverente e crítica da sociedade em tiras e charges publicadas na revista "Chiclete com Banana".
Laerte: cartunista e chargista brasileira (n. 1951), uma das principais figuras do humor gráfico nacional, criadora de personagens como os "Piratas do Tietê", com obras marcadas por humor refinado e reflexões sociais contemporâneas.
Angeli: cartunista brasileiro (n. 1956), conhecido por seu estilo crítico e urbano, criador de personagens icônicos como Rê Bordosa e Bob Cuspe, com forte presença na imprensa alternativa das décadas de 1970 e 1980.
Chico Caruso: chargista, ilustrador e humorista brasileiro (1949–2023), destacou-se por suas charges políticas e caricaturas publicadas em jornais como "O Globo", além de trabalhos na televisão.
Adão Iturrusgarai: cartunista brasileiro (n. 1965), conhecido pelo humor ácido e personagens como Aline, com tiras que abordam temas cotidianos e comportamentais de forma irreverente.
Marcatti: cartunista brasileiro (n. 1960), representante do quadrinho underground no Brasil, com obras de conteúdo provocativo e transgressor, explorando temas marginais e críticas à sociedade.
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Charge retratando a queda da monarquia brasileira (dom Pedro II). |
Exemplos de importantes chargistas estrangeiros das últimas décadas:
Hayao Miyazaki: cineasta, ilustrador, roteirista e mangaká japonês (n. 1941), é um dos nomes mais importantes da animação mundial, conhecido por obras como "Meu Amigo Totoro", "A Viagem de Chihiro" e "Princesa Mononoke", marcadas por imaginação, crítica social e forte presença da natureza.
Jean-Yves Ferri: escritor, roteirista e cartunista francês (n. 1959), tornou-se amplamente conhecido por assumir os roteiros das novas histórias de "Astérix", dando continuidade ao clássico dos quadrinhos franceses com humor e referências à sociedade contemporânea.
Quino: cartunista e humorista gráfico argentino (1932–2020), foi o criador da personagem "Mafalda", cuja obra se destacou pela crítica política, social e existencial, tornando-se uma referência dos quadrinhos na América Latina.
Albert Uderzo: desenhista e roteirista francês (1927–2020), foi co-criador de "Astérix", uma das séries em quadrinhos mais famosas do mundo, reconhecida pelo humor histórico e pela valorização da cultura gaulesa em oposição ao Império Romano.
Marjane Satrapi: quadrinista, ilustradora, cineasta e escritora iraniana (n. 1969), ficou internacionalmente conhecida pela obra autobiográfica "Persépolis", em que retrata sua infância e juventude durante a Revolução Iraniana e o contexto político do Irã contemporâneo.
Hergé: cartunista belga (1907–1983), pseudônimo de Georges Remi, foi o criador de "Tintim", série de aventuras que se tornou um marco dos quadrinhos europeus, destacando-se pelo estilo gráfico conhecido como ligne claire (linha clara).
O uso da charge como fonte de pesquisa histórica
As charges constituem uma fonte histórica relevante por expressarem, de forma sintética e simbólica, visões críticas sobre acontecimentos políticos, sociais e culturais de determinada época. Produzidas, em geral, para circulação em jornais e revistas, elas dialogam diretamente com o contexto imediato em que foram criadas, refletindo debates públicos, tensões ideológicas e percepções coletivas. Por meio de recursos como caricatura, ironia e exagero, as charges não apenas registram fatos, mas interpretam a realidade, oferecendo ao historiador indícios sobre mentalidades, valores e conflitos presentes na sociedade.
Do ponto de vista metodológico, o uso das charges como fonte exige atenção à sua natureza subjetiva e intencional. O chargista atua como um agente que seleciona, enfatiza e distorce elementos da realidade para produzir efeito crítico ou humorístico, o que implica a necessidade de análise contextualizada. É fundamental considerar o veículo de publicação, o público-alvo, a posição política do autor e o momento histórico de produção. Dessa forma, a charge deve ser interpretada em articulação com outras fontes, evitando leituras isoladas que possam comprometer a compreensão do fenômeno histórico.
As charges também permitem acessar aspectos do cotidiano e da cultura política que nem sempre aparecem em documentos oficiais. Elas revelam opiniões, críticas e até resistências que circulavam na esfera pública, funcionando como registros das sensibilidades sociais. Em períodos de censura ou regimes autoritários, por exemplo, as charges frequentemente assumem papel ainda mais significativo, ao utilizar o humor como estratégia para driblar restrições e expressar contestação. Assim, seu estudo contribui para uma análise mais ampla e plural do passado.
Revisado por Jefferson Evandro M. Ramos (graduado em História pela Universidade de São Paulo).
Atualizado em 31/03/2026
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