Fauna e Flora do Manguezal


 

O que são manguezais?

 

Os manguezais são ecossistemas costeiros encontrados em áreas tropicais e subtropicais, principalmente na transição entre rios e mares, onde ocorre o encontro da água doce com a água salgada. Apresentam solo lodoso, úmido, salino e pobre em oxigênio, ocupado por plantas adaptadas a essas condições, como os mangues. Esses ambientes possuem grande biodiversidade, servem de abrigo e local de reprodução para peixes, crustáceos, moluscos e aves, protegem o litoral contra a erosão e são fundamentais para a manutenção das atividades pesqueiras.

 

 

A FAUNA DO MANGUEZAL

 

As espécies animais que vivem nos manguezais estão adaptadas a presença da água salobra e da vegetação composta por arbustos e plantas de porte médio a pequeno. Esses animais se alimentam, principalmente, de pequenos crustáceos e peixes.

Outra característica desses animais é que, grande parte deles, não vive exclusivamente nos manguezais. Utilizam esse habitat para alimentação, reprodução ou apenas para descanso.

 

 

Principais espécies animais dos manguezais do Brasil:

 

Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea) – Ave típica de manguezais e outras áreas costeiras alagadas. Possui hábitos principalmente crepusculares e noturnos e alimenta-se de caranguejos, peixes, insetos e outros pequenos animais. Costuma permanecer imóvel próximo à água antes de capturar suas presas.

 

Siri (Callinectes spp.) – Crustáceo muito comum em estuários e manguezais brasileiros. Possui o último par de patas adaptado para a natação e alimenta-se de pequenos animais, matéria orgânica e restos vegetais. Também tem importância econômica para comunidades pesqueiras.

 

Capivara – Mamífero semiaquático que pode ocorrer em áreas próximas a manguezais, sobretudo onde existem rios, canais e vegetação abundante. Vive geralmente em grupos e alimenta-se de gramíneas e outras plantas. É excelente nadadora e utiliza a água como proteção contra predadores.

 

Guará (Eudocimus ruber) – Ave de plumagem vermelho-intensa, encontrada em manguezais do litoral brasileiro. Sua coloração está relacionada aos pigmentos presentes nos crustáceos que fazem parte de sua alimentação. Vive frequentemente em bandos e procura alimento em áreas rasas e lodosas.

 

Papagaio – Algumas espécies de papagaios podem utilizar manguezais e florestas próximas para alimentação, descanso ou deslocamento. Alimentam-se principalmente de frutos, sementes, flores e brotos. A presença dessas aves varia conforme a região do litoral brasileiro.

 

Caranguejo-marinheiro (Aratus pisonii) – Pequeno caranguejo muito associado às árvores dos manguezais. Diferentemente de muitas outras espécies, passa bastante tempo sobre raízes e troncos, onde procura folhas, matéria orgânica e pequenos animais para se alimentar.

 

Teiú (Tupinambis teguixin) – Lagarto de grande porte que pode ocorrer em áreas próximas aos manguezais e em outros ambientes costeiros. Possui alimentação bastante variada, incluindo frutos, ovos, insetos e pequenos vertebrados. É predominantemente terrestre e ativo durante o dia.

 

Caninana (Spilotes pullatus) – Serpente não peçonhenta encontrada em florestas, áreas costeiras e regiões próximas a manguezais. É ágil tanto no solo quanto nas árvores e alimenta-se de aves, ovos, roedores e pequenos vertebrados.

 

Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) – Uma das espécies mais características dos manguezais brasileiros. Vive em tocas escavadas na lama e alimenta-se principalmente de folhas e matéria vegetal em decomposição. Possui grande importância ecológica e econômica para muitas comunidades do litoral.

 

Chama-maré (Uca spp.) – Pequenos caranguejos encontrados em áreas lodosas dos manguezais. Os machos apresentam uma das pinças muito maior que a outra, utilizada principalmente em disputas e sinais de comunicação. Alimentam-se de partículas orgânicas retiradas do sedimento.

 

Sururu (Mytella charruana) – Molusco bivalve encontrado fixado em substratos ou enterrado em regiões estuarinas e manguezais. Alimenta-se filtrando partículas e microrganismos presentes na água. É bastante utilizado na alimentação humana em diversas regiões costeiras brasileiras.

 

Ostra – Molusco bivalve comum em raízes, pedras e outros substratos dos manguezais. Alimenta-se por filtração da água, retirando pequenas partículas e organismos microscópicos. Algumas espécies apresentam grande importância econômica na pesca e na aquicultura.

