Positivismo


 

O que é (definição)

 

O Positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX. Os principais idealizadores do positivismo foram os pensadores Augusto Comte e John Stuart Mill. Esta escola filosófica ganhou força na Europa na segunda metade do século XIX e começo do XX, período em que chegou ao Brasil.

 

Contexto histórico

 

O Positivismo surgiu na França entre as décadas de 1830 e 1850, em um contexto marcado pela instabilidade política que se seguiu às transformações iniciadas pela Revolução Francesa de 1789, pela consolidação do liberalismo após a Revolução de 1830 e pelo impacto social das primeiras fases da Revolução Industrial. O período foi caracterizado pelo avanço das ciências naturais, pelo fortalecimento de uma burguesia urbana que buscava ordem e progresso material e pela necessidade de reorganizar a vida social diante das rápidas mudanças econômicas e tecnológicas. Nesse ambiente, discutiam-se problemas como o aumento das desigualdades, a urbanização acelerada e o declínio das antigas estruturas aristocráticas, favorecendo o surgimento de correntes intelectuais voltadas à racionalização da sociedade, entre elas o positivismo formulado por Auguste Comte.

 

Características e princípios filosóficos positivistas:

 

• Defesa da posição de que todo conhecimento só pode ser verdadeiro se for científico. Para tanto, deve ser comprovado por métodos científicos.

 

• Tem origem na epistemologia, que surgiu na França no século XIX.

 

• Defesa da ordem (social, política, econômica, etc.) e do progresso (baseado, principalmente, no desenvolvimento científico).

 

• O positivismo tem várias semelhanças e relações com o empirismo (teoria filosófica que valoriza a experiência na busca do conhecimento).

 

• Valorização da lógica e da razão em oposição às explicações religiosas, supersticiosas e mitológicas.

 

• No campo da História, o conhecimento que tem valor é aquele que pode ser comprovado através de documentos.

 

• Defesa e uso do raciocínio indutivo (uso de testes para medir a probabilidade dos argumentos).

 

• Valorização da pesquisa empírica para validar estruturas e mudanças sociais. Logo, as Ciências Humanas (História, Sociologia e Filosofia) devem ser “comandadas” pelas Ciências Exatas (Matemática, Física, Química).

 

• Uso de métodos científicos para analisar e entender o comportamento humano. Foi nesse sentido, que surgiu a Psicologia Behaviorista.

 

• Rejeição dos conhecimentos intuitivos, subjetivos e introspectivos.

 

• As ciências devem ser usadas como ferramentas para compreender os problemas sociais, identificar ações e aplicá-las com o objetivo de sanar esses problemas.

 

• Para os positivistas, as mulheres são as depositárias dos bons costumes e da moral. Portanto, devem atuar em casa, se dedicando exclusivamente ao lar e aos cuidados e educação dos filhos.

 

• Oposição ao idealismo (corrente filosófica que valoriza os elementos subjetivos).

 

 

 

Influências 

 

O positivismo teve muita influência na literatura. No Brasil, por exemplo, influenciou escritores naturalistas como Aluísio de Azevedo e Raul Pompeia.

 

 

O Neopositivismo

 

Também conhecido como Empirismo Lógico, o Neopositivismo foi uma corrente filosófica que surgiu nas primeiras três décadas do século XX. Os representantes dessa vertente positivista se reuniram num grupo, formado por cientistas e filósofos, chamado de Círculo de Viena. Esse grupo foi formado pelo filósofo alemão Moritz Schlick. Para os neopositivistas, o conhecimento verdadeiro só pode ser obtido através do método científico, que deve ficar restrito ao verificável e ao empírico.

 

Críticas ao Positivismo

 

É importante notar que o positivismo tem sido submetido a inúmeras críticas e desafios ao longo dos anos. Os críticos costumam argumentar que é excessivamente reducionista, negligencia o papel da interpretação e do contexto na compreensão do mundo e falha em explicar as maneiras pelas quais os fatores sociais e culturais podem moldar nossas percepções da realidade.

 

 

Curiosidades históricas:

 

- A frase “Ordem e Progresso” que encontramos na bandeira brasileira é de inspiração positivista.


- Na cidade do Rio de Janeiro, em 1881, foi criada a primeira Igreja Positivista Brasileira. Seus fundadores foram dois importantes positivistas brasileiros do final do século XIX: Miguel Lemos e Teixeira Mendes.

 

- O Positivismo também é conhecido como Comtismo (filosofia de Augusto Comte).

 

- Um dos principais representantes do positivismo legal (jurídico) foi o jurista austríaco-americano Hans Kelsen (1881-1973). Para ele não existia o "direito natural" (que considera a natureza do ser humano).

 

- No Brasil, começaram a surgir os primeiros positivistas na segunda metade da década de 1840.

