Francis Bacon


 

Quem foi Francis Bacon


Francis Bacon (1561–1626) foi um filósofo, estadista, jurista e ensaísta inglês, amplamente reconhecido como um dos fundadores do pensamento científico moderno. Nascido em 22 de janeiro de 1561, em Londres, durante o reinado de Elizabeth I, Bacon viveu em um período de profundas transformações políticas, religiosas e intelectuais na Inglaterra e na Europa, especialmente no contexto da transição do Renascimento para a chamada Revolução Científica (séculos XVI e XVII). Sua obra destacou-se por propor uma nova maneira de produzir conhecimento, baseada na observação empírica e na experimentação, em oposição à tradição escolástica medieval, que privilegiava a autoridade dos textos clássicos e o raciocínio dedutivo.

Bacon é frequentemente associado à consolidação do Empirismo, corrente filosófica que sustenta que o conhecimento tem origem na experiência sensorial. Sua principal contribuição foi a formulação de um método científico baseado na indução, que buscava sistematizar a investigação da natureza por meio da coleta de dados e da análise progressiva dos fenômenos observados. Essa proposta representou uma ruptura significativa com o pensamento aristotélico dominante nas universidades da época. Ao defender que o saber deveria ser útil e aplicado, Bacon também influenciou o desenvolvimento da ciência como instrumento de domínio da natureza e de progresso material da sociedade.

Além de sua atuação como pensador, Bacon teve uma carreira política relevante, ocupando cargos importantes no governo inglês, como Procurador-Geral e Lorde Chanceler. Sua trajetória pública, contudo, foi marcada por controvérsias, incluindo acusações de corrupção que levaram à sua queda política em 1621. Apesar disso, sua influência intelectual permaneceu duradoura, sendo reconhecida como fundamental para o surgimento da ciência moderna e para a valorização do método experimental como base do conhecimento.



Biografia


Francis Bacon nasceu em uma família de destaque na corte inglesa. Seu pai, Sir Nicholas Bacon, era Lorde Guardião do Selo Real, enquanto sua mãe, Anne Cooke Bacon, era uma mulher altamente instruída, fluente em latim e grego, o que contribuiu para a formação intelectual precoce do filho. Aos 12 anos, Bacon ingressou no Trinity College, da Universidade de Cambridge, onde entrou em contato com o ensino baseado na filosofia aristotélica. Desde cedo, demonstrou insatisfação com esse modelo, considerando-o pouco produtivo para a descoberta de novos conhecimentos.

Após deixar Cambridge, Bacon viajou para a França em 1576, acompanhando o embaixador inglês Sir Amias Paulet. Durante esse período, teve contato com diferentes culturas e práticas políticas, ampliando sua visão de mundo. Contudo, a morte de seu pai em 1579 obrigou-o a retornar à Inglaterra, onde passou a estudar Direito no Gray’s Inn. Sua carreira jurídica teve início nesse contexto, e ele rapidamente ganhou reconhecimento por sua habilidade retórica e intelectual.

Na década de 1580, Bacon iniciou sua carreira política como membro do Parlamento inglês. Ao longo dos anos, ocupou diversos cargos, consolidando sua posição na administração do Estado. Durante o reinado de James I (1603–1625), alcançou o auge de sua carreira, sendo nomeado Cavaleiro em 1603, Procurador-Geral em 1613 e, posteriormente, Lorde Chanceler em 1618, o cargo mais alto do sistema jurídico inglês.

Apesar de seu sucesso, a trajetória política de Bacon sofreu um golpe decisivo em 1621, quando foi acusado de aceitar subornos em processos judiciais. Ele admitiu a culpa, alegando que não havia sido influenciado em suas decisões, mas acabou sendo condenado pelo Parlamento. Como consequência, perdeu seus cargos e foi temporariamente preso na Torre de Londres. Após esse episódio, afastou-se da vida pública e dedicou-se integralmente à produção intelectual.

Durante esse período final, Bacon escreveu algumas de suas obras mais importantes, incluindo “Novum Organum” (1620), que apresentou sua proposta de método científico, e “Nova Atlântida” (publicada postumamente em 1627), uma obra utópica que descreve uma sociedade ideal baseada no avanço científico e tecnológico. Francis Bacon faleceu em 9 de abril de 1626, vítima de uma pneumonia, possivelmente contraída durante um experimento em que tentava testar métodos de conservação de alimentos com gelo.




