Quais foram as Fases da Revolução Francesa?


 

Introdução: o que foi a Revolução Francesa?

A Revolução Francesa foi um dos eventos mais marcantes da história da humanidade, ocorrendo no final do século XVIII e representando uma profunda transformação política, social e econômica na França e, consequentemente, no mundo. Caracterizou-se pela luta da população francesa contra as desigualdades do Antigo Regime, marcado por privilégios da nobreza e do clero, além da exploração do Terceiro Estado, composto por burgueses, trabalhadores urbanos e camponeses. A Revolução trouxe ideias de liberdade, igualdade e fraternidade, abalando as estruturas do absolutismo e influenciando movimentos revolucionários em diversas partes do mundo. Seu desenvolvimento foi dividido em três fases principais, cada uma com características específicas e com diferentes grupos sociais no poder.



AS TRÊS FASES DA REVOLUÇÃO FRANCESA E SUAS CARACTERÍSTICAS:



1. Monarquia Constitucional (1789-1792)


A primeira fase da Revolução Francesa, conhecida como Monarquia Constitucional, teve início em 1789, com a convocação dos Estados Gerais pelo rei Luís XVI, pressionado pela grave crise econômica e pela insatisfação popular. Esse evento resultou na formação da Assembleia Nacional, que assumiu o compromisso de elaborar uma Constituição para a França, limitando os poderes do rei e acabando com os privilégios da nobreza e do clero.


Durante essa fase, destacam-se importantes acontecimentos, como a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789, que simbolizou o início da revolução popular e o enfraquecimento do absolutismo. Logo após, foi promulgada a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão", documento que estabeleceu princípios fundamentais, como igualdade perante a lei, liberdade de expressão e direito à propriedade.


O período da Monarquia Constitucional foi marcado por reformas políticas, econômicas e sociais. Entre elas, a abolição dos direitos feudais, a nacionalização dos bens do clero, a criação de uma nova divisão administrativa do país em departamentos e a instituição do sufrágio censitário, no qual apenas os cidadãos com determinada renda poderiam votar.


Apesar das mudanças, a manutenção do rei no poder, ainda que de forma limitada, gerava descontentamento entre os setores populares, que desejavam transformações mais profundas. Além disso, a tentativa de fuga do rei Luís XVI e sua família, em 1791, agravou a crise política, pois evidenciou a resistência da monarquia em aceitar as mudanças. Esse episódio ficou conhecido como Fuga de Varennes e contribuiu para a crescente radicalização da Revolução.


Outro fator relevante foi o contexto internacional. As monarquias absolutistas europeias, temendo o avanço das ideias revolucionárias em seus territórios, pressionaram a França e declararam guerra contra os revolucionários. Essa conjuntura de instabilidade interna e externa levou ao fim da Monarquia Constitucional, que foi definitivamente abolida em 1792, com a proclamação da República.

 

Ilustração da Assembleia Nacional Constituinte na Primeira Fase da Revolução Francesa

Assembleia Nacional Constituinte de 1789: um dos momentos mais importantes da Primeira Fase da Revolução Francesa.

 

 



2. Convenção Nacional (1792-1795)


A segunda fase da Revolução Francesa, chamada de Convenção Nacional, foi a mais radical do processo revolucionário. Com a proclamação da República, os revolucionários extinguiram oficialmente a monarquia e instauraram um governo republicano, onde os poderes estavam concentrados na Convenção, uma assembleia eleita por sufrágio universal masculino.


O início da Convenção foi marcado pelo julgamento e execução do rei Luís XVI, em janeiro de 1793, acusado de traição à pátria. Posteriormente, a rainha Maria Antonieta também foi julgada e guilhotinada. A eliminação da monarquia representou uma ruptura definitiva com o Antigo Regime e reforçou o caráter radical da Revolução.


Nesse período, a França enfrentava sérias ameaças internas e externas. No campo interno, surgiram revoltas contrarrevolucionárias, como a Revolta da Vendeia, composta por camponeses que se opunham às medidas revolucionárias e à perseguição religiosa. No plano externo, as potências absolutistas europeias formaram coalizões militares contra a França, buscando restaurar a monarquia.


