Revolução Pernambucana de 1817



O que foi

 

A Revolução Pernambucana foi uma revolta de caráter republicano, emancipacionista, nativista e liberal, que ocorreu na província de Pernambuco em 1817.

 

Contexto histórico

 

O contexto histórico da Revolução Pernambucana de 1817 esteve marcado pelas mudanças provocadas pela vinda da corte portuguesa ao Brasil em 1808, que centralizou poderes e recursos no Rio de Janeiro, gerando insatisfação em outras regiões. Em Pernambuco, essa concentração administrativa foi especialmente mal recebida, pois a província já possuía elites locais politicamente atuantes e afetadas pela crise econômica do açúcar desde o final do século XVIII. As dificuldades comerciais agravadas pelas Guerras Napoleônicas (1803–1815) e as pesadas exigências fiscais do governo joanino acentuaram o descontentamento de produtores, comerciantes e militares.

No plano social e intelectual, Pernambuco vivia tensões decorrentes da desigualdade social e da circulação de ideias iluministas e republicanas, fortalecidas por contatos exteriores e pelo impacto de movimentos anteriores, como a Inconfidência Mineira de 1789 e a Conjuração Baiana de 1798. Esse ambiente estimulou setores militares, religiosos e civis a defenderem maior autonomia provincial e a ruptura com o modelo monárquico português, criando as condições que levaram ao desencadeamento da Revolução Pernambucana em março de 1817.



Principais causas da Revolução Pernambucana:

 

A insatisfação da população de Pernambuco com os elevados gastou feitos no Rio de Janeiro (sede da corte), enquanto Pernambuco estava passando por grave crise em função da forte seca de 1816. Vale lembrar que a corte portuguesa estava instalada no Rio de Janeiro desde 1808 e Pernambuco tinha que enviar elevados valores (impostos e taxas arrecadados) para bancar a sede da corte. Apesar de ser uma província rica, Pernambuco ficava com poucos recursos.

 

Com pouco dinheiro em caixa, o governo da província de Pernambuco tinha poucos recursos para investir na região e pagar os salários dos funcionários públicos. Os soldados, por exemplo, estavam muito insatisfeitos com os frequentes atrasos salariais.

 

Influências dos ideais do liberalismo, que chegaram às camadas médias e altas da sociedade pernambucana, principalmente entre os maçons. Entre os ideais liberais, os que mais estavam presentes eram aqueles que defendiam a autonomia e criticavam o absolutismo e o centralismo político.

 

Ocupação de cargos públicos por portugueses, deixando os brasileiros de lado.

 

Grande insatisfação dos comerciantes pernambucanos e da elite agrária, que não aceitavam os elevados impostos e o controle exercido pela corte portuguesa sobre seus negócios.

 

Havia também em Pernambuco um forte sentimento de patriotismo na população, principalmente em Recife e Olinda. Além disso, o sentimento antilusitano também era significativo.

 

Como havia muita pobreza na região, as pessoas mais pobres também apoiaram e participaram do movimento.

 

Os comerciantes portugueses, que tinham privilégios concedidos pela corte, não participaram da revolta e ainda se colocaram contra.

 

Embora Pernambuco tenha sido o centro do movimento, ele se estendeu por outras províncias do Nordeste (Paraíba, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte).

 

Pintura mostrando um padre benzendo a bandeira da Revolução Pernambucana

Benção das bandeiras da Revolução Pernambucana (pintura de Antônio Parreiras).

 

 

Principais líderes:

 

- Domingos José Martins – comerciante capixaba, que morara e tinha negócios em Pernambuco.

- Padre João Ribeiro – padre pernambucano.

- Vigário Tenório – religioso pernambucano.

- Domingos Teotônio Jorge – militar pernambucano.

- Frei Caneca – político e religioso católico.

- José de Barros Lima – militar pernambucano.

- José Luís de Mendonça – advogado pernambucano.

- Manuel Correia de Araújo – fazendeiro e senhor de engenho pernambucano.

 

 

Objetivos dos revolucionários:

 

- Independência do Brasil em relação a Portugal. Se não fosse possível, a libertação do Nordeste em relação à metrópole.