 

Turu (Teredo navalis) – Molusco de corpo alongado que vive perfurando madeira submersa ou em decomposição. Pode ser encontrado em troncos e raízes caídos em ambientes salobros. Apesar da aparência semelhante à de um verme, pertence ao grupo dos moluscos bivalves.

 

Craca (Balanus spp.) – Crustáceo que vive fixado em superfícies duras, como raízes de mangue, pedras, embarcações e estruturas submersas. Alimenta-se filtrando pequenas partículas suspensas na água. Forma agrupamentos bastante visíveis nas zonas sujeitas às marés.

 

Garça (Egretta spp.) – Ave muito comum nos manguezais, onde procura alimento em águas rasas e bancos de lama. Sua dieta inclui peixes, crustáceos, anfíbios e pequenos animais aquáticos. As pernas compridas facilitam a movimentação em áreas alagadas.

 

Colhereiro (Platalea ajaja) – Ave de grande porte reconhecida pelo bico achatado e largo na extremidade, semelhante a uma colher. Procura alimento movimentando o bico lateralmente na água rasa. Consome pequenos peixes, crustáceos e outros organismos aquáticos.

 

Aratu (Goniopsis cruentata) – Caranguejo comum nos manguezais brasileiros, facilmente encontrado sobre raízes, troncos e áreas lodosas. É ágil e possui alimentação variada, incluindo folhas, restos orgânicos e pequenos animais. Também é capturado para consumo em algumas regiões.

 

Caramujo-do-mangue (Melampus coffeus) – Pequeno molusco gastrópode associado à vegetação e ao solo úmido dos manguezais. Alimenta-se principalmente de matéria vegetal em decomposição, algas e outros materiais orgânicos. Participa da reciclagem de nutrientes nesse ecossistema.

 

Lebre-do-mar (Aplysia spp.) – Molusco marinho de corpo mole encontrado em ambientes costeiros, especialmente onde existem algas. Alimenta-se principalmente de vegetação marinha e pode ocorrer em regiões próximas a manguezais e estuários. Algumas espécies liberam substâncias coloridas como mecanismo de defesa.

 

Macaco-prego (Sapajus spp.) – Primata que pode utilizar manguezais em algumas regiões brasileiras, especialmente quando esses ambientes estão conectados a florestas próximas. Possui alimentação variada, formada por frutos, sementes, insetos, crustáceos e pequenos animais.

 

Robalo (Centropomus undecimalis) – Peixe muito associado a estuários e manguezais, sobretudo nas fases jovens da vida. Utiliza raízes e canais como áreas de abrigo e alimentação. É predador e consome principalmente peixes menores e crustáceos.

 

Tainha (Mugil spp.) – Peixe comum em águas costeiras, estuários e manguezais. Alimenta-se de algas, detritos e pequenos organismos presentes no fundo. Muitas espécies realizam deslocamentos entre ambientes marinhos e estuarinos durante seu ciclo de vida.

 

Guaiamu (Cardisoma guanhumi) – Grande caranguejo terrestre encontrado em regiões costeiras próximas aos manguezais. Vive em tocas escavadas em solos úmidos, geralmente em áreas mais elevadas que não permanecem constantemente inundadas. Alimenta-se principalmente de folhas, frutos e outros materiais vegetais.

 

Vôngole ou samanguaiá (Anomalocardia brasiliana) – Molusco bivalve encontrado enterrado em sedimentos arenosos ou lodosos de estuários e regiões costeiras. Alimenta-se por filtração e é bastante coletado para consumo humano em várias localidades do litoral brasileiro.

 

Mapé ou unha-de-velho (Tagelus plebeius) – Molusco bivalve de concha alongada que vive enterrado em sedimentos de manguezais e estuários. Alimenta-se filtrando partículas presentes na água e pode ser encontrado em bancos de lama ou areia sujeitos à influência das marés.

 

Savacu-de-coroa, ave típica dos manguezais do Brasil

Savacu-de-coroa: ave típica dos manguezais do Brasil

 

 

A FLORA DO MANGUEZAL

 

A flora do manguezal é composta por espécies vegetais altamente adaptadas às condições adversas de salinidade, instabilidade do solo e variações no nível da maré. As principais representantes dessa vegetação são as árvores conhecidas como mangues, entre as quais se destacam o mangue-vermelho (Rhizophora mangle), o mangue-branco (Laguncularia racemosa) e o mangue-preto (Avicennia schaueriana). Essas plantas possuem adaptações específicas, como raízes aéreas e respiratórias, que lhes permitem fixação em solos lodosos e pobremente oxigenados, além de mecanismos fisiológicos para a excreção ou armazenamento de sal. A vegetação do manguezal exerce papel fundamental na proteção do litoral contra a erosão, na estabilização dos sedimentos e na manutenção de ecossistemas marinhos e estuarinos, funcionando como berçário natural para diversas espécies aquáticas.