Teorias e principais ideias filosóficas:



1. Empirismo: a base do conhecimento na experiência

Uma das principais contribuições de Francis Bacon foi a defesa do empirismo como fundamento do conhecimento. Para ele, o saber não deveria partir de ideias abstratas ou de princípios previamente estabelecidos, mas sim da observação direta da realidade. Isso significava valorizar os sentidos como instrumentos essenciais para a compreensão do mundo natural. Em oposição à tradição escolástica, que privilegiava a lógica dedutiva e a autoridade de pensadores antigos como Aristóteles, Bacon propôs que o conhecimento deveria ser construído a partir da experiência concreta.

Essa perspectiva marcou uma mudança significativa na forma de pensar a ciência. Ao afirmar que o conhecimento verdadeiro surge da interação com a natureza, Bacon abriu caminho para o desenvolvimento de práticas experimentais que se tornariam centrais na ciência moderna. Seu empirismo não era apenas uma teoria abstrata, mas um projeto metodológico que visava reorganizar toda a produção do saber.


2. Método indutivo: a construção progressiva do conhecimento

O método indutivo proposto por Bacon consiste em partir de observações particulares para chegar a conclusões gerais. Diferentemente da dedução, que parte de princípios gerais para explicar casos específicos, a indução busca identificar padrões a partir da repetição de fenômenos observados. Bacon acreditava que esse método permitiria uma compreensão mais precisa e confiável da natureza, pois se baseava em evidências empíricas.

Em sua obra “Novum Organum” (1620), Bacon detalhou esse método, propondo a organização sistemática dos dados coletados por meio de tabelas de presença, ausência e graus. Essas tabelas serviriam para identificar relações causais entre os fenômenos, evitando conclusões precipitadas. Embora seu método não corresponda exatamente ao método científico atual, ele foi fundamental para estabelecer a importância da experimentação e da análise sistemática na investigação científica.


3. Crítica aos ídolos: obstáculos ao conhecimento


Bacon identificou uma série de obstáculos que dificultam a obtenção do conhecimento verdadeiro, os quais chamou de “ídolos”. Esses ídolos representam preconceitos, erros e ilusões que afetam o entendimento humano. Ele os classificou em quatro tipos principais:

Ídolos da tribo: referem-se às limitações naturais da mente humana, que tende a interpretar a realidade de forma distorcida, projetando padrões onde eles não existem.

Ídolos da caverna: dizem respeito às influências individuais, como educação, experiências pessoais e inclinações subjetivas, que moldam a percepção de cada indivíduo.

Ídolos do foro: estão ligados à linguagem, que pode gerar confusões e ambiguidades, dificultando a comunicação e o entendimento correto dos conceitos.

Ídolos do teatro: correspondem às doutrinas filosóficas e sistemas de pensamento que, segundo Bacon, funcionam como encenações artificiais da realidade, afastando o indivíduo da verdade.

A identificação desses ídolos foi essencial para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação ao conhecimento, incentivando a superação de preconceitos e a busca por métodos mais rigorosos.



4. Ciência como instrumento de poder e progresso

Bacon defendia que o conhecimento científico deveria ter uma finalidade prática, voltada para a melhoria das condições de vida humana. Sua famosa expressão “saber é poder” sintetiza essa visão, indicando que o domínio da natureza por meio da ciência permitiria avanços tecnológicos e sociais. Para ele, a ciência não deveria ser um exercício puramente teórico, mas uma ferramenta para transformar a realidade.

Essa concepção está claramente expressa em sua obra “Nova Atlântida”, na qual descreve uma sociedade organizada em torno de uma instituição científica chamada Casa de Salomão. Nessa sociedade, os cientistas trabalham coletivamente para desenvolver invenções e descobertas que beneficiem a população. Essa visão antecipou a importância das instituições científicas modernas e da pesquisa aplicada.



Ruptura com a tradição escolástica


Bacon criticou duramente a escolástica medieval, que dominava o ensino nas universidades europeias até o século XVI. Para ele, esse modelo era estéril, pois se baseava na repetição de ideias antigas sem promover a descoberta de novos conhecimentos. Ao propor um novo método, Bacon buscou romper com essa tradição e inaugurar uma nova era do saber, centrada na investigação empírica e na utilidade prática do conhecimento.

