Equinodermos


 

O que são os equinodermos?


Os equinodermos são animais invertebrados exclusivamente marinhos pertencentes ao filo Echinodermata. O nome desse grupo deriva do grego e significa “pele espinhosa”, uma referência direta à presença de espinhos ou projeções rígidas presentes na superfície do corpo de muitas espécies. Esses animais surgiram há cerca de 500 milhões de anos, durante o período Cambriano (aproximadamente entre 541 e 485 milhões de anos atrás), e apresentam grande diversidade nos oceanos atuais.

Esses organismos possuem características anatômicas e fisiológicas bastante particulares, o que os torna um grupo muito importante para os estudos de zoologia no Ensino Médio. Entre suas principais características estão a simetria radial nos indivíduos adultos, a presença de um esqueleto interno calcário e um sistema hidrovascular exclusivo, responsável por diversas funções vitais.


Habitat e distribuição

Os equinodermos vivem exclusivamente em ambientes marinhos. Eles podem ser encontrados desde regiões costeiras rasas até grandes profundidades oceânicas. Muitas espécies habitam o fundo do mar, vivendo sobre o substrato arenoso, rochoso ou lodoso.

Esses animais apresentam grande diversidade nos oceanos tropicais, mas também são encontrados em águas temperadas e frias. A distribuição global dos equinodermos demonstra sua grande capacidade de adaptação a diferentes condições ambientais marinhas.

Apesar dessa ampla distribuição, eles são extremamente sensíveis a alterações ambientais, como poluição e mudanças na qualidade da água. Por esse motivo, muitas espécies são consideradas importantes indicadores da saúde dos ecossistemas marinhos.


Características gerais dos equinodermos


Os equinodermos apresentam uma série de características biológicas que os diferenciam de outros grupos de invertebrados. Entre as mais importantes estão:


Simetria corporal: os equinodermos adultos possuem simetria radial, geralmente do tipo pentarradial, ou seja, organizada em cinco partes ao redor de um eixo central. Entretanto, durante a fase larval apresentam simetria bilateral.

Endoesqueleto calcário: o corpo desses animais possui um esqueleto interno formado por placas calcárias, chamadas ossículos. Essas estruturas conferem sustentação e proteção ao organismo.

Sistema hidrovascular: também chamado de sistema ambulacrário, é uma rede de canais preenchidos por água do mar que se estendem pelo corpo do animal. Esse sistema participa da locomoção, alimentação e trocas gasosas.

Pés ambulacrários: são pequenas estruturas tubulares conectadas ao sistema hidrovascular. Funcionam como órgãos de locomoção, fixação ao substrato e captura de alimento.

Sistema nervoso simples: os equinodermos possuem um sistema nervoso pouco centralizado, formado por um anel nervoso ao redor da boca e nervos radiais que se estendem pelo corpo.

Ausência de cabeça: esses animais não apresentam uma região cefálica definida, característica associada à simetria radial.

Sistema digestório: na maioria das espécies o sistema digestório é completo, com boca e ânus.



Classificação dos equinodermos



O filo Echinodermata é dividido em cinco classes principais, cada uma com características próprias.


Asteroidea (estrelas-do-mar)

As estrelas-do-mar são um dos representantes mais conhecidos dos equinodermos. Seu corpo possui forma estrelada e geralmente apresenta cinco braços que se estendem a partir de um disco central.

Esses animais são predadores e alimentam-se principalmente de moluscos, como mexilhões e ostras. Um comportamento marcante é a capacidade de everter o estômago para fora do corpo, liberando enzimas digestivas sobre a presa.

As estrelas-do-mar também apresentam grande capacidade de regeneração. Em algumas espécies, um único braço pode regenerar o corpo inteiro se parte do disco central estiver presente.


Ophiuroidea (ofiúros)

Os ofiúros, também chamados de serpentes-do-mar ou estrelas-serpente, possuem um corpo formado por um disco central bem definido e braços longos e finos.

Diferentemente das estrelas-do-mar, seus braços são bastante flexíveis e utilizados principalmente para locomoção. Esses animais se movem rapidamente pelo fundo do mar, utilizando movimentos semelhantes aos de serpentes.

Grande parte das espécies alimenta-se de partículas orgânicas presentes no sedimento ou de pequenos organismos marinhos.


Echinoidea (ouriços-do-mar e bolachas-da-praia)

Os equinoides incluem os ouriços-do-mar e as bolachas-da-praia. Nesses animais o corpo apresenta formato arredondado ou achatado e não possui braços.

Os ouriços-do-mar possuem espinhos móveis que atuam na proteção e na locomoção. Eles também apresentam uma estrutura bucal complexa chamada lanterna de Aristóteles, formada por placas calcárias que funcionam como dentes.

