Éris


 

O que é Éris?



Éris é um planeta anão localizado nas regiões externas do Sistema Solar, além da órbita de Netuno. Ele pertence ao grupo dos objetos transnetunianos, isto é, corpos celestes que orbitam o Sol em uma região mais distante do que Netuno. Sua descoberta teve grande importância para a Astronomia moderna, pois ajudou a redefinir a classificação dos corpos do Sistema Solar e contribuiu diretamente para a mudança do status de Plutão, que em 2006 deixou de ser classificado como planeta e passou a ser considerado planeta anão.

Éris recebeu esse nome em referência à deusa grega da discórdia, uma escolha simbólica, pois sua descoberta provocou intenso debate científico sobre o que deveria ou não ser considerado planeta. Por algum tempo, acreditou-se que Éris pudesse ser maior que Plutão, o que levantou a possibilidade de ele ser classificado como o décimo planeta do Sistema Solar. No entanto, estudos posteriores indicaram que Éris tem tamanho muito semelhante ao de Plutão, embora seja um pouco mais massivo.



Descoberta de Éris



Éris foi descoberto em 2005 por uma equipe de astrônomos liderada por Michael E. Brown, Chad Trujillo e David Rabinowitz. A descoberta foi anunciada oficialmente em 29 de julho de 2005, a partir de observações feitas no Observatório Palomar, nos Estados Unidos. Antes de receber seu nome definitivo, o objeto foi identificado provisoriamente como 2003 UB313.

A descoberta de Éris foi decisiva porque mostrou que Plutão não era um caso isolado nas regiões externas do Sistema Solar. Outros corpos de tamanho considerável também existiam além de Netuno, especialmente no Cinturão de Kuiper e em regiões ainda mais distantes. Isso levou os astrônomos a discutir com mais rigor os critérios usados para definir o que é um planeta.

Em 2006, a União Astronômica Internacional estabeleceu uma nova definição de planeta. Segundo essa classificação, um planeta deve orbitar o Sol, ter forma aproximadamente esférica e ter “limpado” sua órbita, ou seja, ser gravitacionalmente dominante em sua região orbital. Éris cumpre os dois primeiros critérios, mas não o terceiro. Por isso, foi classificado como planeta anão.



Localização no Sistema Solar



Éris está situado em uma região muito distante do Sol, além da órbita de Netuno. Ele é considerado um objeto do disco disperso, uma região formada por corpos gelados que possuem órbitas bastante alongadas e inclinadas em relação ao plano principal do Sistema Solar. Essa região está associada ao Cinturão de Kuiper, mas seus objetos costumam ter órbitas mais excêntricas.

A distância de Éris em relação ao Sol varia muito ao longo de sua órbita. Isso ocorre porque sua trajetória é bastante elíptica. Em alguns momentos, ele se aproxima relativamente mais do Sol; em outros, afasta-se para regiões extremamente distantes. Mesmo em seus pontos mais próximos, porém, Éris permanece muito mais distante do Sol do que a Terra.

Essa grande distância faz com que Éris receba pouquíssima luz solar. A luz do Sol chega a ele de forma muito fraca, tornando sua superfície extremamente fria. Por isso, Éris é um mundo gelado, escuro e distante, representando um dos ambientes mais extremos conhecidos no Sistema Solar.



Características físicas



Éris possui diâmetro estimado em cerca de 2.326 quilômetros, valor muito próximo ao de Plutão. Embora seja ligeiramente menor ou semelhante em tamanho, Éris é mais massivo. Isso significa que ele possui maior quantidade de matéria concentrada em seu interior. Essa característica indica que sua composição pode incluir uma proporção significativa de rochas misturadas a gelo.

Sua superfície é extremamente fria, com temperaturas que podem chegar a aproximadamente -230 °C ou menos. Nessas condições, substâncias como metano podem permanecer congeladas na superfície. A presença de metano congelado é uma das características mais importantes de Éris, pois ajuda a explicar seu alto brilho.

Éris apresenta uma superfície bastante refletiva, ou seja, possui alto albedo. Isso significa que ele reflete boa parte da luz solar que recebe, mesmo estando muito distante do Sol. Essa alta refletividade pode estar relacionada à presença de gelo fresco de metano, que cobre sua superfície e contribui para sua aparência brilhante quando observado por telescópios.