Essa ruptura foi um dos elementos centrais da chamada Revolução Científica, que ocorreu entre os séculos XVI e XVII, envolvendo pensadores como Galileu Galilei (1564–1642), René Descartes (1596–1650) e Isaac Newton (1643–1727). Embora cada um desses autores tenha seguido caminhos distintos, todos contribuíram para a transformação da ciência em uma atividade sistemática e baseada em métodos rigorosos.



Contribuição para o pensamento moderno


A filosofia de Bacon teve impacto duradouro na formação do pensamento moderno. Seu enfoque na experiência, na experimentação e na utilidade do conhecimento influenciou não apenas a ciência, mas também áreas como a Filosofia, a Política e a Educação. Sua obra ajudou a consolidar a ideia de que o progresso humano depende da capacidade de compreender e transformar o mundo por meio do conhecimento científico.

Em síntese, Francis Bacon desempenhou um papel fundamental na transição entre o pensamento medieval e a modernidade, ao propor uma nova forma de investigar a realidade. Sua defesa do empirismo, do método indutivo e da ciência aplicada estabeleceu bases que continuam a influenciar a produção do conhecimento até os dias atuais.

 

Principais obras de Francis Bacon:


“Ensaios” (1597, 1612 e 1625): reflexão moral, política e prática

A obra “Ensaios” (Essayes or Counsels, Civil and Moral) foi publicada inicialmente em 1597, com apenas dez textos, sendo ampliada em 1612 e novamente em 1625, quando alcançou sua forma mais completa. Trata-se de uma coletânea de reflexões sobre temas diversos, como amizade, ambição, verdade, poder, educação e comportamento humano. Bacon adota um estilo conciso, direto e pragmático, voltado para orientar a conduta dos indivíduos na vida pública e privada.

Os ensaios revelam a dimensão mais prática do pensamento baconiano. Em vez de construir sistemas filosóficos abstratos, Bacon procura oferecer conselhos úteis para a ação, especialmente no campo político e social. Sua análise do comportamento humano é marcada por realismo e atenção às motivações individuais, como o desejo de poder e prestígio. A obra teve grande influência na literatura ensaística moderna, consolidando o gênero como forma de reflexão filosófica acessível e aplicada ao cotidiano.


“O progresso do conhecimento” (1605): classificação das ciências

Em “The Advancement of Learning” (1605), Bacon apresenta um amplo panorama do conhecimento humano, defendendo a necessidade de reformar as ciências. A obra propõe uma reorganização do saber baseada nas faculdades humanas, como memória, imaginação e razão, associadas, respectivamente, à História, à Poesia e à Filosofia. Bacon argumenta que muitas áreas do conhecimento estavam negligenciadas e precisavam ser desenvolvidas por meio de novos métodos.

Essa obra tem um caráter programático, pois estabelece as bases para o projeto filosófico de Bacon. Ele critica o atraso científico de sua época e propõe um esforço coletivo para expandir o conhecimento, destacando a importância da observação e da experimentação. Posteriormente, Bacon ampliou essa obra em latim, sob o título “De Augmentis Scientiarum” (1623), aprofundando sua análise sobre a organização e o progresso das ciências.


“Novum Organum” (1620): o novo método científico

“Novum Organum” é considerada a obra mais importante de Francis Bacon e foi publicada em 1620 como parte de um projeto maior chamado “Instauratio Magna” (Grande Instauração). O título faz referência ao “Organon” de Aristóteles, conjunto de textos sobre lógica que dominava o pensamento medieval. Bacon propõe um “novo instrumento” para o conhecimento, baseado na indução e na experimentação.

Na obra, Bacon apresenta seu método indutivo, que busca construir o conhecimento a partir da observação sistemática dos fenômenos naturais. Ele propõe o uso de tabelas para organizar dados empíricos e identificar relações causais, evitando generalizações precipitadas. Também desenvolve a teoria dos ídolos, que são obstáculos ao conhecimento. O “Novum Organum” representa uma ruptura com a tradição escolástica e estabelece fundamentos para o desenvolvimento da ciência moderna.


“Instauratio Magna” (1620): o projeto de renovação do saber

A “Instauratio Magna” (Grande Instauração) não é uma obra única, mas um ambicioso projeto intelectual que Bacon planejou para reformar todo o conhecimento humano. Publicado parcialmente em 1620, esse projeto previa seis partes, incluindo a classificação das ciências, a apresentação do novo método e a aplicação prática desse método na investigação da natureza.