 

 

Infográfico com síntese sobre o Positivismo

Infográfico com síntese sobre o Positivismo.

 

 

 


 

 

RESUMO

 

Positivismo na filosofia: corrente que afirma que o conhecimento válido deve basear-se exclusivamente em fatos observáveis e leis científicas, rejeitando explicações metafísicas e adotando uma organização racional da sociedade segundo princípios derivados das ciências naturais.


Principais ideias:

- Rejeição da metafísica: defesa de que apenas o conhecimento baseado na observação empírica possui validade.
- Valorização da ciência: compreensão de que o saber científico é o único capaz de explicar e organizar a realidade.
- Lei dos três estados: proposta de que a humanidade evolui do estado teológico ao metafísico e, por fim, ao científico.
- Organização social racional: entendimento de que a sociedade deve ser estruturada segundo princípios científicos.
- Ênfase na ordem e progresso: concepção de que o desenvolvimento social depende da estabilidade e do avanço científico.


Contexto de surgimento

- Transformações políticas: impactos das revoluções liberais europeias do século XIX e busca por estabilidade social.
- Mudanças econômicas: influência da Revolução Industrial e da expansão da burguesia urbana.
- Ambiente intelectual: fortalecimento das ciências naturais e busca por métodos rigorosos de investigação.


Contribuições centrais

- Sistema de Comte: formulação de uma filosofia da ciência capaz de hierarquizar os saberes humanos.
- Sociologia: criação da sociologia como ciência positiva dedicada ao estudo das leis que regem a sociedade.
- Influência política: difusão de ideais de ordem, racionalidade administrativa e progresso científico.


Críticas e limitações

- Reducionismo científico: apontamento de que reduzir todo conhecimento ao método empírico empobrece a compreensão do humano.
- Desconsideração da subjetividade: críticas ao afastamento de elementos simbólicos, culturais e afetivos na análise social.
- Tendência autoritária: questionamentos sobre o risco de impor modelos rígidos de organização social baseados exclusivamente na ciência.

 

 


 

 

Dicas do professor: Como esse tema costuma ser cobrado em provas, vestibulares e ENEM?



1. Contexto intelectual do século XIX e surgimento do positivismo

O positivismo costuma ser cobrado a partir do ambiente intelectual do século XIX, marcado pelo avanço das ciências naturais, pela consolidação do método científico e pela busca de explicações racionais para os fenômenos sociais. As questões exigem a compreensão da influência do cientificismo e do racionalismo nesse período, bem como das transformações econômicas e sociais decorrentes da Revolução Industrial.


2. Auguste Comte e a formulação do positivismo filosófico

Os vestibulares e o ENEM frequentemente exploram o papel de Auguste Comte como fundador do positivismo. As questões avaliam a compreensão de conceitos como a lei dos três estados (teológico, metafísico e positivo), a defesa do conhecimento baseado na observação e na verificação empírica e a rejeição de explicações metafísicas e teológicas para o entendimento da realidade.


3. Valorização do método científico e da observação empírica

É comum a cobrança do positivismo como filosofia que legitima a ciência como único caminho válido para o conhecimento. As provas costumam exigir a identificação da defesa da neutralidade científica, da objetividade e da aplicação de métodos das ciências naturais ao estudo da sociedade humana, destacando a busca por regularidades e leis gerais.


4. Positivismo e organização social

As questões frequentemente abordam a ideia de que o positivismo propõe uma ordem social fundamentada na ciência, no progresso e na racionalidade. Avalia-se a compreensão de que, para Comte, a sociedade deveria ser guiada por especialistas capazes de organizar o mundo social com base em princípios científicos, o que muitas vezes é associado ao ideal de ordem e progresso.


5. Críticas ao positivismo e limites da abordagem

Os vestibulares e o ENEM exploram críticas dirigidas ao positivismo, como o excesso de confiança na ciência, a crença em uma neutralidade impossível e o desprezo por dimensões subjetivas, culturais e simbólicas da vida social. As questões exigem a análise dos limites da abordagem positivista e das críticas feitas por correntes como o marxismo, a fenomenologia e a sociologia compreensiva.


6. Influência do positivismo na Filosofia e nas Ciências Sociais

As provas costumam cobrar o impacto do positivismo na formação das ciências sociais modernas, como a sociologia, e sua influência em políticas públicas, práticas administrativas e ideologias de modernização. Avalia-se a capacidade de reconhecer que, embora criticado, o positivismo contribuiu para a consolidação da ciência como referência central no pensamento ocidental e na interpretação da realidade social.

 

 



Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 16/01/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:

 

COTRIM, Gilberto e FERNANDES, Mirna,. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Editora Saraiva, 2017. 

 

CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2017. 

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

 

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