Maxixe



O que é o maxixe?


O maxixe é um gênero musical e também uma dança de salão que surgiu no Brasil no final do século XIX, considerado uma das primeiras expressões da música popular urbana brasileira. Caracterizado por seu ritmo sincopado e sensual, o maxixe é frequentemente visto como um elo entre a habanera, o lundu e os gêneros modernos do samba e do choro. Embora tenha sido, em seu tempo, alvo de preconceito das elites por seu caráter considerado ousado, o maxixe representou uma manifestação genuína da cultura afro-brasileira e da musicalidade popular urbana.



Origem do maxixe


O maxixe teve origem no Rio de Janeiro, por volta da década de 1870, em um contexto de grande efervescência cultural. Nascia do encontro entre a música africana trazida pelos povos escravizados e as danças europeias, especialmente a polca, que estava em voga nos salões aristocráticos da época. A fusão rítmica e gestual dessas matrizes culturais resultou em uma dança sensual, marcada por passos rápidos, voltas e giros.


O nome "maxixe" provém provavelmente de uma cidade homônima localizada em Moçambique, o que aponta para as conexões africanas do gênero. Ganhou grande popularidade entre as camadas populares, sendo posteriormente levada ao exterior, especialmente a Paris e aos Estados Unidos, onde passou a ser conhecida como "Brazilian tango".



Principais características do maxixe:


- Ritmo sincopado:
o maxixe apresenta uma base rítmica marcada pela síncope, elemento herdado das músicas de matriz africana, conferindo-lhe um balanço particular que o diferencia das danças europeias.


- Fusão cultural: representa a união de elementos musicais africanos, indígenas e europeus, com influências diretas do lundu, da polca, da habanera e da modinha.


- Instrumentação típica:
utilizava instrumentos como o violão, o cavaquinho, o bandolim, a flauta e, eventualmente, o piano e o pandeiro, todos muito presentes na música urbana do Brasil da virada do século XIX para o XX.


- Presença de dança sensual e movimentada:
o maxixe como dança era conhecido por sua intensidade corporal, com muitos giros, passos entrelaçados e movimentos próximos entre os pares, o que causava escândalo nos círculos sociais conservadores da época.


- Letra satírica e crítica: as canções de maxixe muitas vezes abordavam, com humor ou sarcasmo, questões do cotidiano, relações amorosas, desigualdade social e críticas veladas à elite.


- Espaço urbano popular:
o gênero floresceu nos cortiços, nas rodas de samba, nos cabarés e nas festas populares do Rio de Janeiro, sendo um reflexo da vida urbana da capital brasileira do período.

 

Figura mostrando quatro músicos tocando instrumentos muito usados no Maxixe

Músicos de maxixe com seus instrumentos musicais (ilustração).




Músicos e bandas de destaque na história do maxixe:



- Chiquinha Gonzaga: uma das figuras mais importantes na história do maxixe, foi compositora, pianista e regente. Sua obra “Gaúcho (Corta-Jaca)” é uma das peças mais emblemáticas do gênero. Chiquinha desafiou normas sociais e foi fundamental na legitimação do maxixe como expressão artística.


- Sinhô (José Barbosa da Silva):
apelidado de “o rei do samba”, também teve grande atuação no desenvolvimento do maxixe, criando composições populares que circulavam nas rodas musicais urbanas do início do século XX.


- Donga (Ernesto dos Santos): embora mais conhecido por sua contribuição ao samba, Donga também compôs maxixes e circulava nos mesmos ambientes que alimentavam o gênero. Sua obra se insere na linha de transição do maxixe para o samba urbano.


- Pixinguinha:
ainda que consagrado como um dos maiores nomes do choro, Pixinguinha produziu algumas peças com influência do maxixe e foi influenciado por ele, mostrando a fluidez entre os gêneros da música popular brasileira nascente.


- Bandas de música da época: agrupamentos como as bandas militares ou civis que animavam festas populares também interpretavam maxixes, ajudando a difundir o gênero pelos espaços urbanos do Rio de Janeiro e outras capitais.

 

Foto de Chiquinha Gonzaga

Chiquinha Gonzaga: um dos principais nomes da história do Maxixe.

 

 

Legado

 

O Maxixe deixou um legado fundamental para a música brasileira ao articular elementos rítmicos de origem africana com harmonias europeias, abrindo caminho para gêneros posteriores como o choro e o samba. Sua popularização nos salões e nas ruas do Rio de Janeiro no início do século XX contribuiu para a valorização da identidade nacional, rompendo com padrões eruditos e aproximando a criação musical das vivências cotidianas da população. Vale destacar também que a dança associada ao Maxixe estimulou inovações coreográficas que influenciaram estilos de salão e de rua em todo o país. Logo, o Maxixe não apenas consolidou características rítmicas que se tornariam marcas registradas da música brasileira, mas também reforçou um processo de hibridização cultural que viria a definir a riqueza e a diversidade do nosso patrimônio musical.

 



Por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 10/06/2025




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das Origens à Modernidade. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2013.

 

Vídeo indicado no YouTube:

 

História do Maxixe - Centro Cultural e do Bem-Estar de SPC


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