O que foi
A Unificação da Itália foi o processo histórico e político que levou à formação do Reino da Itália, em 1861, a partir da união de vários Estados independentes que existiam na Península Itálica durante o século XIX. Antes disso, a região estava fragmentada em reinos, ducados e territórios sob influência estrangeira, principalmente da Áustria. Esse processo, conhecido como Risorgimento, envolveu disputas diplomáticas, guerras, revoltas populares e a atuação de líderes políticos e militares que defendiam a criação de um Estado nacional italiano unificado.
Contexto histórico
No século XIX, especialmente entre 1815 e 1870, a Península Itálica encontrava-se politicamente fragmentada em diversos reinos, ducados e territórios sob forte influência estrangeira. Após a derrota de Napoleão Bonaparte (1769-1821) e o Congresso de Viena (1814-1815), a região foi reorganizada de forma conservadora, favorecendo a restauração de antigas monarquias e o fortalecimento do Império Austríaco sobre parte importante do território italiano, sobretudo no norte. Nesse cenário, a ideia de uma Itália unificada ainda era distante, pois a população vivia dividida entre diferentes governos, leis, moedas e interesses regionais.
Do ponto de vista político e social, a Europa vivia a ascensão do liberalismo e do nacionalismo ao longo da primeira metade do século XIX. Esses movimentos defendiam, entre outros princípios, a limitação do poder absolutista, a criação de constituições e o direito de povos com língua, cultura e história comuns formarem seus próprios Estados nacionais. Na Península Itálica, intelectuais, burgueses, militares e setores urbanos passaram a questionar o domínio estrangeiro e a fragmentação política. Revoltas, conspirações e sociedades secretas, como a Carbonária, surgiram nesse contexto, expressando o descontentamento com a ordem conservadora imposta após 1815.
No campo econômico, algumas regiões italianas, principalmente o norte, passavam por maior dinamismo comercial e por um início de modernização, enquanto outras áreas permaneciam mais agrárias e tradicionais. Essa desigualdade interna coexistia com o crescimento da burguesia, que via na unificação uma possibilidade de ampliar mercados, facilitar a circulação de mercadorias e fortalecer politicamente a região. Assim, a Unificação da Itália ocorreu em um contexto marcado pela crise do sistema restaurador europeu, pela expansão das ideias liberais e nacionalistas e pela busca de autonomia frente ao controle estrangeiro, especialmente austríaco.
As principais causas da unificação foram:
• A região norte da Península Itálica, principalmente o reino de Piemonte-Sardenha, era muito mais desenvolvida do que o centro e o sul. Interessava à nobreza e, principalmente, à burguesia industrial que ocorresse a unificação, pois assim aumentaria o mercado consumidor, além de facilitar o comércio com a unificação de padrões, impostos, moeda, etc. Portanto, o movimento de unificação teve início e foi liderado pelo reino de Piemonte-Sardenha.
• A propagação de ideias nacionalistas pela Europa, em parte inspiradas pela Revolução Francesa e pelas Guerras Napoleônicas, acendeu o desejo entre os italianos de formar uma nação unificada.
• A península italiana estava fragmentada e em grande parte sob o controle de potências estrangeiras como os austríacos no norte, os espanhóis e mais tarde os reis Bourbon no sul, e os Estados Papais no centro. O enfraquecimento do domínio desses governantes estrangeiros ao longo do século XIX criou uma oportunidade para a unificação.
• Figuras-chave como Giuseppe Mazzini, que fundou o movimento "Jovem Itália", idealizaram uma Itália unida e inspiraram as massas. O Conde Camillo di Cavour, primeiro-ministro do Reino da Sardenha, negociou e criou a estratégia para expandir o território de seu reino. Giuseppe Garibaldi, um revolucionário carismático, liderou campanhas militares que uniram o sul da Itália ao norte.
Processo e guerras de unificação
O processo de unificação italiana não foi pacífico. O Império Austro-Húngaro não queria ceder os reinos controlados pelas famílias reais austríacas.
Em 1859, com apoio de movimentos populares, liderados por Giuseppe Garibaldi, e de tropas francesas, os piemonteses entraram em guerra contra o Império Áustro-Húngaro. Vencedores, os piemonteses conquistaram o reino da Lombardia. Foi o primeiro passo em direção à unificação.
No ano seguinte, com apoio de movimentos populares, ocorreu a anexação ao Piemonte dos reinos papais de Parma, Modena, Romagna e Toscana.
Ainda em 1860, tropas piemontesas e os "camisas vermelhas", liderados por Garibaldi, incorporam o reino das Duas Sicílias (sul da Península Itálica).
Em 1861, os Estados Pontifícios (governados pela Igreja Católica) foram anexados à Alta Itália. Formou-se assim o Reino da Itália que teve como primeiro rei Vitor Emanuel II.
No ano de 1866, os italianos, com apoio da Prússia, anexaram o reino de Veneza, que até então era governado pelos austríacos.
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Giuseppe Garibaldi (1807-1882): guerrilheiro e general, teve grande importância no processo de unificação italiana. |
A Questão Romana
Faltava apenas anexar Roma, que era a capital do Estado da Igreja Católica. Nesta época, Roma era muito bem protegida por militares da França. Porém, em 1870, a França entrou em guerra contra a Prússia, sendo que as tropas francesas instalada em Roma foram convocadas para a guerra. Sem a proteção militar francesa, os italianos conquistaram a cidade, transformando-a na capital da Itália, que teve sua unificação concluída.
