Revolta dos Boxers


 

O que foi

 

Também conhecida como Guerra dos Boxers ou Rebelião dos Boxers, foi um movimento popular de caráter anticolonialista, que ocorreu na China, na virada do século XX (1899 a 1901). Neste movimento, várias organizações populares lutaram contra a influência colonialista estrangeira no comércio, na política e na religião.




Antecedentes: as principais causas


No final do século XIX, os países ocidentais e o Japão tinham grande controle sobre as políticas econômicas na China e um significativo controle territorial e comercial ao norte do país. Os camponeses desta área sofriam economicamente, e acabaram culpando os estrangeiros por isso.




A rebelião


No final da década de 1890, os boxers, membros de uma sociedade formada por camponeses do norte da China, começaram a atacar missionários cristãos, cristãos chineses e estrangeiros. Esses ataques acabaram se espalhando para a capital, Pequim, em junho de 1900, com a destruição de estações ferroviárias e igrejas. A área onde viviam os diplomatas estrangeiros também foi sitiada. A imperatriz Tzu’u Hzi apoiou os rebelados, declarando guerra a todos os países estrangeiros que mantinham relações diplomáticas com a China.


Em agosto de 1900, aliados de vários países saíram do norte da China para tomar Pequim e sufocar a rebelião, que terminou oficialmente em setembro de 1901, com a assinatura do Protocolo Boxer. Ele determinava a punição dos envolvidos e exigia que a China pagasse indenizações de milhões de dólares aos países afetados.

 

A China só conseguiu se livrar, em definitivo, da presença imperialista estrangeira em 1949, através da Revolução Comunista, liderada por Mao Tsé-tung.



Consequências principais da revolta:

 


• A Rebelião enfraqueceu a Dinastia Qing, exacerbando conflitos internos e acelerando seu colapso em 1911. Isso marcou o fim de mais de dois mil anos de governo imperial na China e levou ao estabelecimento da República da China.


• A Rebelião levou a uma intervenção militar por uma coalizão de oito nações estrangeiras, incluindo Japão, Rússia, Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Áustria-Hungria. Essa intervenção resultou em um aumento da presença e influência estrangeira na China, erodindo ainda mais a soberania chinesa.


• Após a repressão da Rebelião, o governo Qing foi forçado a assinar o Protocolo dos Boxers. Esse acordo impôs penalidades severas à China, incluindo indenizações (uma grande soma em dinheiro), novos tratados comerciais que favoreciam as potências estrangeiras e o direito de tropas estrangeiras estarem estacionadas em Pequim e outros locais-chave.


• As indenizações impuseram um pesado fardo financeiro ao governo e ao povo chinês, contribuindo para dificuldades econômicas e desestabilizando ainda mais a Dinastia Qing.


• A Rebelião e suas consequências intensificaram o sentimento antiestrangeiro entre a população chinesa, mas também levaram alguns reformadores chineses a buscar a modernização e adoção de ideias e tecnologias ocidentais, preparando o palco para futuras reformas.


• O evento marcou um momento significativo nas relações Leste-Oeste, destacando as crescentes disparidades de poder entre a China e as nações ocidentais no início do século XX. Também demonstrou a capacidade das potências estrangeiras colaborarem em seu interesse mútuo contra nações não ocidentais.


• A memória da Rebelião dos Boxers influenciou o nacionalismo chinês e contribuiu para a narrativa de "século de humilhação" nas mãos das potências estrangeiras. Essa história continua a impactar a política externa da China e suas relações com países ocidentais.



Curiosidade histórica:

 

O nome da rebelião está relacionado com o fato de muitos revoltosos praticarem o "boxe chinês", conhecido como kung fu. Eles faziam parte de uma sociedade secreta chinesa conhecida como Punhos Harmoniosos e Justiceiros. Esse grupo foi a principal liderança da Revolta dos Boxers.

 

Cartaz de propaganda dos boxers

Cartaz de propaganda dos boxers mostrando um atentado contra uma base estrangeira.

 

 

 


 

 

Dicas do professor: Como esse tema costuma ser cobrado em provas escolares, vestibulares e ENEM?



1. Contexto do imperialismo europeu e japonês na China (século XIX e início do século XX).

A Revolta dos Boxers costuma aparecer associada ao avanço imperialista sobre a China ao longo do século XIX, especialmente após as Guerras do Ópio (1839 a 1842 e 1856 a 1860). As questões exigem a compreensão da perda de soberania chinesa, da imposição de tratados desiguais e da presença de potências estrangeiras, como Inglaterra, França, Alemanha, Rússia, Estados Unidos e Japão, em portos e regiões estratégicas do território chinês.



2. Caracterização do movimento dos Boxers e seus objetivos.

As provas frequentemente solicitam a identificação dos Boxers como um movimento de caráter nacionalista, popular e xenófobo, formado majoritariamente por camponeses e artesãos. Destaca-se a oposição à presença estrangeira, às missões cristãs e às influências culturais ocidentais, bem como a tentativa de restaurar valores tradicionais chineses frente às transformações impostas pelo imperialismo.



3. Relação entre o governo chinês e a Revolta dos Boxers.

É comum a cobrança da postura ambígua da dinastia Qing durante a revolta, especialmente no período de 1899 a 1901. As questões costumam abordar o apoio inicial de setores da corte imperial ao movimento, seguido da derrota militar e da submissão do governo chinês às potências estrangeiras após a repressão internacional ao levante.



4. Intervenção das potências estrangeiras e repressão ao movimento (1900 a 1901).

Os vestibulares e o ENEM frequentemente enfatizam a atuação da coalizão internacional formada por oito países que intervieram militarmente na China para reprimir a Revolta dos Boxers. A análise costuma envolver a violência da repressão, a ocupação de Pequim e as consequências políticas e econômicas impostas ao Estado chinês após a derrota do movimento.



5. Consequências políticas, econômicas e simbólicas para a China.

As provas exploram os impactos da revolta, como o aprofundamento da dependência externa, o pagamento de indenizações às potências estrangeiras e o enfraquecimento definitivo da dinastia Qing, processo que contribuiu para a crise do regime imperial e para os acontecimentos que culminaram na Revolução Chinesa de 1911. Também se cobra a interpretação da revolta como expressão da resistência ao imperialismo no contexto asiático.



6. Comparações com outros movimentos de resistência ao imperialismo no século XIX.

É recorrente a associação da Revolta dos Boxers a outros movimentos anticoloniais ocorridos na África e na Ásia durante o século XIX e início do século XX. As questões avaliam a capacidade de relacionar o episódio chinês a um quadro mais amplo de resistência local às potências imperialistas, destacando semelhanças e diferenças quanto aos objetivos, à organização e aos resultados desses movimentos.

 

 




Revisado por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fonte de referência do texto:

DANTAS, José. História Geral. São Paulo: Moderna, 1995.

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

A Revolta dos Boxers na China - Canal Nerdologia

 


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