Embora Bacon não tenha conseguido completar todas as etapas da “Instauratio Magna”, o projeto revela a dimensão de sua proposta: reorganizar o saber de forma sistemática, substituindo métodos antigos por uma abordagem baseada na experiência. O “Novum Organum” corresponde à segunda parte desse projeto. A “Instauratio Magna” demonstra a intenção de Bacon de promover uma transformação profunda na maneira como o conhecimento era produzido e utilizado.


“Nova Atlântida” (1627): utopia científica

Publicada postumamente em 1627, “Nova Atlântida” é uma obra de caráter utópico que descreve uma sociedade ideal organizada em torno do conhecimento científico. A narrativa apresenta a ilha fictícia de Bensalém, onde existe uma instituição chamada Casa de Salomão, dedicada à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico.

Nessa obra, Bacon expressa sua visão de que a ciência deve ser coletiva, organizada e voltada para o bem-estar social. A Casa de Salomão antecipa, de certa forma, as academias científicas modernas, como a Royal Society, fundada na Inglaterra em 1660. A “Nova Atlântida” combina elementos de ficção e filosofia, mostrando como o avanço científico pode contribuir para uma sociedade mais próspera e equilibrada.


“De sapientia veterum” (1609): interpretação simbólica dos mitos

Em “De Sapientia Veterum” (A sabedoria dos antigos), publicado em 1609, Bacon interpreta mitos da Antiguidade clássica como alegorias que contêm ensinamentos filosóficos e científicos. Ele analisa figuras da mitologia greco-romana, buscando extrair significados ocultos relacionados à natureza, à moral e ao conhecimento.

Essa obra demonstra o interesse de Bacon em dialogar com a tradição clássica, mas de forma crítica e reinterpretativa. Em vez de aceitar os mitos como narrativas literais, ele os vê como expressões simbólicas de verdades mais profundas. Essa abordagem revela uma tentativa de conciliar o passado com o novo projeto científico, mostrando que o conhecimento antigo pode ser reinterpretado à luz de novas perspectivas.


“História natural e experimental” (publicações diversas): base empírica do conhecimento

Bacon também se dedicou à elaboração de obras voltadas à coleta de dados empíricos, como “Historia Naturalis et Experimentalis”. Entre esses trabalhos, destaca-se “Sylva Sylvarum” (1627), publicado postumamente, que reúne observações e experimentos sobre fenômenos naturais, como som, luz, plantas e propriedades dos materiais.



Legado

 

O legado de Francis Bacon está diretamente associado à consolidação de uma nova concepção de conhecimento científico, baseada na observação empírica, na experimentação e na sistematização dos dados. Sua crítica à tradição escolástica e sua defesa do método indutivo contribuíram para o enfraquecimento do pensamento medieval e para a construção das bases da Ciência Moderna, especialmente entre os séculos XVII e XVIII. Ao propor que o conhecimento deveria ser produzido a partir da experiência e organizado de forma rigorosa, Bacon influenciou o desenvolvimento de práticas científicas que se tornaram centrais nas áreas da Física, da Química e da Biologia. Sua valorização da experimentação também incentivou a criação de instituições científicas, como academias e sociedades de pesquisa, que passaram a desempenhar papel fundamental na produção e difusão do saber.

Vale ressaltar também que o impacto de Bacon ultrapassou o campo científico, alcançando a Filosofia, a Política e a Educação. Sua ideia de que o conhecimento deve ter utilidade prática contribuiu para a valorização da ciência como instrumento de transformação social e progresso material, influenciando o pensamento iluminista no século XVIII. Ao enfatizar a necessidade de superar preconceitos e erros por meio de métodos rigorosos, Bacon ajudou a consolidar uma postura crítica diante do conhecimento, essencial para o desenvolvimento do pensamento moderno. Seu legado permanece presente na forma como a ciência é concebida atualmente, como uma atividade coletiva, sistemática e orientada para a compreensão e transformação da realidade.