- Instalação no Brasil de uma república liberal.

- Criação de uma Constituição, que teria os ideais liberais como princípios básicos.

 

 

Como ocorreu a revolta


Sob a liderança de comerciantes, militares, juízes e religiosos católicos, o movimento eclodiu em 6 de março de 1817, logo após o governador da província (pró D. João) mandar prender pessoas suspeitas de estarem planejando uma revolta.

Os líderes da revolta dominaram o Palácio do Governo e prenderam o governador pernambucano. Logo em seguida, criaram um governo provisório de caráter republicano. Decretaram a igualdade de direitos, a liberdade de imprensa, a tolerância de crenças e o fim dos impostos sobre os produtos de primeira necessidade (principalmente alimentos). Porém, a abolição da escravidão não foi decretada. Vale lembrar que muitos revoltosos eram ricos proprietários rurais e possuíam escravizados.

 

Consequências, repressão e o fim da revolta:

 

Quando a notícia da revolta chegou ao Rio de Janeiro, Dom João VI resolveu responder rapidamente com o enviou de tropas para Pernambuco. Com apoio de comerciantes portugueses, os soldados foram para enfrentar os revoltosos, que bateram em retirada para o interior da província.

As tropas do governo ocuparam Recife e foram atrás dos revoltosos. Após dois meses de violentos combate, os revoltosos foram vencidos. Os líderes foram presos e muitos condenados à morte.

 

A repressão após a revolta prejudicou a economia de Pernambuco, que já estava em dificuldades devido a fatores como a queda nos preços do açúcar, principal produto de exportação da região.

 

A revolução também estabeleceu um precedente para futuras revoltas no Brasil, incluindo a Confederação do Equador em 1824, que foi fortemente influenciada pelos ideais da Revolução Pernambucana.


Conclusão

 

Embora não tenha atingido seus objetivos, a Revolução Pernambucana teve grande importância na política brasileira do começo do século XIX. Foi um importante movimento de contestação às injustiças sociais, políticas e econômicas exercidas pelo governo de D. João, principalmente na região Nordeste. Simbolizou também a entrada dos ideais liberais e a luta pela liberdade no Brasil. Tanto que esse movimento é considerado, por muitos historiadores, como o embrião da Independência do Brasil, que se concretizou em 1822.


Curiosidades históricas:

 

- Como havia grande participação de sacerdotes católicos no movimento, a revolução ficou conhecida também como Revolução dos Padres.

 

- Os revolucionários tentaram obter apoio dos EUA, Reino Unido e até Argentina. Porém, não obtiveram sucesso.

Revoltosos tomando o Palácio do Governo de Pernambuco

Revoltosos tomando o Palácio do Governo de Pernambuco no início do movimento revolucionário.

 

 


 

 

RESUMO

 

Contexto histórico da Revolução Pernambucana de 1817

- Inserção do Brasil no contexto das reformas administrativas iniciadas após a vinda da corte portuguesa em 1808.
- Crescente insatisfação nas capitanias do Norte, especialmente em Pernambuco, devido à crise econômica provocada pela queda do açúcar e pela cobrança de altos impostos.
- Presença de grupos ilustrados e sociedades secretas influenciados por ideias liberais e experiências revolucionárias externas.
- Tensão política ampliada pelo descontentamento de militares, comerciantes e proprietários rurais com o centralismo da monarquia portuguesa.


Causas do movimento

- Rejeição ao autoritarismo e à exclusão política imposta pela administração portuguesa.
- Pesada carga tributária que prejudicava a economia local e favorecia comerciantes ligados à metrópole.
- Difusão de ideais republicanos, laicos e liberais entre militares e setores urbanos.
- Desigualdade econômica regional e marginalização das capitanias do Norte em relação ao Rio de Janeiro.


Eclosão e desenvolvimento da revolução (1817)

- Início do movimento em março de 1817 com a adesão de militares e civis radicalizados.
- Formação de um governo provisório republicano em Pernambuco.
- Adoção de medidas como liberdade religiosa, abertura comercial e reorganização administrativa.
- Alastramento inicial do movimento para outras áreas do Nordeste, como Paraíba e Rio Grande do Norte.


