Tubarão


 

O que é o tubarão?

 

O tubarão é um peixe cartilaginoso pertencente à classe Chondrichthyes, amplamente distribuído pelos oceanos do planeta. Existem centenas de espécies, variando em tamanho, forma e comportamento, desde pequenos exemplares até grandes predadores como o tubarão-branco. São animais carnívoros, com sentidos altamente desenvolvidos, como o olfato e a percepção de campos elétricos. Exercem papel essencial nos ecossistemas marinhos, controlando populações e mantendo o equilíbrio da cadeia alimentar.

 

 

Principais características físicas:



Corpo fusiforme: o tubarão possui corpo alongado e hidrodinâmico, com formato adaptado para reduzir a resistência da água durante o nado. Essa característica permite deslocamento rápido e eficiente no ambiente marinho.


Esqueleto cartilaginoso: ao contrário de muitos peixes, o tubarão não possui esqueleto formado por ossos, mas por cartilagem. Esse material é mais leve e flexível, favorecendo a movimentação e a agilidade na água.


Pele áspera: a pele do tubarão é revestida por pequenas estruturas chamadas dentículos dérmicos, semelhantes a minúsculos dentes. Elas reduzem o atrito com a água e ajudam na proteção do corpo.


Nadadeiras desenvolvidas: os tubarões possuem nadadeiras peitorais, dorsais, pélvicas e caudal. A nadadeira caudal impulsiona o animal, enquanto as demais auxiliam na estabilidade, direção e equilíbrio durante o nado.


Mandíbulas fortes: muitos tubarões têm mandíbulas potentes, adaptadas à captura e ao corte de presas. A força da mordida varia conforme a espécie e está relacionada ao tipo de alimentação.


Dentes substituíveis: os dentes dos tubarões são constantemente renovados ao longo da vida. Quando um dente se desgasta ou cai, outro pode substituí-lo, garantindo eficiência na alimentação.


Fendas branquiais: os tubarões respiram por meio de brânquias, geralmente visíveis nas laterais da cabeça. Essas fendas permitem a passagem da água, de onde o oxigênio é retirado.


Olhos laterais: os olhos ficam posicionados nas laterais da cabeça, ampliando o campo de visão. Em algumas espécies, a visão é bem desenvolvida e auxilia na localização de presas.


Sentidos apurados: além da visão e do olfato, os tubarões possuem órgãos sensoriais capazes de perceber vibrações e campos elétricos produzidos por outros animais. Essa adaptação ajuda na caça, especialmente em águas escuras ou turvas.


Tamanho variável: o tamanho dos tubarões muda muito conforme a espécie. Existem espécies pequenas, com menos de um metro, e espécies gigantes, como o tubarão-baleia, que pode ultrapassar 12 metros de comprimento.

 

Foto de um tubarão-tigre nas águas do oceano

Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier): seu habitat é regiões de águas oceânicas de regiões tropicais e subtropicais.

 



Comportamento

 

O comportamento dos tubarões varia bastante conforme a espécie, o ambiente e o tipo de alimentação. De modo geral, muitos tubarões são predadores ativos, capazes de nadar longas distâncias em busca de alimento. Eles utilizam sentidos muito desenvolvidos, como olfato, visão, percepção de vibrações e sensibilidade a campos elétricos, para localizar presas mesmo em águas profundas, escuras ou turvas. Algumas espécies são solitárias, enquanto outras podem formar grupos em áreas de alimentação, reprodução ou migração.

Apesar de sua fama de animais agressivos, os tubarões não atacam seres humanos como parte natural de sua alimentação. A maioria das espécies evita contato com pessoas e desempenha papel importante no equilíbrio dos ecossistemas marinhos, controlando populações de peixes e outros organismos. Muitos tubarões apresentam comportamento migratório, deslocando-se entre diferentes regiões do oceano de acordo com a temperatura da água, a disponibilidade de alimento e os ciclos reprodutivos.

 



FASES DA REPRODUÇÃO E PÓS-NASCIMENTO:

 

A reprodução dos tubarões ocorre de forma interna e pode variar entre espécies, apresentando três tipos principais: ovípara, vivípara e ovovivípara. Abaixo, a reprodução é explicada em fases gerais, comuns à maioria das espécies:


1. Fase do acasalamento: a reprodução começa com o acasalamento, quando o macho introduz um dos seus órgãos reprodutores, chamados de clásperes, na cloaca da fêmea para realizar a fertilização interna. Esse processo geralmente ocorre após uma disputa entre machos ou cortejo, sendo muitas vezes agressivo.


2. Fase de desenvolvimento embrionário: após a fecundação, o desenvolvimento do embrião varia conforme a espécie. Em espécies ovíparas, os ovos são depositados no ambiente marinho envoltos por cápsulas resistentes. Nas espécies ovovivíparas, os ovos permanecem dentro do corpo da fêmea até a eclosão. Já nas vivíparas, os embriões se desenvolvem no útero e recebem nutrientes por meio de uma estrutura semelhante à placenta.


3. Fase do nascimento: nos ovíparos, os filhotes nascem após o rompimento da cápsula protetora no ambiente externo. Nas demais formas, os filhotes nascem diretamente do corpo da mãe, já plenamente formados e com comportamento independente, prontos para se alimentar e nadar.


4. Fase pós-nascimento: após o nascimento, não há cuidado parental. Os filhotes são completamente autônomos e devem buscar alimento e abrigo por conta própria, sendo muitos vulneráveis à predação nos primeiros estágios da vida.


Essas fases demonstram a diversidade reprodutiva dos tubarões, uma das características que contribuíram para sua permanência nos oceanos por centenas de milhões de anos.



