As primeiras buscas por petróleo no Brasil
A história do petróleo no Brasil começou antes da confirmação de reservas comercialmente exploráveis. No final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, pesquisadores, engenheiros, empresários e representantes do Estado realizaram levantamentos geológicos em várias regiões do país. Havia interesse em encontrar petróleo porque esse recurso energético já se tornava fundamental para a indústria, os transportes e a modernização econômica mundial.
Nesse período inicial, as pesquisas eram limitadas por dificuldades técnicas, falta de equipamentos especializados e pouco conhecimento sobre as bacias sedimentares brasileiras. Mesmo assim, as primeiras perfurações ajudaram a formar uma base de estudos sobre o subsolo nacional. A busca por petróleo também ganhou importância política, pois muitos setores defendiam que o Brasil precisava reduzir sua dependência de combustíveis importados.
A descoberta de petróleo em Lobato, na Bahia
O marco inicial da produção petrolífera brasileira ocorreu em 1939, quando foi encontrado petróleo em Lobato, bairro de Salvador, na Bahia. A descoberta não representou uma grande produção comercial, mas teve enorme valor histórico e simbólico. Ela demonstrou que havia petróleo no território brasileiro e fortaleceu a ideia de que o país poderia desenvolver uma indústria petrolífera própria.
A descoberta em Lobato estimulou novas pesquisas no Recôncavo Baiano, uma das primeiras áreas de exploração petrolífera do Brasil. A partir desse momento, o petróleo passou a ocupar espaço maior nos debates sobre desenvolvimento nacional, industrialização e soberania econômica. A Bahia tornou-se, assim, uma região pioneira na história da exploração de petróleo no país.
O nacionalismo econômico e a campanha “O petróleo é nosso”
Nas décadas de 1940 e 1950, o petróleo tornou-se um tema central no debate político brasileiro. O país vivia um período de crescimento urbano, expansão industrial e maior consumo de energia. Nesse contexto, setores nacionalistas passaram a defender que a exploração do petróleo deveria ficar sob controle do Estado brasileiro, evitando que empresas estrangeiras dominassem um recurso considerado estratégico.
A campanha “O petróleo é nosso” expressou essa defesa da soberania nacional sobre as reservas petrolíferas. Ela reuniu políticos, militares, estudantes, intelectuais, sindicatos e parte da sociedade civil em torno da ideia de que o petróleo não deveria ser tratado apenas como uma mercadoria, mas como um elemento essencial para o desenvolvimento econômico do país.
A criação da Petrobras em 1953
A criação da Petrobras ocorreu em 1953, durante o governo de Getúlio Vargas. A empresa foi fundada para organizar a exploração, produção, refino, transporte e comercialização do petróleo no Brasil. Sua criação representou uma vitória dos grupos que defendiam a participação direta do Estado na economia e o controle nacional sobre setores estratégicos.
A Petrobras tornou-se uma das principais empresas brasileiras e passou a desempenhar papel decisivo na formação de técnicos, engenheiros, geólogos e trabalhadores especializados. A empresa também foi importante para a criação de infraestrutura energética, refinarias, oleodutos, terminais e centros de pesquisa. Sua atuação esteve diretamente ligada ao projeto de industrialização do Brasil na segunda metade do século XX.
A exploração terrestre e o papel do Recôncavo Baiano
Durante as primeiras décadas da exploração petrolífera brasileira, a produção concentrou-se em áreas terrestres, principalmente no Recôncavo Baiano. Essa região foi fundamental para o aprendizado técnico da indústria nacional de petróleo. Ali foram desenvolvidas experiências de perfuração, extração, transporte e processamento que serviram de base para etapas posteriores.
A exploração terrestre também contribuiu para transformar a economia regional. Cidades baianas passaram a receber investimentos, trabalhadores especializados e novas atividades econômicas associadas ao setor petrolífero. Embora a produção dessas áreas tenha se tornado menos expressiva com o avanço da exploração marítima, sua importância histórica permanece central.
A expansão da exploração marítima
A partir da segunda metade do século XX, o Brasil passou a investir cada vez mais na exploração de petróleo em áreas marítimas. Essa mudança foi fundamental porque muitas das principais reservas brasileiras estão localizadas na plataforma continental, em regiões submersas próximas ao litoral. A exploração offshore exigiu novas tecnologias, embarcações especializadas, plataformas marítimas e sistemas de transporte por oleodutos.
A passagem da exploração terrestre para a marítima representou um avanço técnico considerável. O país precisou desenvolver conhecimento para perfurar em águas profundas e, posteriormente, em águas ultraprofundas. Essa experiência tornou a Petrobras uma referência internacional em tecnologia de exploração marítima.
A Bacia de Campos e o crescimento da produção nacional
A Bacia de Campos, localizada principalmente no litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, tornou-se uma das áreas mais importantes da história do petróleo no Brasil. Sua exploração ganhou força a partir da década de 1970 e transformou profundamente a produção nacional. Com ela, o Brasil aumentou sua capacidade de extrair petróleo em grande escala.
Essa bacia foi decisiva para reduzir a dependência brasileira de importações. Durante muito tempo, o país consumia mais petróleo do que produzia, o que gerava forte pressão sobre a balança comercial. A expansão da produção na Bacia de Campos ajudou o Brasil a avançar em direção à autossuficiência e consolidou o domínio nacional sobre tecnologias de exploração em águas profundas.