Organização política e propostas

- Instalação de um regime republicano e laico, rompendo com a autoridade da monarquia portuguesa.
- Elaboração de políticas voltadas à redução de impostos e estímulo ao comércio regional.
- Defesa de maior autonomia administrativa e participação política ampliada.
- Participação de intelectuais, militares e comerciantes no governo revolucionário.


Repressão e desfecho

- Resposta rápida da Coroa portuguesa, que enviou tropas e restabeleceu o controle em poucos meses.
- Captura e execução de líderes do movimento, como Domingos José Martins e Padre Roma.
- Desmonte das instituições republicanas e retomada do controle político pela metrópole.
- Retorno do regime monárquico com maior vigilância sobre Pernambuco e regiões vizinhas.


Importância histórica da Revolução Pernambucana

- Primeiro movimento emancipacionista no Brasil a instaurar um governo republicano de fato.
- Marco na difusão das ideias liberais, republicanas e anticentralizadoras no território brasileiro.
- Referência para movimentos posteriores, como a Confederação do Equador (1824).
- Demonstração da persistente tensão entre interesses regionais e o centralismo político da monarquia portuguesa.

 

 

 


 

 

Dicas do professor Jefferson: Como esse tema costuma ser cobrado em Vestibulares e ENEM?



1. Contexto do Brasil joanino e insatisfação em Pernambuco

A Revolução Pernambucana de 1817 costuma ser cobrada a partir do descontentamento provocado pelas políticas do governo joanino após 1808. As questões exigem a compreensão dos altos impostos, da crise econômica regional, da presença de tropas portuguesas e do sentimento de marginalização política das elites locais.


2. Influência das ideias iluministas e do liberalismo

Os vestibulares e o ENEM frequentemente exploram a influência do Iluminismo, do liberalismo e das experiências republicanas externas. As questões avaliam a compreensão de como essas ideias estimularam setores da sociedade pernambucana a defender autonomia, participação política ampliada e ruptura com o absolutismo português.


3. Participação de diversos grupos sociais no movimento

É comum a cobrança da composição social heterogênea da revolução. As provas costumam exigir a identificação da presença de militares, comerciantes, sacerdotes, intelectuais e segmentos urbanos que apoiaram a causa republicana, demonstrando que o movimento não foi restrito a um único grupo.


4. Proclamação da República em Pernambuco e medidas adotadas

As questões frequentemente abordam o curto período republicano instaurado pelos revolucionários. Avalia-se a compreensão das medidas político-administrativas adotadas, como reorganização de cargos, abertura comercial e esforços para legitimar o novo governo perante outras províncias.


5. Repressão portuguesa e derrota do movimento

Os vestibulares e o ENEM exploram a reação rápida e severa da Coroa portuguesa. As questões exigem a análise da mobilização de tropas, do cerco às lideranças e da execução de participantes, evidenciando o objetivo de reprimir duramente qualquer ameaça à autoridade monárquica.


6. Significado histórico e caráter republicano da revolução

As provas costumam cobrar a importância da Revolução Pernambucana como um dos primeiros movimentos explicitamente republicanos do Brasil. Avalia-se a compreensão de seu papel precursor nas lutas pela autonomia, pela liberdade política e pela contestação da ordem colonial e monárquica.


7. Relação com outros movimentos emancipacionistas da época

As questões frequentemente situam a Revolução de 1817 em comparação com outros movimentos, como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. Avalia-se a capacidade de identificar diferenças em composição social, objetivos, contexto político e grau de radicalismo de cada movimento.


8. Impactos regionais e memória histórica

Os vestibulares e o ENEM também exploram os efeitos duradouros do movimento para Pernambuco. As questões exigem a identificação da construção de uma forte memória regional em torno da revolução, vista como expressão de autonomia, resistência política e identidade pernambucana.




 

Artigo publicado em: 29/07/2021 e atualizado em 30/01/2026

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:

 

BUENO, Eduardo. Brasil, uma História. São Paulo: Leya, 2018.


FLORES, Moacyr. Dicionário de História do Brasil. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA - EDUARDO BUENO (Canal Buenas Ideias)

 


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