Órbita e movimento



A órbita de Éris ao redor do Sol é muito longa. Ele leva aproximadamente 557 anos terrestres para completar uma volta em torno do Sol. Isso significa que, desde sua descoberta em 2005, Éris percorreu apenas uma pequena parte de sua trajetória orbital. Sua órbita é muito mais extensa que a de Netuno e Plutão.

Outra característica importante é sua órbita bastante inclinada. Enquanto os planetas principais do Sistema Solar orbitam o Sol em trajetórias relativamente próximas do mesmo plano, Éris segue uma órbita muito inclinada. Isso reforça sua classificação como objeto do disco disperso, uma região marcada por trajetórias mais irregulares.

A órbita alongada de Éris indica que ele provavelmente sofreu interações gravitacionais no passado, principalmente com Netuno. Essas interações podem ter alterado sua trajetória original, lançando-o para uma órbita mais distante, inclinada e excêntrica. Esse processo é importante para entender a formação e a evolução das regiões externas do Sistema Solar.



Composição e superfície



A composição de Éris provavelmente é formada por uma mistura de rochas e gelo. Sua massa relativamente alta sugere que seu interior não é composto apenas por gelo leve, mas também por materiais rochosos mais densos. Essa combinação é comum em muitos corpos transnetunianos, que se formaram nas regiões frias e externas do Sistema Solar.

A superfície de Éris é rica em gelo de metano. Em razão da grande distância em relação ao Sol, esse metano permanece congelado durante a maior parte do tempo. Quando Éris se aproxima mais do Sol ao longo de sua órbita, pode ocorrer alguma sublimação, processo no qual o gelo passa diretamente para o estado gasoso. Quando o planeta anão volta a se afastar, esse material pode congelar novamente na superfície.

Esse ciclo pode ajudar a renovar parte da superfície de Éris, mantendo-a clara e refletiva. Por isso, mesmo sendo um corpo extremamente distante, ele pode ser detectado por telescópios devido ao brilho causado pela reflexão da luz solar.



Atmosfera



É possível que Éris possua uma atmosfera muito fina em determinados momentos de sua órbita. Quando está mais próximo do Sol, parte do metano congelado de sua superfície pode sublimar, formando uma tênue camada gasosa ao redor do planeta anão. No entanto, quando Éris se afasta novamente do Sol, essa atmosfera provavelmente congela e volta a se depositar sobre a superfície.

Essa possível atmosfera seria muito diferente da atmosfera terrestre. Ela seria extremamente rarefeita, temporária e composta principalmente por gases liberados do gelo superficial. Como Éris está muito distante, estudar diretamente sua atmosfera é difícil, e boa parte das informações depende de observações indiretas.

Esse comportamento é semelhante ao observado em Plutão, que também possui uma atmosfera fina influenciada pela distância em relação ao Sol. No caso de Éris, porém, as condições são ainda mais extremas, pois ele pode atingir distâncias muito maiores.



Disnomia, a lua de Éris



Éris possui uma lua conhecida chamada Disnomia. Ela foi descoberta em 2005, pouco depois da identificação de Éris. O nome Disnomia também vem da mitologia grega e está associado à ideia de desordem, mantendo a relação simbólica com Éris, a deusa da discórdia.

A presença de Disnomia foi essencial para calcular a massa de Éris. Isso ocorre porque, ao observar o movimento orbital de uma lua ao redor de um corpo celeste, os astrônomos conseguem estimar a força gravitacional do objeto principal. A partir desse cálculo, foi possível concluir que Éris é mais massivo que Plutão.

Disnomia também contribui para o estudo da origem de Éris. Uma possibilidade é que essa lua tenha se formado após uma colisão entre Éris e outro corpo celeste no passado, de maneira semelhante à hipótese mais aceita para a formação da Lua da Terra. No entanto, ainda são necessários mais dados para compreender melhor esse sistema.



