O que foi
Land Art, também conhecido como “Arte Terra” e “Arte Ambiental”, foi um movimento artístico, que existiu nos anos 1960 e 1970, principalmente nos Estados Unidos e Grã-Bretanha. No Brasil, esse movimento não teve muita adesão e repercursão artística.
Um dos principais marcos desse movimento foi uma exposição artística, que ocorreu, em 1968, na Dwan Gallery (cidade de Nova York).
Principais características da Land Art:
• Uso do terreno (solo) como base para a criação da obra de arte.
• Utilização dos materiais naturais encontrados na natureza, para compor a obra de arte. Galhos, pedras, folhas, barro e até a vegetação viva, do local, foram usados nas obras.
• Ideal de contraposição artística ao mundo industrial e tecnológico.
• Arte com engajamento ambiental, refletindo o interesse e valorização da ecologia, que surgiram na Europa na década de 1960.
• Como essa arte é criada no próprio solo, as exposições ocorriam, na maioria das vezes, usando fotografias das obras de arte.
• Um dos principais objetivos dos artistas era levar a obra de arte para a natureza e também para espaços públicos.
• A arte é produzida buscando passar para o público uma experiência real do mundo físico natural.
Principais artistas da Land Art:
Robert Smithson
O artista norte-americano Robert Smithson (1938–1973) é um dos nomes centrais da Land Art. Sua obra mais conhecida, “Spiral Jetty”, foi construída em 1970 no Grande Lago Salgado, em Utah, nos Estados Unidos. A enorme espiral formada por pedras, terra e cristais de sal modifica-se conforme o nível da água e as condições ambientais, evidenciando a ação do tempo sobre a paisagem.
Michael Heizer
Michael Heizer (1944–2022) produziu intervenções monumentais em regiões desérticas dos Estados Unidos. Em “Double Negative”, realizada entre 1969 e 1970, o artista removeu grandes quantidades de rocha para criar duas enormes escavações separadas por um desfiladeiro. Seu trabalho questiona a ideia tradicional de escultura, pois a obra foi criada pela retirada, e não pelo acréscimo de materiais.
Walter De Maria
Walter De Maria (1935–2013) explorou as relações entre arte, espaço, natureza e fenômenos atmosféricos. Em “The Lightning Field”, concluída em 1977 no estado do Novo México, instalou quatrocentas hastes metálicas distribuídas geometricamente em uma área desértica. Durante tempestades, os raios e as mudanças de luminosidade transformam a percepção da obra.
Nancy Holt
Nancy Holt (1938–2014) destacou-se por criar estruturas que orientavam o olhar do observador para elementos naturais e astronômicos. Sua obra “Sun Tunnels”, construída entre 1973 e 1976 no deserto de Utah, é formada por grandes cilindros de concreto posicionados de acordo com o nascer e o pôr do sol nos solstícios. A artista relacionava paisagem, luz, tempo e movimento celeste.
Richard Long
O britânico Richard Long (1945–) desenvolveu uma forma de Land Art baseada em caminhadas e intervenções discretas na natureza. Durante seus percursos, organizava pedras, traçava linhas no solo ou registrava trajetos por meio de fotografias e mapas. Em obras como “A Line Made by Walking”, de 1967, o simples ato de caminhar tornou-se parte da criação artística.
Andy Goldsworthy
Andy Goldsworthy (1956–) produz esculturas temporárias com folhas, pedras, galhos, gelo, flores, lama e outros materiais naturais. Suas obras são construídas no próprio ambiente e frequentemente desaparecem devido à ação do vento, da chuva, das marés ou do derretimento. A fotografia registra essas intervenções antes que sejam transformadas pela natureza.
Christo e Jeanne-Claude
Christo (1935–2020) e Jeanne-Claude (1935–2009) realizaram grandes intervenções temporárias em paisagens urbanas e naturais. Em “Running Fence”, de 1976, instalaram uma extensa barreira de tecido branco pelas colinas da Califórnia. Suas obras modificavam provisoriamente a percepção do espaço e exigiam longos processos de planejamento, negociação e participação coletiva.