Filósofos influenciados por Bacon:

 

Diversos filósofos e pensadores foram influenciados pelas ideias de Francis Bacon, especialmente no desenvolvimento do empirismo, da ciência moderna e da valorização da experiência como base do conhecimento. Entre os principais, destacam-se:


John Locke (1632–1704): considerado um dos principais representantes do empirismo, Locke aprofundou a ideia de que o conhecimento humano deriva da experiência sensorial. Em sua obra “Ensaio sobre o entendimento humano” (1690), ele defende que a mente nasce como uma “tábula rasa”, sendo preenchida ao longo da vida pelas experiências. Essa concepção dialoga diretamente com a proposta baconiana de que o conhecimento deve partir da observação e da experiência.


David Hume (1711–1776): levou o empirismo a um nível mais radical, questionando até mesmo a noção de causalidade. Influenciado pela tradição iniciada por Bacon, ele argumentou que nossas ideias são derivadas das impressões sensoriais. Sua filosofia reforça a importância da experiência, mas também evidencia seus limites, mostrando que nem todo conhecimento pode ser considerado absolutamente seguro.


Thomas Hobbes (1588–1679): embora tenha desenvolvido uma filosofia própria, Hobbes foi contemporâneo de Bacon e influenciado por seu método e pela valorização da ciência. Ele aplicou princípios semelhantes ao estudo da sociedade e da política, buscando explicar o comportamento humano de forma racional e sistemática, especialmente em sua obra “Leviatã” (1651).


John Stuart Mill (1806–1873): Mill retomou e sistematizou o método indutivo em sua obra “Sistema de lógica” (1843), na qual propôs regras para a investigação científica conhecidas como “métodos de Mill”. Sua contribuição pode ser vista como um desdobramento direto das ideias de Bacon sobre indução e experimentação.


Auguste Comte (1798–1857): fundador do Positivismo, Comte foi influenciado pela valorização baconiana da ciência como instrumento de progresso. Ele defendeu que o conhecimento humano deveria basear-se em fatos observáveis e leis científicas, rejeitando explicações metafísicas. Sua filosofia reforça a ideia de que a ciência deve orientar a organização da sociedade.


Karl Popper (1902–1994): embora crítico do método indutivo clássico, Popper dialoga com a tradição iniciada por Bacon ao discutir os fundamentos do método científico. Ele propôs o falsificacionismo, segundo o qual as teorias científicas devem ser testadas e passíveis de refutação. Mesmo ao criticar a indução, Popper reconhece a importância histórica do projeto baconiano na construção da ciência.


Isaac Newton (1643–1727): embora não seja um filósofo no sentido estrito, Newton foi profundamente influenciado pelo espírito do empirismo baconiano. Sua obra científica, especialmente “Princípios matemáticos da filosofia natural” (1687), reflete a valorização da observação, da experimentação e da formulação de leis gerais a partir de dados empíricos.


A influência de Francis Bacon estende-se por toda a Filosofia Moderna e pela ciência contemporânea. Seu projeto de reorganização do conhecimento, baseado na experiência e na experimentação, inspirou desde os empiristas clássicos até pensadores da ciência mais recentes. Dessa forma, Bacon ocupa uma posição central na formação do pensamento científico e filosófico ocidental.



Exemplos de frases:


- "As esposas são amantes dos homens mais novos, companheiras para os de meia-idade e amas para os idosos".

 

- "As obras e fundações mais nobres foram criadas por homens sem filhos".

 

- "A verdade aparece mais facilmente do erro do que da confusão".

 

Retrato do filósofo inglês Francis Bacon

Francis Bacon: filósofo inglês dos séculos XVI e XVII.

 


 

RESUMO

 

Francis Bacon


• Quem foi: filósofo, cientista e político inglês considerado um dos fundadores da Ciência Moderna, por defender um novo modo de produzir conhecimento.

• Contexto histórico: viveu durante a transição do Renascimento para a Revolução Científica (séculos XVI e XVII), período de mudanças no pensamento europeu.

• Crítica ao conhecimento antigo: criticou a Escolástica medieval, que valorizava a repetição de ideias antigas sem investigação prática.

• Empirismo: defendia que o conhecimento deve vir da experiência, ou seja, da observação direta da natureza.

• Método científico: propôs o método indutivo, que parte de observações particulares para chegar a conclusões gerais.

• Ídolos: identificou erros do pensamento humano que atrapalham o conhecimento, como preconceitos e ideias falsas.