 

Exemplos de espécies:

 


Tubarão-branco: é uma das espécies mais conhecidas e pode atingir cerca de 6 metros de comprimento. Vive principalmente em águas costeiras temperadas e é um predador de topo, alimentando-se de peixes, focas, leões-marinhos e outros animais marinhos. Possui corpo robusto, dentes grandes e serrilhados e grande capacidade de deslocamento.


Tubarão-tigre: recebe esse nome por causa das listras escuras presentes nos indivíduos jovens, que lembram o padrão de um tigre. É encontrado em mares tropicais e subtropicais e tem alimentação bastante variada, podendo consumir peixes, tartarugas, aves marinhas, crustáceos e restos orgânicos. Por isso, é considerado um predador oportunista.


Tubarão-baleia: é o maior peixe do mundo, podendo ultrapassar 12 metros de comprimento. Apesar do tamanho, não representa grande risco para os seres humanos, pois se alimenta principalmente por filtração, ingerindo plâncton, pequenos peixes e outros organismos microscópicos. Vive em águas tropicais e quentes.


Tubarão-martelo: caracteriza-se pela cabeça larga e achatada, em formato semelhante a um martelo. Essa forma amplia seu campo de visão e melhora a percepção de sinais elétricos emitidos por presas. Algumas espécies vivem em grupos e são encontradas em mares tropicais e subtropicais.


Tubarão-azul: possui corpo alongado, coloração azulada e grande capacidade de migração. Vive em mar aberto e pode percorrer longas distâncias pelos oceanos. Alimenta-se de peixes, lulas e outros animais marinhos. É uma espécie bastante associada às águas oceânicas.


Tubarão-mako: é conhecido por sua velocidade, sendo uma das espécies mais rápidas de tubarão. Tem corpo hidrodinâmico, dentes pontiagudos e grande agilidade na caça. Alimenta-se de peixes, lulas e, em alguns casos, animais maiores. Vive em águas tropicais e temperadas.


Tubarão-cabeça-chata: também chamado de tubarão-touro em alguns países, é conhecido por tolerar águas salobras e doces. Pode entrar em rios e estuários, o que o torna uma espécie adaptável a diferentes ambientes. Tem corpo forte, comportamento territorial em certas situações e alimentação variada.


Tubarão-lixa: apresenta comportamento mais tranquilo e costuma viver próximo ao fundo do mar, em áreas costeiras, recifes e águas rasas. Alimenta-se de pequenos peixes, crustáceos e moluscos. Possui corpo robusto e coloração geralmente acastanhada.


Tubarão-limão: recebe esse nome por causa da coloração amarelada ou castanho-clara, que ajuda na camuflagem em áreas arenosas. Vive em regiões costeiras tropicais, manguezais e recifes. Alimenta-se de peixes, crustáceos e outros pequenos animais marinhos.


Tubarão-duende: é uma espécie rara e de aparência incomum, encontrada em águas profundas. Possui focinho alongado e mandíbula projetável, usada para capturar presas rapidamente. Por viver em grandes profundidades, é pouco observado e ainda pouco conhecido em comparação com espécies costeiras.

 



Habitat e distribuição geográfica



Os tubarões vivem principalmente em ambientes marinhos, ocupando desde águas costeiras rasas até regiões oceânicas profundas. Algumas espécies são encontradas próximas a recifes de corais, estuários, plataformas continentais e áreas de mar aberto, enquanto outras habitam zonas profundas, onde há pouca luz e grande pressão. Embora sejam associados aos oceanos, algumas espécies também conseguem entrar em águas salobras e rios, como o tubarão-cabeça-chata, que pode nadar em ambientes de água doce por determinados períodos.


A distribuição geográfica dos tubarões é ampla, pois eles estão presentes em praticamente todos os oceanos do planeta. Existem espécies adaptadas a águas tropicais, temperadas e frias, dependendo de suas necessidades alimentares e reprodutivas. Regiões como o Oceano Pacífico, o Oceano Atlântico, o Oceano Índico e mares costeiros de diferentes continentes abrigam grande diversidade de tubarões. No Brasil, eles podem ser encontrados ao longo do litoral, especialmente em áreas costeiras, recifes, ilhas oceânicas e regiões de maior disponibilidade de alimento.

 

Tubarão martelo na água

Tubarão-martelo (Sphyrna spp.): risco de extinção.

 



CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:


Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Chondrichthyes

Subclasse: Elasmobranchii

Superordem: Selachimorpha




CURIOSIDADES:

 

- Os tubarões têm um sistema sensorial altamente desenvolvido chamado linha lateral, que detecta vibrações na água, permitindo que localizem presas mesmo em águas turvas ou à noite.


- Algumas espécies de tubarões, como o tubarão-duende (Mitsukurina owstoni), possuem mandíbulas extensíveis, que se projetam para capturar presas com eficiência.


- O fígado dos tubarões é enorme e rico em óleo, funcionando como uma reserva de energia e contribuindo para a flutuabilidade do animal.


- O tubarão-martelo (família Sphyrnidae) tem uma visão binocular ampliada devido ao formato peculiar de sua cabeça, permitindo uma percepção espacial mais ampla para localizar presas.


- Na Islândia, há um prato tradicional chamado hákarl, que consiste em carne fermentada de tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus). O processo de fermentação é necessário para remover as toxinas naturais presentes na carne crua, tornando-a segura para o consumo.

 

 

 

Infográfico sobre o tubarão
Infográfico sobre o tubarão com características e espécies

 

 



Artigo revisado por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências - graduada na Unesp, 2001
Atualizado em 19/05/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes:

 

https://www.sharks.org/species

 

https://www.britannica.com/animal/shark

 

 

Vídeo indicado no YouTube:


Os 10 MAIORES TUBARÕES do mundo !! Canal Você Sabia?


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