Dennis Oppenheim
Dennis Oppenheim (1938–2011) realizou intervenções em campos, áreas cobertas por neve e outros espaços abertos. Muitas de suas obras utilizaram cortes, marcas e desenhos feitos diretamente no terreno. O artista também recorria à fotografia e ao vídeo para documentar trabalhos que poderiam desaparecer rapidamente.
Ana Mendieta
A artista cubano-americana Ana Mendieta (1948–1985) aproximou a Land Art da performance e das questões relacionadas ao corpo, à identidade e ao pertencimento. Na série “Silueta”, iniciada em 1973, criou formas humanas no solo utilizando terra, areia, flores, pedras, fogo e sangue. Suas obras expressavam uma ligação simbólica entre o corpo feminino e a natureza.
Agnes Denes
Agnes Denes (1931–) incorporou questões ecológicas, sociais e políticas às intervenções na paisagem. Em “Wheatfield: A Confrontation”, realizada em 1982, plantou um campo de trigo em Manhattan, próximo ao centro financeiro de Nova York. A obra criou um contraste entre natureza, urbanização, economia e uso da terra.
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Círculos do Tempo (1986-1989), de Alan Sonfist: exemplo de obra de Land Art |
Principais materiais mais usados na Land Art:
Terra
A terra é um dos materiais centrais da Land Art, pois permite criar montes, escavações, caminhos, sulcos e formas geométricas diretamente na paisagem. Seu uso reforça a ligação entre a obra e o espaço natural, além de permitir que a ação do vento e da chuva transforme o trabalho ao longo do tempo.
Pedras e rochas
Pedras e rochas são utilizadas na construção de círculos, espirais, linhas, muros e estruturas monumentais. Esses materiais podem transmitir ideias de solidez e permanência, embora também sofram alterações causadas pela erosão, pela água e pelas mudanças climáticas.
Areia
A areia permite a criação de desenhos, relevos, esculturas e marcas temporárias em praias, desertos e margens de rios. Por ser facilmente deslocada pelo vento, pelas ondas e pela chuva, costuma ser empregada em obras que destacam a transformação e o desaparecimento.
Madeira e galhos
Troncos, gravetos, raízes e galhos são organizados para formar estruturas, caminhos, abrigos e composições geométricas. Como são materiais orgânicos, podem apodrecer, quebrar ou ser incorporados novamente ao ambiente natural.
Folhas e flores
Folhas, pétalas e flores são usadas principalmente em composições de pequenas dimensões, frequentemente organizadas por cores, formatos e texturas. Essas obras costumam ter curta duração, pois os materiais murcham, secam ou são levados pelo vento.
Água
A água pode integrar a obra como material ou como elemento transformador. Rios, lagos, chuva, ondas e marés alteram formas, refletem imagens e provocam o desaparecimento gradual das intervenções artísticas.
Gelo e neve
Gelo e neve são empregados na criação de esculturas, círculos, paredes e estruturas temporárias. O derretimento faz parte da própria obra, demonstrando a passagem do tempo e a fragilidade dos materiais naturais.
Lama e argila
A lama e a argila podem ser modeladas, espalhadas ou aplicadas sobre rochas, árvores e superfícies naturais. Quando secam, racham e mudam de aparência, tornando visíveis os efeitos do calor, da umidade e da evaporação.
Grama e vegetação
A vegetação pode ser plantada, cortada, dobrada ou organizada para formar desenhos e trajetos. O crescimento das plantas modifica continuamente a obra, aproximando o processo artístico dos ciclos naturais.
Materiais industriais
Alguns artistas utilizam concreto, aço, tecido, vidro ou outros materiais produzidos industrialmente. Esses elementos criam contrastes com a paisagem e podem chamar a atenção para a ocupação humana, a urbanização e as alterações provocadas no meio ambiente.
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| Grande Cretto (1984-1989): Land Art de Alberto Burri. |
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 14/07/2026
Fontes de pesquisa do artigo:
https://en.wikipedia.org/wiki/Land_art
PARRAGON BOOKS. História da Arte – Arquitetura, Pintura, Escultura, Artes Gráficas e Design. Londres: Parragon Books, 2012.
FARTHING, Stephen e CORK, Richard. Tudo sobre Arte. São Paulo: Editora Sextante, 2018.
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