O que foi
Foi uma revolta de caráter popular liderada por coronéis da região de Juazeiro (CE), em 1914, contra a interferência do governo federal. Teve como líderes o padre Cícero Romão Batista e Floro Bartolomeu da Costa.
Contexto histórico
A Revolta de Juazeiro ocorreu, durante a Primeira República (1889-1930), em um cenário de forte centralização política das oligarquias estaduais e de conflitos entre facções regionais pelo controle do poder. No Ceará, a disputa entre o governo estadual e os grupos aliados ao líder religioso e político Padre Cícero Romão Batista intensificou tensões, sobretudo após o presidente Hermes da Fonseca (1910-1914) aplicar a política das salvações, que buscava intervir nos estados para substituir oligarquias locais. A deposição do governador Franco Rabelo em 1914 provocou a mobilização de sertanejos e coronéis aliados a Padre Cícero, que, inseridos em um contexto de mandonismo, coronelismo e instabilidade institucional, marcharam para manter sua influência na política cearense.
Causas principais da Revolta de Juazeiro:
• Durante a Primeira República, a política brasileira era comandada pelos grupos oligárquicos. Em 1914, porém, o governo do marechal Hermes da Fonseca criou a “Política das salvações”, que permitia ao governo central interferir na política dos estados e impedir que opositores ocupassem cargos como o da direção do estado. Como resultado, as oligarquias de oposição eleitas do Ceará foram impedidas de ocupar o governo, causando insatisfação entre os políticos.
• A revolta foi precipitada pela intervenção direta do presidente Hermes da Fonseca, que depôs o então governador do Ceará, Marcos Franco Rabelo, e colocou no seu lugar o Coronel Franco, que era impopular entre a população local.
• A população local estava insatisfeita com a administração do Coronel Franco. Suas políticas foram vistas como favoritismo político, repressão e abuso de poder.
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| Floro Bartolomeu da Costa (1876-1926): médico e político baiano, foi um dos líderes da Sedição de Juazeiro. |
Sedição de Juazeiro
Nesse período, o coronel Marcos Franco Rabelo, interventor nomeado pelo governo nacional, perseguiu o Padre Cícero, destituindo-o de seus cargos e ordenando sua prisão. A medida foi reprovada por grupos oligárquicos do Ceará, que, liderados por Floro Bartolomeu, organizaram um batalhão de jagunços e romeiros em defesa do padre, cercando a cidade de Juazeiro. Após a deposição do interventor, Hermes da Fonseca convocou novas eleições, que elegeram Benjamim Barroso como governador e o Padre Cícero como vice.
Principais consequências:
• Pelo envolvimento no evento político, Padre Cícero foi excomungado pela Igreja Católica no fim da década de 1920.
• Podemos dizer que outra consequência importante do movimento foi o fortalecimento do coronelismo na região.
• A revolta foi um dos fatores que contribuíram para a reforma política durante a República Velha. Ela evidenciou as falhas do sistema político brasileiro e a necessidade de maior participação política dos estados.
• A revolta aumentou a popularidade e o prestígio de Padre Cícero, que já era uma figura de grande influência no Ceará. Após a revolta, Padre Cícero se tornou um personagem ainda mais central na política regional, e sua figura religiosa e política permanece relevante no nordeste do Brasil até hoje.
• A Revolta de Juazeiro ajudou a enfraquecer a administração de Hermes da Fonseca, contribuindo para um contexto de instabilidade política e social que marcaria o final da República Velha.
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Jagunços de Floro Bartolomeu que participaram da Revolta de Juazeiro. |
RESUMO
Contexto histórico da Revolta de Juazeiro (1914)
- Movimento ocorrido no Ceará em 1914, durante a Primeira República, motivado por disputas políticas regionais e pela crise entre o governo estadual e lideranças locais do Cariri.
- A figura central foi Padre Cícero, líder religioso e político com forte apoio popular em Juazeiro do Norte.
- Tensões surgiram quando o governador Franco Rabelo buscou reduzir a influência dos chefes políticos locais, contrariando interesses das oligarquias regionais.
- O afastamento de aliados de Padre Cícero do governo estadual e a tentativa de limitar sua atuação geraram forte mobilização popular.
Causas do movimento
- Conflito entre o governador Franco Rabelo e grupos políticos tradicionais do Ceará.
- Defesa de maior autonomia local diante das intervenções do governo estadual.
- Perda de cargos e influência política de lideranças ligadas a Padre Cícero.
- Insatisfação com a postura centralizadora do governo estadual.
Desenvolvimento da revolta
- Articulação política em Juazeiro do Norte com apoio de coronéis e sertanejos.
- Formação de tropas conhecidas como “exército patriótico”, compostas por sertanejos e beatos.