A Igreja Católica só reconheceu o Estado Italiano em 1929, através do Tratado de Latrão. Esse acordo foi firmado entre Benito Mussolini (ditador italiano) e o Papa Pio XI. A Igreja Católica reconheceu o Estado da Itália em troca da criação do Estado do Vaticano e do recebimento de indenizações por perdas territoriais relativas à anexação de regiões católicas no processo de unificação.
Principais consequências da unificação italiana:
• O estabelecimento de um estado italiano centralizado, que marcou o fim da fragmentação regional e levou a um governo unificado sob o Reino da Itália.
• A anexação de territórios importantes, como Lombardia, Vêneto e os Estados Papais, criando coesão política e geográfica em toda a península italiana.
• O aumento das tensões com a Igreja Católica, especialmente após a tomada dos Estados Papais e de Roma, levando o papa a se declarar "prisioneiro no Vaticano".
• Desigualdades econômicas entre o Norte industrializado e o Sul agrário, que persistiram e resultaram em desigualdade regional e agitação social.
• O surgimento da Itália como uma potência europeia, permitindo sua participação em alianças e conflitos no cenário continental, influenciando sua política externa e ambições imperiais.
RESUMO
• No século XIX, a Península Itálica estava dividida em vários Estados independentes.
• O contexto histórico da unificação foi marcado pela reorganização da Europa após o Congresso de Viena, entre 1814 e 1815, e pelo fortalecimento do nacionalismo e do liberalismo.
• As causas da unificação envolveram a fragmentação política da Itália, o domínio estrangeiro, especialmente austríaco, e o desejo de criar um Estado nacional unificado.
• O Congresso de Viena, realizado entre 1814 e 1815, reforçou a fragmentação política da região após a queda de Napoleão.
• A Áustria exercia forte influência sobre diversos territórios do norte da Itália.
• O nacionalismo fortaleceu a ideia de unir povos com língua, cultura e história semelhantes.
• O liberalismo influenciou grupos que defendiam constituição, liberdade política e o fim do absolutismo.
• Sociedades secretas, como a Carbonária, organizaram conspirações e revoltas contra a ordem conservadora.
• O movimento de unificação italiana ficou conhecido como Risorgimento.
• O Reino do Piemonte-Sardenha tornou-se o principal centro político da unificação.
• Camillo di Cavour teve papel importante na diplomacia e nas alianças internacionais.
• Giuseppe Garibaldi liderou campanhas militares decisivas para incorporar o sul da Itália.
• Em 1861, foi proclamado o Reino da Itália como marco central da unificação.
• Em 1870, a incorporação de Roma completou o processo de unificação italiana.
• As consequências da unificação incluíram a formação do Estado italiano, a centralização política e o fortalecimento do nacionalismo na Europa.
Como este tema pode aparecer em questões de História no ENEM e vestibulares?
A Unificação da Itália costuma aparecer em questões de História no ENEM e nos vestibulares como parte do processo de formação dos Estados nacionais europeus no século XIX. Normalmente, as provas relacionam esse tema ao avanço do nacionalismo e do liberalismo após o Congresso de Viena (1814-1815), cobrando do estudante a capacidade de entender por que a Península Itálica estava fragmentada e quais forças políticas e ideológicas impulsionaram sua unificação. Muitas vezes, a questão apresenta um texto histórico, mapa ou trecho de documento para que o aluno identifique o contexto europeu da época.
Também é comum que as provas explorem os agentes históricos envolvidos nesse processo, como o Reino do Piemonte-Sardenha, Camillo di Cavour, Giuseppe Garibaldi e Vítor Emanuel II. Nesse tipo de abordagem, o foco geralmente está em compreender que a unificação não foi resultado de um único movimento popular espontâneo, mas de uma combinação entre diplomacia, guerras, interesses da burguesia e mobilização nacionalista. Em vestibulares mais analíticos, pode surgir a comparação entre a Unificação da Itália e a Unificação da Alemanha, exigindo que o aluno reconheça semelhanças e diferenças entre esses dois processos.
Outra forma frequente de cobrança está na relação entre a Unificação da Itália e as transformações políticas da Europa do século XIX. As bancas podem associar o tema ao enfraquecimento da ordem conservadora criada em 1815, ao declínio da influência austríaca na região e à consolidação do modelo de Estado-nação. Por isso, o mais importante para responder bem a esse tipo de questão é compreender o processo histórico de forma ampla: a fragmentação da Itália, o papel do nacionalismo, os interesses políticos e econômicos envolvidos e a importância da unificação para a reorganização do mapa europeu.
Autor: Professor Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 05/04/2026
Fontes de referência do texto:
https://www.britannica.com/event/Risorgimento
CAMPOS, Raymundo. Estudos de História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Editora Atual, 1988.
CÁCERES, Florival; PEDRO, Antônio. História Geral. São Paulo: Moderna, 1988.
Vídeo indicado no YouTube:
HISTÓRIA GERAL - RISORGIMENTO: A UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA (Canal Parabólica)