Quem eram os centauros
Na mitologia grega, os centauros eram seres mitológicos com corpo de cavalo e tronco e cabeça de ser humano. Viviam nas montanhas da Tessália (região central do território grego) e nos bosques das planícies da Arcádia (região central da Península do Peloponeso).
Eram filhos de Ixíon (rei dos Lápitas) e Néfele (deusa das nuvens).
As características principais dos centauros eram:
• Os centauros eram seres dotados de muita força física. Eram espécies de monstros, porém com algumas características humanas. De acordo com o imaginário mítico dos gregos antigos, a parte inferior dos centauros (cavalo) era a responsável pela força física, brutalidade e impulsos sexuais. Já a parte humana era mais racional, com capacidade de analisar e refletir. Portanto, eram seres que representavam conflitos típicos dos seres humanos: razão, emoção e violência.
• Aparecem em vários mitos e lendas, quase sempre associados a fatos envolvendo atos violentos e bárbaros.
• Na arte e literatura grega, os centauros simbolizavam frequentemente a natureza dual da humanidade, englobando aspectos tanto civilizados quanto bárbaros. Eles eram encarnações da natureza indomada e dos instintos primordiais.
• Os centauros apareciam em vários mitos gregos e, muitas vezes, estavam envolvidos em conflitos com humanos.
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| Centauro (1887) de John La Farge. |
Os centauros e os Lápitas
Um dos mitos mais conhecidos com a participação dos centauros fala sobre o casamento da princesa Hipodâmia e Pirítoo (rei dos lápitas). Os centauros foram convidados para o casamento, porém tentaram raptar a princesa, depois de ficarem embriagados de vinho. Os lápitas reagiram e teve início a uma grande guerra entre os centauros e os humanos. Grande parte dos centauros foi dizimada e alguns sobreviventes fugiram para as montanhas da Tessália.
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Pintura de um centauro (a direita) num vaso grego. |
O Centauro Quíron
Diferentemente de seus irmãos, Quíron era conhecido por sua sabedoria, bondade e habilidades médicas. Ele foi professor e mentor de muitos heróis gregos, incluindo Aquiles, Asclépio e Hércules. A linhagem de Quíron também era diferente, sendo ele filho do titã Cronos e da ninfa Filira.
Simbolismo
Na Mitologia Grega, os centauros simbolizavam, em geral, a dualidade da natureza humana, isto é, o conflito entre razão e instinto. Metade homem e metade cavalo, eles representavam a tensão entre o lado civilizado, racional e consciente do ser humano e seus impulsos mais primitivos, ligados à força, ao desejo e à violência. Em muitos mitos, os centauros aparecem como seres indisciplinados, impulsivos e associados aos excessos, especialmente ao vinho, à caça e aos comportamentos agressivos, o que reforçava seu valor simbólico como imagem da dificuldade de controlar os impulsos irracionais.
Entretanto, essa simbologia não era totalmente negativa, pois havia exceções importantes, como Quíron, o centauro sábio e justo. Diferente dos demais, Quíron representava a inteligência, a educação, a medicina e a moderação, tornando-se mestre de vários heróis gregos, como Aquiles, Jasão e Asclépio. Por isso, os centauros também podiam expressar a ideia de que a força instintiva não precisava ser destrutiva, mas poderia ser orientada pelo conhecimento e pela virtude. Assim, na cultura grega, os centauros funcionavam como figuras simbólicas complexas, ligadas tanto ao perigo da barbárie quanto à possibilidade de equilíbrio entre natureza e razão.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fonte:
https://en.wikipedia.org/wiki/Centaur
Vídeo indicado no YouTube:
Os Centauros na Mitologia Grega - Canal Foca na História