Guerra dos Farrapos


 

O que foi 

 

Também conhecida como Revolução Farroupilha, A Guerra dos Farrapos foi um conflito regional contrário ao governo imperial brasileiro e com caráter republicano. Ocorreu na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, entre 20 de setembro de 1835 a 1 de março de 1845.

 

Contexto histórico

 

A Guerra dos Farrapos ocorreu contexto do Período Regencial e dos primeiros anos do Segundo Reinado no Brasil. Naquele momento, o Império enfrentava forte instabilidade política, disputas entre grupos locais e o governo central, além de revoltas em várias províncias. No Rio Grande do Sul, a elite estancieira e produtora de charque estava insatisfeita com os altos impostos cobrados pelo governo imperial e com a concorrência do charque produzido no Uruguai e na Argentina, que chegava ao mercado brasileiro com preços mais baixos. Também havia críticas ao centralismo político do Império, pois muitos líderes gaúchos defendiam maior autonomia provincial. Nesse ambiente de tensão econômica, política e regional, os farroupilhas se rebelaram contra o governo imperial, proclamando a República Rio-Grandense em 1836 e, posteriormente, apoiando a criação da República Juliana em Santa Catarina, em 1839.


Causas principais da Guerra dos Farrapos:

 


Descontentamento político com o governo imperial brasileiro

Uma das principais causas da Guerra dos Farrapos foi o descontentamento de grupos políticos e econômicos do Rio Grande do Sul com o governo imperial brasileiro. Durante o Período Regencial, iniciado em 1831, o Brasil enfrentava forte instabilidade política, revoltas provinciais e disputas entre diferentes projetos de organização do Estado. No caso dos rio-grandenses, havia a percepção de que o governo central tomava decisões sem considerar adequadamente os interesses da província.


Busca por maior autonomia provincial

Os liberais farroupilhas defendiam maior autonomia para as províncias, ou seja, queriam que os governos locais tivessem mais poder para decidir sobre impostos, administração, forças militares e assuntos econômicos. Essa reivindicação estava ligada à crítica ao centralismo político do Império, que concentrava muitas decisões no Rio de Janeiro. Para os líderes farroupilhas, o Rio Grande do Sul contribuía economicamente para o Império, mas recebia pouca atenção em troca.


Altos impostos sobre produtos importantes da economia gaúcha

A economia do Rio Grande do Sul era fortemente ligada à pecuária, à produção de couro e, principalmente, ao charque, carne salgada muito consumida no Brasil naquele período. Os produtores locais reclamavam dos altos impostos cobrados sobre esses produtos, pois consideravam que a carga tributária prejudicava seus lucros e reduzia a competitividade da economia regional. Esse problema aumentou a insatisfação da elite estancieira, formada por grandes proprietários rurais e criadores de gado.


Concorrência do charque estrangeiro

Outro fator importante foi a concorrência do charque produzido no Uruguai e na Argentina. Esses produtos chegavam ao mercado brasileiro com preços mais baixos, o que dificultava a venda do charque produzido no Rio Grande do Sul. Os farroupilhas criticavam o governo imperial por não proteger suficientemente a produção gaúcha, já que esperavam medidas que favorecessem os produtores nacionais, como tarifas mais altas sobre o produto estrangeiro.


Interesses da elite estancieira

A Guerra dos Farrapos também esteve ligada aos interesses da elite estancieira rio-grandense. Muitos líderes do movimento eram grandes proprietários de terras, criadores de gado, militares ou comerciantes ligados à economia regional. Eles buscavam maior influência política e melhores condições econômicas para suas atividades. Por isso, a revolta não foi apenas uma reação popular, mas também um movimento conduzido por grupos poderosos da província.


Insatisfação militar e fronteiriça

O Rio Grande do Sul era uma região de fronteira, marcada por conflitos militares, disputas territoriais e relações constantes com os países platinos. A população local, especialmente os estancieiros e combatentes acostumados à vida militar, considerava que defendia uma área estratégica para o Império, mas não recebia reconhecimento proporcional do governo central. Essa situação aumentou o sentimento de abandono e fortaleceu o apoio à revolta.


Influência das ideias liberais e republicanas

As ideias liberais e republicanas também influenciaram parte dos farroupilhas. Em um contexto de debates sobre maior liberdade política, representação provincial e autonomia administrativa, alguns líderes passaram a defender projetos mais radicais contra o centralismo imperial. A proclamação da República Rio-Grandense, em 1836, demonstrou que a revolta ultrapassou a simples reivindicação econômica e assumiu também um caráter político separatista em determinado momento do conflito.


Os desdobramentos do conflito

 

• Em setembro de 1835, os revolucionários, comandados por Bento Gonçalves, tomaram a cidade de Porto Alegre, forçando a retirada das tropas imperiais da região.

 

• Prisão do líder Bento Gonçalves em 1835. A liderança do movimento passa para as mãos de Antônio de Souza Neto.

 

• Em 1836, os farroupilhas conquistam várias vitórias diante das forças imperiais.

 

• Em 11 de setembro de 1836 é proclamada, pelos revoltosos, a República Rio-Grandense. Mesmo na prisão, os farroupilhas declaram Bento Gonçalves presidente.

 

• No ano de 1837, após fugir da prisão, Bento Gonçalves assume de fato a presidência da recém-criada República Rio-Grandense.

 

• Em 24 de julho de 1839, os farroupilhas proclamam a República Juliana, na região do atual estado de Santa Catarina.

 

Cavalaria Farroupilha na Guerra dos Farrapos

Cavalaria Farroupilha (pintura de Guilherme Litran).



O fim da guerra e consequências principais:

 

• Em 1842, o governo imperial nomeou Duque de Caxias (Luiz Alves de Lima e Silva) para comandar uma ação com objetivo de finalizar o conflito separatista no sul do Brasil.

 

• Em 1845, após vários conflitos militares, enfraquecidos, os farroupilhas aceitaram o acordo proposto por Duque de Caxias e a Guerra dos Farrapos terminou. A República Rio-Grandense foi reintegrada ao Império brasileiro.


• Morreram cerca de 3 mil pessoas na Guerra dos Farrapos.

 

Obra A batalha dos Farrapos de Wasth Rodrigues

Obra A batalha dos Farrapos, do artista Wasth Rodrigues. Data da obra: 1937.

 


 




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 01/07/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência:

 

Garibaldi e a Guerra dos Farrapos


SPALDING, Walter (1963). A epopeia farroupilha. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora.

 

DOLHNIKOFF, Miriam. História do Brasil Império. São Paulo: Contexto, 2017.



Vídeo indicado no YouTube:


- Guerra dos Farrapos | Canal Nerdologia

 


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