 

 

Exemplos de espécies vegetais da flora do Manguezal:

 

Mangue-vermelho (Rhizophora mangle) – Uma das plantas mais características dos manguezais brasileiros. Possui raízes-escora que partem do tronco e dos galhos, ajudando a sustentar a árvore em solos lodosos e sujeitos às marés. Seus propágulos podem começar a se desenvolver ainda presos à planta-mãe e depois serem transportados pela água.

 

Mangue-branco (Laguncularia racemosa) – Árvore ou arbusto comum nos manguezais, geralmente encontrada em terrenos um pouco menos inundados do que aqueles ocupados pelo mangue-vermelho. Apresenta adaptações que permitem tolerar solos salinos e pobres em oxigênio. Suas folhas possuem estruturas relacionadas à eliminação do excesso de sal.

 

Mangue-preto ou canoé (Avicennia schaueriana) – Espécie típica dos manguezais brasileiros, capaz de suportar elevada salinidade. Desenvolve pneumatóforos, raízes que crescem verticalmente para fora do solo e facilitam as trocas gasosas em terrenos encharcados e com pouco oxigênio. Suas folhas também auxiliam na eliminação do excesso de sal.

 

Mangue-de-botão (Conocarpus erectus) – Arbusto ou pequena árvore encontrada principalmente nas partes mais elevadas e menos inundadas dos ambientes associados aos manguezais. Recebe esse nome por apresentar frutos agrupados em estruturas arredondadas semelhantes a pequenos botões. Tolera solos salinos e condições costeiras.

 

Guapira opposita (Guapira opposita) – Árvore ou arbusto nativo da Mata Atlântica, muito comum em restingas, matas costeiras e áreas próximas aos manguezais. Produz pequenos frutos que servem de alimento para aves, favorecendo a dispersão de suas sementes. Não é considerada uma das espécies arbóreas típicas do manguezal, mas pode ocorrer em sua zona de transição.

 

Capim-marinho (Spartina alterniflora) – Gramínea encontrada em áreas costeiras sujeitas à influência das marés, especialmente em bancos de lama e zonas de transição dos manguezais. Forma agrupamentos densos e suporta solos salinos. Suas raízes ajudam a fixar sedimentos, contribuindo para a estabilização das margens.

 

Pau-de-mangue (Rhizophora racemosa) – Espécie de Rhizophora associada a manguezais tropicais e reconhecida por sua capacidade de viver em áreas alagadas e salobras. Assim como outros representantes do gênero, desenvolve raízes de sustentação bastante evidentes. Sua ocorrência é mais característica de determinadas áreas tropicais e não é tão ampla nos manguezais brasileiros quanto a do mangue-vermelho.

 

Heritiera littoralis – Árvore costeira adaptada a ambientes tropicais salinos e sujeitos à influência das marés. Apresenta frutos capazes de flutuar e ser transportados pela água, favorecendo sua dispersão. É característica de manguezais do Indo-Pacífico e não integra a flora típica dos manguezais naturais do Brasil.

 

Hibisco-do-mangue – Nome popular utilizado para plantas do grupo dos hibiscos que podem ocorrer em regiões costeiras, terrenos úmidos e áreas próximas aos manguezais. Apresentam flores grandes e vistosas e toleram ambientes úmidos. Dependendo da espécie considerada, sua presença está mais relacionada às margens e às zonas de transição do que ao interior do manguezal propriamente dito.

 

Abaneiro (Clusia fluminensis) – Arbusto ou pequena árvore nativa do Brasil, encontrada principalmente em restingas e outras formações da Mata Atlântica próximas ao litoral. Possui folhas espessas e resistentes, adaptadas às condições de forte insolação e solos costeiros. Embora possa ocorrer nas proximidades de manguezais, é mais característica da vegetação de restinga do que do manguezal propriamente dito.

 

* Observação: os manguezais brasileiros possuem relativamente poucas espécies arbóreas verdadeiramente características. Entre as principais estão o mangue-vermelho, o mangue-branco e espécies de mangue-preto. Algumas plantas da lista acima pertencem, sobretudo, à restinga, às bordas do manguezal ou a manguezais de outras regiões do mundo. 

 

Foto da planta mangue-vermelho

Mangue-vermelho (Rhizophora mangle): espécie vegetal típica da flora do manguezal.

 

 



Revisado por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 21/08/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 


Fontes de referência do texto:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manguezal

 

FORNARI, Ernani. Dicionário Prático de Ecologia. São Paulo: Aquariana, 2001. 

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

 

Animais do Manguezal - Canal IFEEC

 

 


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