Essa estrutura permite que os ouriços raspem algas e outros alimentos das superfícies rochosas.


Holothuroidea (pepinos-do-mar)

Os pepinos-do-mar possuem corpo alongado e macio, lembrando um cilindro. Diferentemente de outros equinodermos, o esqueleto calcário é pouco desenvolvido.

Esses animais vivem geralmente sobre o fundo marinho e alimentam-se de matéria orgânica presente no sedimento. Eles ingerem grandes quantidades de areia ou lama e retiram os nutrientes presentes nesses materiais.

Uma característica curiosa dos pepinos-do-mar é a capacidade de expulsar parte de seus órgãos internos como mecanismo de defesa, regenerando posteriormente essas estruturas.


Crinoidea (lírios-do-mar e comatulídeos)

Os crinoides são considerados o grupo mais antigo de equinodermos. Eles surgiram no período Ordoviciano, cerca de 485 a 444 milhões de anos atrás.

Esses animais possuem vários braços ramificados que se estendem a partir de um corpo central. Muitas espécies vivem fixas ao substrato por meio de um pedúnculo, enquanto outras podem se mover livremente.

Sua alimentação ocorre por filtração: partículas suspensas na água são capturadas pelos braços e conduzidas até a boca.



Sistema hidrovascular


O sistema hidrovascular é uma das estruturas mais características dos equinodermos. Ele é formado por um conjunto de canais internos preenchidos por água do mar.

Esse sistema começa em uma estrutura chamada placa madrepórica, localizada na superfície do corpo. A partir dela, a água entra no sistema e percorre canais que se ramificam por todo o organismo.

Os pés ambulacrários estão conectados a esses canais e funcionam por meio de pressão hidráulica. Quando o animal bombeia água para essas estruturas, elas se expandem e aderem ao substrato.

Esse mecanismo permite que os equinodermos se locomovam, capturem alimento e realizem trocas gasosas.



Reprodução


A maioria dos equinodermos apresenta reprodução sexuada com sexos separados. Os gametas são liberados diretamente na água do mar, onde ocorre a fecundação externa.

Após a fecundação, forma-se uma larva microscópica que nada livremente na água. Essa larva apresenta simetria bilateral, diferente da simetria radial do adulto.

Durante o desenvolvimento ocorre um processo de metamorfose que transforma a larva no indivíduo adulto característico do grupo.

Algumas espécies também podem apresentar reprodução assexuada por fragmentação, principalmente entre as estrelas-do-mar.



Capacidade de regeneração


Uma das características mais notáveis dos equinodermos é a capacidade de regeneração. Muitas espécies conseguem reconstruir partes do corpo que foram perdidas por predadores ou acidentes.

Nas estrelas-do-mar, por exemplo, braços perdidos podem ser regenerados ao longo do tempo. Em determinadas espécies, um fragmento do corpo pode regenerar um novo indivíduo completo.

Esse fenômeno desperta grande interesse científico, pois contribui para pesquisas sobre regeneração celular e medicina regenerativa.



Importância ecológica


Os equinodermos desempenham papéis importantes nos ecossistemas marinhos. Muitos atuam como predadores ou consumidores de detritos, contribuindo para o equilíbrio das cadeias alimentares.

Os ouriços-do-mar, por exemplo, controlam o crescimento de algas em ambientes rochosos. Quando suas populações aumentam ou diminuem drasticamente, podem ocorrer alterações significativas na estrutura do ecossistema.

Os pepinos-do-mar também exercem papel ecológico relevante ao reciclar matéria orgânica presente no sedimento marinho.



Importância científica e econômica

Além da importância ecológica, os equinodermos possuem relevância científica. Eles são frequentemente utilizados em pesquisas sobre desenvolvimento embrionário, genética e regeneração.

Algumas espécies também possuem importância econômica. Em diversos países da Ásia, como Japão e China, os pepinos-do-mar são consumidos como alimento e considerados um produto de alto valor comercial.

Os ouriços-do-mar também são utilizados na culinária de alguns países, especialmente no preparo de pratos tradicionais da gastronomia japonesa.

 

Foto de um pepino-do-mar

Pepino-do-mar: exemplo de equinodermo holoturoide

 

 

Ouriço-do-mar, exemplo de equinodermo
Ouriço-do-mar, exemplo de equinodermo equinoide.

 

 


 

Equinodermos (origem no período Cambriano, cerca de 541 a 485 milhões de anos atrás)


• Filo Echinodermata: grupo de animais invertebrados exclusivamente marinhos caracterizados pela presença de pele espinhosa e esqueleto interno calcário.