A importância de Éris para a Astronomia



A principal importância de Éris está relacionada à redefinição do conceito de planeta. Antes de sua descoberta, Plutão era considerado o nono planeta do Sistema Solar. Quando Éris foi identificado, surgiu uma questão científica: se Plutão era planeta, Éris também deveria ser? Essa dúvida levou a União Astronômica Internacional a estabelecer critérios mais claros em 2006.

A nova classificação criou a categoria dos planetas anões. Nessa categoria estão corpos como Plutão, Éris, Haumea, Makemake e Ceres. Essa mudança mostrou que o Sistema Solar é mais complexo do que se pensava anteriormente, especialmente em suas regiões externas.

Éris também é importante porque ajuda os cientistas a compreenderem a formação do Sistema Solar. Por estar localizado em uma região distante e fria, ele preserva materiais antigos, provavelmente pouco modificados desde os primeiros períodos da formação planetária, há cerca de 4,6 bilhões de anos. Assim, seu estudo pode oferecer pistas sobre os blocos primordiais que deram origem aos planetas e a outros corpos celestes.



Diferenças entre Éris e Plutão



Éris e Plutão possuem algumas semelhanças importantes. Ambos são planetas anões, estão localizados além da órbita de Netuno, possuem composição rica em gelo e rocha e apresentam luas conhecidas. No entanto, também existem diferenças relevantes entre eles.

Plutão está geralmente mais próximo do Sol do que Éris e possui uma atmosfera mais bem estudada. Também foi visitado pela sonda New Horizons em 2015, o que permitiu a obtenção de imagens detalhadas de sua superfície. Éris, por outro lado, nunca foi visitado por uma sonda espacial, e as informações sobre ele dependem principalmente de observações feitas da Terra e de telescópios espaciais.

Outra diferença é que Éris possui órbita mais inclinada e mais alongada. Isso faz com que sua distância em relação ao Sol varie de forma muito intensa. Sua trajetória o leva a regiões extremamente distantes, tornando-o um dos grandes corpos conhecidos mais afastados do Sistema Solar.



Condições ambientais



As condições ambientais de Éris são extremas. A temperatura é baixíssima, a luz solar é muito fraca e não há possibilidade conhecida de água líquida estável na superfície. A paisagem provável é formada por gelo, rochas e compostos congelados, em um ambiente quase totalmente silencioso e escuro.

Devido à baixa temperatura, muitos materiais que na Terra são gases tornam-se sólidos em Éris. O metano, por exemplo, pode permanecer congelado sobre a superfície. Essa característica mostra como as condições físicas mudam radicalmente conforme se aumenta a distância em relação ao Sol.

Éris não apresenta condições conhecidas para abrigar vida como a conhecemos. Sua baixa temperatura, a ausência de uma atmosfera densa e a falta de água líquida tornam esse ambiente extremamente hostil. Mesmo assim, seu estudo é valioso porque revela como a matéria se comporta nas regiões mais frias do Sistema Solar.



Éris e os objetos transnetunianos



Éris faz parte de uma ampla população de objetos transnetunianos. Esses corpos são importantes porque ajudam a compreender a estrutura externa do Sistema Solar. Muitos deles são pequenos, gelados e difíceis de observar, mas alguns, como Éris e Plutão, possuem tamanho suficiente para assumir forma arredondada.

Os objetos transnetunianos são considerados vestígios da formação do Sistema Solar. Como se encontram muito longe do Sol, sofreram menos alterações térmicas e geológicas do que os planetas internos. Por isso, funcionam como uma espécie de registro antigo da composição inicial do Sistema Solar.

O estudo de Éris permite ampliar o conhecimento sobre essas regiões distantes. Ele mostra que o Sistema Solar não termina em Netuno, mas continua por uma extensa área repleta de corpos gelados, luas, fragmentos e possíveis planetas anões ainda não totalmente conhecidos.


Foto de Éris, planeta Anão do Sistema Solar

Éris, planeta Anão do Sistema Solar

 

 

 


 

Revisado por Luiz Antônio Machado (graduado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP)

Atualizado em 21/05/2026

 





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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes:

 

https://science.nasa.gov/dwarf-planets/eris/

 

BRETONES, Paulo Sérgio. Os segredos do Sistema Solar. São Paulo: Atual, 2017.


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