Quem foi
Tarsila do Amaral foi uma das mais importantes pintoras brasileiras do movimento modernista. Nasceu na cidade de Capivari (interior de São Paulo), em 1 de setembro de 1886.
Biografia
Tarsila do Amaral nasceu em 1º de setembro de 1886, na cidade de Capivari, em uma família de grandes proprietários rurais ligados à elite cafeeira paulista. Seu nome completo era Tarsila do Amaral. Passou a infância nas fazendas da família no interior do estado de São Paulo, especialmente em propriedades localizadas na região de Capivari. A educação inicial ocorreu em casa, com professores particulares, prática comum entre famílias abastadas do período.
Durante a adolescência, foi enviada para estudar na Europa, algo frequente entre jovens da elite brasileira no final do século XIX e início do século XX. Estudou em colégios na Espanha e posteriormente retornou ao Brasil. Em 1906, aos vinte anos, casou-se com André Teixeira Pinto, com quem teve sua única filha, Dulce do Amaral Pinto. O casamento terminou alguns anos depois, em meio a mudanças pessoais e ao desejo de Tarsila de seguir novos caminhos em sua vida.
No início da década de 1910, Tarsila passou a dedicar-se com maior seriedade à formação artística. Em 1916 iniciou estudos de pintura em São Paulo, tendo aulas com artistas e professores de arte que atuavam na cidade. Esse período marcou o início de sua carreira artística formal. Em 1920 decidiu retornar à Europa para aprofundar seus estudos e instalou-se em Paris, que naquele momento era um dos principais centros culturais e artísticos do mundo.
Em Paris, frequentou academias de arte e conviveu com artistas e intelectuais de diferentes nacionalidades. Essa experiência contribuiu para ampliar sua formação cultural e artística. Durante essa fase, manteve contato constante com o ambiente artístico europeu e participou da vida cultural parisiense, convivendo com artistas, escritores e críticos.
Em 1922, Tarsila retornou ao Brasil e aproximou-se de um grupo de escritores e intelectuais que se tornariam figuras importantes da cultura brasileira. Entre eles estavam Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Juntos formaram um círculo de amizade e colaboração intelectual que se tornaria conhecido posteriormente como Grupo dos Cinco. Esse grupo participou intensamente dos debates culturais que marcaram a década de 1920 no Brasil.
A relação entre Tarsila e Oswald de Andrade tornou-se também pessoal. Em 1926, os dois se casaram e passaram a viajar com frequência pela Europa. Durante essas viagens, visitaram diversos países e tiveram contato com artistas, escritores e intelectuais de destaque do cenário cultural internacional. O casamento, no entanto, terminou em 1930.
No início da década de 1930, Tarsila viveu um período de mudanças em sua vida pessoal. Em 1931 realizou uma viagem à União Soviética, acompanhada do médico e militante político Osório César, com quem manteve relacionamento por alguns anos. Durante essa viagem, visitou cidades importantes e teve contato com o contexto político e social soviético.
Ao retornar ao Brasil, em 1932, Tarsila foi presa por cerca de um mês durante o governo de Getúlio Vargas, sob acusação de envolvimento com ideias consideradas subversivas na época. Após ser libertada, continuou sua vida no país, mantendo atividades ligadas ao meio cultural.
Nas décadas seguintes, Tarsila enfrentou também dificuldades financeiras decorrentes da crise do café e da perda de parte da fortuna familiar. Mesmo assim, permaneceu ativa no ambiente artístico e cultural brasileiro. Ao longo das décadas de 1940 e 1950, participou de exposições e eventos relacionados às artes.
A partir da segunda metade do século XX, sua importância para a cultura brasileira passou a ser cada vez mais reconhecida. Exposições retrospectivas e estudos acadêmicos contribuíram para consolidar seu nome na história da arte do Brasil.
Tarsila do Amaral faleceu em 17 de janeiro de 1973, na cidade de São Paulo, aos 86 anos de idade. Após sua morte, sua trajetória passou a ser amplamente estudada por historiadores, críticos de arte e pesquisadores, sendo considerada uma das figuras mais relevantes da cultura brasileira do século XX.
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| Caipirinha (1923): pintura do início da fase cubista de Tarsila do Amaral. |
Principais características de suas obras e seu estilo artístico:
• Uso de cores vivas, vibrantes e contrastantes: as pinturas apresentam paletas intensas e luminosas, com combinações cromáticas marcantes que destacam elementos da composição e criam forte impacto visual, contribuindo para transmitir energia e vitalidade às cenas representadas.
• Influência do Cubismo (uso de formas geométricas): muitas obras apresentam simplificação das formas naturais em estruturas geométricas, com volumes arredondados ou angulares e organização espacial baseada em planos, resultado do contato da artista com correntes artísticas europeias durante seus estudos em Paris na década de 1920.
• Abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil (paisagens, animais, plantas). Também retratou pessoas típicas do Brasil: suas pinturas frequentemente representam elementos da realidade brasileira, como trabalhadores, cidades, vegetação tropical, animais e cenários rurais ou urbanos, buscando valorizar aspectos culturais e sociais do país.
• Estética fora do padrão (influência do surrealismo na fase antropofágica): em determinadas obras, as figuras apresentam proporções incomuns e composições que se afastam do realismo tradicional, criando imagens imaginativas e simbólicas que dialogam com ideias ligadas ao imaginário e à liberdade criativa.
• Busca da identidade brasileira nas artes: a artista procurou representar aspectos culturais, paisagens e personagens do Brasil, contribuindo para a construção de uma linguagem artística que valorizasse referências nacionais em um período de intensos debates culturais nas décadas de 1920 e 1930.
• Alguns dos trabalhos de Tarsila também mostram influências surrealistas, especialmente em sua interpretação de sonhos e na representação de objetos e figuras distorcidas: certas pinturas apresentam cenários fantásticos, figuras com proporções alteradas e combinações inusitadas de elementos, produzindo imagens que evocam atmosferas oníricas e imaginativas.
• Grande parte de suas obras foram feitas com a técnica artística do óleo sobre tela: a utilização dessa técnica permitiu à artista trabalhar com camadas de tinta, cores intensas e acabamento detalhado, possibilitando maior controle na construção das formas e das composições pictóricas.
• Simplificação das formas: muitos elementos das pinturas são representados de maneira simplificada, com redução de detalhes e valorização de formas amplas e bem definidas, criando composições de leitura visual clara.
• Contornos bem definidos nas figuras: objetos, paisagens e personagens costumam aparecer delimitados por linhas nítidas, o que contribui para destacar os elementos da composição e organizar visualmente a cena representada.
• Presença frequente da paisagem brasileira: cenários com morros, plantações, cidades, vegetação tropical e ambientes rurais aparecem de forma recorrente, reforçando a representação do espaço geográfico do Brasil.
• Figuras humanas com proporções alteradas: em várias obras, personagens aparecem com pés, mãos ou cabeças em proporções exageradas, criando imagens expressivas e marcantes.
• Composições organizadas em planos simples: muitas pinturas apresentam distribuição equilibrada dos elementos no espaço da tela, com separação clara entre primeiro plano, plano intermediário e fundo.
• Integração entre natureza e presença humana: diversas obras mostram a convivência entre paisagens naturais e atividades humanas, como trabalho, vida urbana ou vida rural.
• Valorização de elementos da cultura brasileira: em algumas pinturas aparecem referências a costumes, personagens e cenários associados à sociedade brasileira do início do século XX.
• Uso de volumes arredondados nas formas: árvores, montanhas, construções e figuras humanas frequentemente apresentam contornos curvos e volumes suaves, contribuindo para a identidade visual das composições.
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Abaporu (1928): obra mais popular de Tarsila do Amaral. Esse obra foi reproduzida em tamanho reduzido para ilustrar o conteúdo didático do artigo. |
Principais obras de Tarsila do Amaral
- Autorretrato (1924)
- Retrato de Oswald de Andrade (1923)
- Estudo (Nu) (1923)
- Natureza-morta com relógios (1923)
- O Modelo (1923)
- Caipirinha (1923)
- Rio de Janeiro (1923)
- A Feira I (1924)
- São Paulo – Gazo (1924)
- Morro da Favela (1924)
- Carnaval em Madureira (1924)
- Antropofagia (1929)
- A Cuca (1924)
- Pátio com Coração de Jesus (1921)
- Chapéu Azul (1922)
- Autorretrato (1924)
- O Pescador (1925)
- Romance (1925)
- Palmeiras (1925)
- Manteau Rouge (1923)
- A Negra (1923)
- São Paulo (1924)
- Morro da Favela (1924)
- A Família (1925)
- Vendedor de Frutas (1925)
- Paisagem com Touro (1925)
- O Mamoeiro (1925)
- Religião Brasileira (1927)
- Manacá (1927)
- O Lago (1928)
- Coração de Jesus (1926)
- O Ovo ou Urutu (1928)
- A Boneca (1928)
- A Lua (1928)
- Abaporu (1928)
- Cartão Postal (1928)
- Operários (1933)
- Maternidade (1938)
- Trabalhadores (1938)
- O casamento (1940)
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| Cuca (1924): uma das pinturas mais populares de Tarsila do Amaral. |
Outras informações sobre a artista:
• Página oficial de Tarsila do Amaral
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| Chapéu Azul (1922): pintura do início da carreira de Tarsila do Amaral. |
Veja também:
• Semana de Arte Moderna de 1922
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 15/03/2026
Fonte de referência do artigo:
- Gotlib, Nádia Batella. Tarsila do Amaral: a Modernista. São Paulo: Editora SENAC, 2000.
Vídeo indicado no YouTube:
- Quem foi Tarsila do Amaral? | Quer Que Desenhe - Canal Descomplica