Diante desse cenário, os jacobinos, liderados por Maximilien Robespierre, assumiram o controle da Convenção e implantaram um governo de exceção conhecido como Período do Terror. As principais características desse período foram a centralização do poder, o controle rígido da economia, a imposição de leis severas e a repressão violenta aos opositores da Revolução, que eram levados à guilhotina.


Entre as medidas implementadas pelos jacobinos, destacam-se o tabelamento dos preços, o confisco de bens dos inimigos da Revolução, a abolição da escravidão nas colônias francesas e a adoção de uma nova Constituição, que defendia a soberania popular e o sufrágio universal masculino. O governo jacobino também promoveu a descristianização da França, substituindo os símbolos religiosos por símbolos republicanos e instaurando um novo calendário revolucionário.


Contudo, o radicalismo e as constantes execuções, incluindo a de líderes moderados e de antigos aliados, geraram crescente insatisfação. Em 1794, Robespierre foi preso e executado, encerrando o Período do Terror. Após sua queda, iniciou-se um movimento de moderação e reorganização política, conhecido como Reação Termidoriana, que pôs fim ao domínio jacobino e deu início à última fase da Revolução.



3. Diretório (1795-1799)


A terceira fase da Revolução Francesa foi o Diretório, um período de transição que buscava restabelecer a estabilidade política e econômica após os excessos do Período do Terror. Instituído pela Constituição de 1795, o Diretório era composto por cinco membros, escolhidos pelo legislativo, com o objetivo de evitar a concentração de poder nas mãos de uma única pessoa.


Durante essa fase, a França passou por um processo de retomada dos princípios mais moderados da Revolução, priorizando os interesses da burguesia, que se consolidava como o grupo dominante. O sufrágio universal masculino foi abolido e substituído pelo voto censitário, restringindo novamente a participação política aos cidadãos com maior renda.


No campo econômico, o Diretório enfrentou sérias dificuldades, como a inflação, o desemprego e a escassez de alimentos, o que gerou revoltas populares, como a Conspiração dos Iguais, liderada por Graco Babeuf. Esse movimento defendia a igualdade social e a divisão das riquezas, sendo considerado um precursor do socialismo. Contudo, foi rapidamente reprimido pelo governo, que temia qualquer ameaça à ordem estabelecida.


No âmbito externo, a França continuou em guerra contra as coalizões europeias, mas, nesse contexto, começou a se destacar a figura de Napoleão Bonaparte, um jovem general que obteve sucessivas vitórias militares, ampliando o prestígio do exército francês e fortalecendo seu próprio poder pessoal.


O Diretório, embora tenha buscado restabelecer a ordem, foi um governo marcado pela instabilidade, pela corrupção e pela constante ameaça de golpes, tanto da esquerda quanto da direita. Sua incapacidade de resolver os problemas econômicos e de consolidar a paz social contribuiu para o desgaste político do regime.


Em 1799, Napoleão Bonaparte, aproveitando-se da crise e do apoio que possuía no exército, liderou um golpe de Estado conhecido como Golpe de 18 de Brumário, encerrando definitivamente o período revolucionário e instaurando o Consulado, que representou o início de sua ascensão ao poder e o surgimento do regime napoleônico.

 

Pintura mostrando Napoleão Bonaparte com a bandeira da França, liderando os franceses

A Batalha da Ponte de Arcole (imagem acima), ocorrida em novembro de 1796, foi um confronto decisivo durante as Guerras Revolucionárias Francesas, no qual o general Napoleão Bonaparte liderou as tropas francesas contra os austríacos na Itália. Essa vitória foi fundamental para consolidar sua reputação como estrategista militar e herói da Revolução Francesa. O episódio simboliza a expansão dos ideais revolucionários além das fronteiras da França e demonstra como Napoleão, ao vencer em Arcole, fortaleceu tanto o exército revolucionário quanto sua própria ascensão política, que culminaria no golpe de 18 de Brumário e no fim do período revolucionário.

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 24/06/2025




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

COSTA, Ricardo da. História Geral da Civilização Ocidental. 4. ed. São Paulo: Editora Vozes, 2012.

 

Vídeo indicado no YouTube:

 

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