• Ciência e utilidade: acreditava que a ciência deveria melhorar a vida das pessoas, ajudando no desenvolvimento da sociedade.

• Obras principais: escreveu “Novum Organum”, “Nova Atlântida” e “Ensaios”, nas quais apresentou suas ideias sobre ciência e sociedade.

• Carreira política: ocupou cargos importantes na Inglaterra, mas perdeu sua posição após acusações de corrupção em 1621.

• Legado: suas ideias ajudaram a formar a base da ciência moderna e influenciam o modo como o conhecimento é produzido até hoje.

 

 

Infográfico com resumo sobre as ideias de Francis Bacon
Infográfico com síntese sobre Francis Bacon e suas ideias filosóficas mais importantes.

 

 


 

Como as ideias filosóficas e obras de Francis Bacon podem cair em questões de vestibulares e ENEM?

 

1. Interpretação de textos filosóficos

As questões costumam apresentar trechos de obras como “Novum Organum” ou “Ensaios” e pedir a identificação das ideias centrais. O estudante deve reconhecer conceitos como empirismo, valorização da experiência e crítica ao conhecimento baseado apenas na tradição. É comum que a questão exija a relação entre o texto e a proposta de construção do conhecimento científico.


2. Comparação entre correntes filosóficas

Bacon frequentemente aparece em comparação com outros pensadores, como René Descartes (1596–1650). Nessas questões, o objetivo é diferenciar o empirismo baconiano, baseado na observação e indução, do racionalismo cartesiano, que valoriza a razão e a dedução. O aluno precisa compreender as características de cada corrente para identificar corretamente as alternativas.


3. Método científico

As provas exploram o papel de Bacon na formulação do método científico moderno. O estudante pode ser solicitado a identificar o método indutivo ou reconhecer a importância da experimentação. Também é comum aparecerem questões que relacionam Bacon ao desenvolvimento da ciência durante a Revolução Científica (séculos XVI e XVII).


4. Crítica à escolástica

Outra abordagem recorrente envolve a crítica de Bacon à Escolástica medieval. As questões podem pedir a identificação dessa ruptura com o pensamento baseado na autoridade de Aristóteles e na tradição. O aluno deve compreender que Bacon propõe um novo modelo de conhecimento fundamentado na experiência.


5. Ídolos do conhecimento

Os “ídolos” (da tribo, da caverna, do foro e do teatro) podem aparecer como conteúdo específico. As questões podem apresentar situações e pedir que o estudante identifique qual tipo de ídolo está sendo exemplificado. Isso exige compreensão conceitual e aplicação prática das ideias.


6. Relação entre ciência e sociedade

Bacon pode ser cobrado em questões que discutem o papel social da ciência. A ideia de que “saber é poder” pode aparecer associada ao progresso tecnológico e à transformação da sociedade. O aluno deve entender que, para Bacon, a ciência tem uma função prática e utilitária.


7. Obras e suas características

As provas podem cobrar o reconhecimento das principais obras e seus conteúdos. Por exemplo, associar “Novum Organum” ao método científico, “Nova Atlântida” à utopia científica e “Ensaios” às reflexões morais e políticas. Geralmente, a questão exige a correspondência correta entre obra e tema.


8. Contexto histórico

Também é comum que as questões situem Bacon no contexto da Revolução Científica (séculos XVI e XVII). O estudante deve compreender que suas ideias fazem parte de um movimento mais amplo de transformação do pensamento europeu, que inclui o desenvolvimento da ciência moderna.


9. Aplicação em situações cotidianas

Algumas questões, especialmente no ENEM, apresentam situações do cotidiano ou da ciência atual e pedem a identificação de princípios baconianos, como a observação, a experimentação e a busca por evidências. Nesse caso, o aluno precisa transferir o conhecimento teórico para situações práticas.


10. Interdisciplinaridade

As ideias de Bacon podem aparecer em questões que envolvem Filosofia, História e Ciências da Natureza. O estudante deve estar preparado para interpretar textos, analisar contextos históricos e compreender conceitos científicos básicos, integrando diferentes áreas do conhecimento.

 




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 23/03/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes:

DELEUZE, Gilles. Francis Bacon - lógica da sensação. São Paulo: Zahar, 2012.


https://de.wikipedia.org/wiki/Francis_Bacon

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

FRANCIS BACON PARA O ENEM - Canal Parabólica


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