- Marcha de Juazeiro até Fortaleza, com confrontos e pressão militar.
- Queda do governo Franco Rabelo e posterior intervenção federal no estado.
Consequências da revolta
- Restabelecimento da influência das oligarquias tradicionais do Ceará.
- Fortalecimento político de Padre Cícero e das lideranças do Cariri.
- Reafirmação da força do coronelismo e do mandonismo regional durante a Primeira República.
- Demonstração do peso das alianças entre religiosidade popular e poder político no Nordeste.
Importância histórica
- Exemplo expressivo da instabilidade política da República Velha e da fragmentação do poder regional.
- Ilustração da força das lideranças sertanejas e de sua capacidade de mobilização.
- Episódio que evidenciou a combinação entre religião, política e coronelismo na dinâmica social do Nordeste.
- Contribuição para o entendimento das relações de poder e das resistências locais no início do século XX.
Dez dicas do professor: Como esse tema costuma ser cobrado em Vestibulares e ENEM?
1. Contexto político da Primeira República e influência das oligarquias regionais
A Revolta de Juazeiro costuma ser cobrada a partir do cenário de disputas oligárquicas no início da década de 1910. As questões exigem a compreensão do enfraquecimento do governo de Hermes da Fonseca e das intervenções federais nos estados, que geraram tensões políticas especialmente no Ceará.
2. Papel do coronelismo e da liderança de Padre Cícero
Os vestibulares e o ENEM frequentemente exploram a figura de Padre Cícero como liderança religiosa e política. As questões avaliam a compreensão de seu papel central na mobilização popular no Cariri e de sua influência sobre coronéis locais, articulando poder espiritual, social e político.
3. Conflito entre oligarquias cearenses e intervenção federal
É comum a cobrança da disputa entre grupos políticos regionais. As provas costumam exigir a identificação do conflito entre a oligarquia Accioly e os opositores apoiados pelo governo federal, destacando como a intervenção de Hermes da Fonseca alterou o quadro político estadual.
4. Formação das “milícias” do Juazeiro e marcha sobre Fortaleza
As questões frequentemente abordam a organização das forças lideradas por Padre Cícero e Floro Bartolomeu. Avalia-se a compreensão de que essas tropas marcharam do interior rumo a Fortaleza para restituir seus aliados ao poder e desafiar a intervenção federal.
5. Retomada do controle político do Ceará
Os vestibulares e o ENEM exploram o desfecho da revolta, marcado pela vitória dos rebeldes e pela reinstalação da oligarquia local no poder. As questões exigem entender como o movimento representou a força do coronelismo e da mobilização popular no sertão cearense.
6. Relação entre religião, liderança carismática e política regional
As provas costumam cobrar a influência da religiosidade popular na Revolta de Juazeiro. Avalia-se a compreensão da autoridade moral e política de Padre Cícero, elemento essencial para explicar a adesão massiva da população do Cariri ao movimento.
7. Coronelismo como estrutura de poder na Primeira República
As questões frequentemente relacionam a revolta ao funcionamento mais amplo do coronelismo. Avalia-se a capacidade de compreender como relações pessoais, clientelismo, violência privada e controle local do voto moldavam a política brasileira da época.
8. Consequências políticas e afirmação do poder regional
Os vestibulares e o ENEM destacam que a Revolta de Juazeiro reforçou o poder das elites sertanejas e evidenciou a fragilidade do governo federal em lidar com forças regionais. As questões exigem analisar como o episódio ilustrou o pacto oligárquico da República Velha.
9. Importância do movimento na história política do Nordeste
As provas podem pedir o reconhecimento da revolta como marco das disputas políticas no Ceará e exemplo de atuação de líderes messiânicos. Avalia-se a compreensão de sua influência na formação das dinâmicas políticas regionais posteriores.
10. Inserção da Revolta de Juazeiro no conjunto das rebeliões da Primeira República
As questões frequentemente situam a Revolta de Juazeiro ao lado de outros conflitos regionais. Avalia-se a habilidade de relacioná-la ao quadro de instabilidade, disputas oligárquicas e fragmentação política que caracterizou a política brasileira entre 1889 e 1930.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Professor Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 04/02/2026
Fontes de referência do texto:
- PRIORE, Mary del; VENANCIO, Renato. Uma breve História do Brasil. São Paulo: Planeta, 2010.
- FERREIRA, Olavo Leonel. História do Brasil. São Paulo: Ática, 1986.
Vídeo indicado no YouTube:
- PADRE CÍCERO E A REVOLTA DE JUAZEIRO | A SEDIÇÃO DE 1914 Resumo de História Enem. Felipe Oliveira - Curso Enem Gratuito