Características gerais

Simetria corporal

• Simetria pentarradial nos adultos: corpo organizado em cinco partes ao redor de um eixo central.
• Simetria bilateral nas larvas: fase inicial do desenvolvimento apresenta organização bilateral.

Endoesqueleto calcário

• Placas calcárias internas: estruturas chamadas ossículos que sustentam e protegem o corpo.
• Presença de espinhos: projeções externas que ajudam na defesa.

Sistema hidrovascular

• Sistema ambulacrário: rede de canais preenchidos por água do mar.
• Pés ambulacrários: estruturas usadas para locomoção, alimentação e trocas gasosas.

Sistema nervoso

• Estrutura simples: formado por um anel nervoso ao redor da boca e nervos radiais.
• Ausência de cérebro e cabeça: característica associada à simetria radial.


Habitat e distribuição

Ambiente marinho

• Exclusividade marinha: todos os equinodermos vivem em oceanos e mares.
• Presença em diversas profundidades: encontrados desde regiões costeiras rasas até áreas profundas.

Sensibilidade ambiental

• Indicadores ecológicos: alterações em suas populações podem indicar mudanças na qualidade ambiental marinha.


Classificação dos equinodermos:


1. Asteroidea (estrelas-do-mar)

• Corpo estrelado: geralmente com cinco braços ligados a um disco central.
• Alimentação predatória: consomem moluscos e outros invertebrados.
• Capacidade de regeneração: podem regenerar braços perdidos.

2. Ophiuroidea (ofiúros)

• Disco central bem definido: braços longos e flexíveis.
• Locomoção rápida: braços utilizados para movimentos semelhantes aos de serpentes.
• Alimentação variada: detritos orgânicos e pequenos organismos.

3. Echinoidea (ouriços-do-mar e bolachas-da-praia)

• Corpo arredondado ou achatado: ausência de braços.
• Presença de espinhos móveis: utilizados para defesa e locomoção.
• Lanterna de Aristóteles: estrutura bucal usada para raspar algas.

4. Holothuroidea (pepinos-do-mar)

• Corpo alongado: formato cilíndrico e esqueleto pouco desenvolvido.
• Alimentação por detritos: ingerem sedimentos ricos em matéria orgânica.
• Defesa peculiar: expulsão de órgãos internos que posteriormente se regeneram.

5. Crinoidea (lírios-do-mar e comatulídeos)

• Braços ramificados: utilizados para capturar partículas alimentares.
• Alimentação por filtração: capturam partículas suspensas na água.
• Origem antiga: surgiram no período Ordoviciano (485 a 444 milhões de anos atrás).


Sistema hidrovascular

Funcionamento:

• Entrada de água pela placa madrepórica: estrutura localizada na superfície do corpo.
• Circulação pelos canais internos: a água percorre uma rede de canais.

Funções:

• Locomoção: movimentação por meio dos pés ambulacrários.
• Captura de alimento: ajuda na manipulação e transporte do alimento.
• Trocas gasosas: participação no processo respiratório.


Reprodução

• Reprodução sexuada
• Sexos separados na maioria das espécies.
• Fecundação externa: gametas liberados na água do mar.

Desenvolvimento:

• Fase larval bilateral: larvas microscópicas nadam livremente.
• Metamorfose: transformação gradual até o organismo adulto radial.

Regeneração:

• Capacidade regenerativa
• Reconstrução de partes do corpo: regeneração de braços ou estruturas perdidas.
• Possibilidade de formação de novos indivíduos: em algumas espécies a partir de fragmentos corporais.


Importância ecológica

• Equilíbrio dos ecossistemas marinhos
• Controle de algas: realizado principalmente pelos ouriços-do-mar.
• Reciclagem de matéria orgânica: realizada por pepinos-do-mar.


Importância científica e econômica

• Uso em pesquisas científicas
• Estudos de desenvolvimento embrionário: importantes para a biologia do desenvolvimento.
• Pesquisas sobre regeneração celular: contribuições para a medicina regenerativa.

Uso econômico:
• Consumo alimentar: pepinos-do-mar e ouriços-do-mar são consumidos em alguns países, especialmente no leste da Ásia.

 

 



Revisado por Tânia Cabral - Professora de Biologia - Unesp, 2001
Atualizado em 10/03/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:

 

RIOS, Eloci Peres e THOMPSON, Miguel. Conexões com a Biologia. São Paulo: Editora Moderna, 2016.

MENDONÇA, Vivian L. Biologia. São Paulo: Editora AJS, 2016.

 

Vídeo indicado no YouTube:


EQUINODERMOS - REINO ANIMALIA - ZOOLOGIA | Biologia com Samuel Cunha - Biologia com Samuel Cunha


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