O petróleo e as crises energéticas internacionais
A história do petróleo no Brasil também foi influenciada pelas crises internacionais do petróleo. Em 1973 e 1979, os preços do barril subiram fortemente no mercado mundial, afetando países importadores, como o Brasil. Como o país ainda dependia de parte significativa do petróleo externo, essas crises provocaram inflação, aumento dos custos de produção e dificuldades na economia.
Essas crises estimularam políticas de diversificação energética e de busca por novas reservas. O Brasil investiu na exploração marítima, no desenvolvimento de combustíveis alternativos e em programas como o Proálcool, criado em 1975, que incentivou o uso do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. Portanto, o petróleo não pode ser analisado apenas como recurso mineral, mas também como elemento ligado à geopolítica, à economia e à segurança energética.
A abertura do setor petrolífero na década de 1990
Durante a década de 1990, o setor petrolífero brasileiro passou por mudanças importantes. O monopólio estatal da Petrobras foi flexibilizado, permitindo a participação de empresas privadas e estrangeiras em atividades de exploração e produção. Essa mudança esteve associada ao contexto de reformas econômicas, abertura de mercados e redefinição do papel do Estado na economia.
Em 1997, foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável por regular, fiscalizar e organizar o setor. A partir desse período, a exploração passou a ocorrer por meio de leilões, concessões e contratos envolvendo diferentes empresas. Mesmo com essa abertura, a Petrobras continuou sendo a principal empresa do setor no Brasil.
A descoberta do pré-sal
A descoberta do pré-sal, anunciada na década de 2000, representou uma nova fase da história do petróleo no Brasil. O pré-sal corresponde a grandes reservas localizadas em águas profundas e ultraprofundas, abaixo de espessas camadas de sal. Essas reservas estão principalmente nas Bacias de Santos e Campos, em áreas do litoral Sudeste.
O grande destaque inicial foi o campo de Tupi, depois chamado de Lula, descoberto em 2006. A partir dessa descoberta, o Brasil passou a ser visto como uma das regiões mais promissoras do mundo para a produção de petróleo. O pré-sal ampliou as reservas nacionais, fortaleceu o papel estratégico da Petrobras e colocou o país em posição de destaque no mercado energético global.
O pré-sal e a nova posição do Brasil no mercado mundial
Com o avanço da exploração do pré-sal, o Brasil aumentou expressivamente sua produção de petróleo. Campos como Tupi, Búzios e Mero tornaram-se fundamentais para a produção nacional. O petróleo extraído nessas áreas apresenta boa qualidade e grande volume, o que reforçou a importância econômica do setor.
A produção do pré-sal também ampliou a arrecadação de royalties e participações especiais para governos municipais, estaduais e federal. No entanto, essa concentração de recursos em áreas produtoras também gerou debates sobre distribuição regional da renda petrolífera, dependência econômica de royalties e planejamento de longo prazo.
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| Infográfico sobre os principais momentos da história do Petróleo no Brasil. |
Linha do tempo da História do petróleo no Brasil
1858: o imperador Dom Pedro II autorizou pesquisas para a exploração de carvão, turfa e betume na região de Ilhéus, na Bahia. Embora ainda não houvesse produção petrolífera, esse momento marcou uma das primeiras iniciativas oficiais ligadas à busca por substâncias combustíveis no subsolo brasileiro.
Final do século XIX: ocorreram tentativas isoladas de encontrar petróleo em diferentes regiões do Brasil. Essas iniciativas ainda eram tecnicamente limitadas, pois o país não possuía conhecimento geológico suficiente nem equipamentos adequados para grandes perfurações.
Décadas de 1910 e 1920: as pesquisas geológicas se intensificaram em áreas sedimentares brasileiras. O petróleo passou a ser visto como recurso estratégico, principalmente porque a industrialização e os transportes dependiam cada vez mais de combustíveis derivados do óleo mineral.
1938: foi criado o Conselho Nacional do Petróleo, durante o governo de Getúlio Vargas. O órgão passou a controlar e orientar as atividades ligadas à pesquisa, exploração, refino, importação e distribuição de petróleo no Brasil.
1939: foi encontrado petróleo em Lobato, bairro de Salvador, na Bahia. A descoberta não gerou grande produção comercial, mas confirmou a existência de petróleo no território brasileiro e tornou-se um marco histórico da exploração nacional.
Década de 1940: o Recôncavo Baiano tornou-se a principal área de pesquisa e produção inicial de petróleo no Brasil. A região ajudou a formar técnicos, trabalhadores e infraestrutura básica para a nascente indústria petrolífera nacional.
1941: foi descoberto o campo de Candeias, na Bahia, considerado o primeiro campo comercial de petróleo do Brasil. Essa descoberta mostrou que o país poderia produzir petróleo em escala mais consistente.
Décadas de 1940 e 1950: cresceu o debate sobre o controle nacional do petróleo. A campanha “O petróleo é nosso” mobilizou setores políticos, militares, estudantis, sindicais e intelectuais em defesa da exploração estatal desse recurso estratégico.
1953: foi criada a Petrobras, pela Lei nº 2.004, durante o governo de Getúlio Vargas. A empresa passou a ter papel central na exploração, produção, refino, transporte e distribuição de petróleo no Brasil.
Década de 1950: a Petrobras iniciou a organização de uma estrutura nacional para o setor petrolífero. Foram ampliadas as pesquisas geológicas, as atividades de perfuração, a formação de mão de obra especializada e os investimentos em refinarias.
Década de 1960: a produção terrestre avançou, especialmente na Bahia, em Sergipe e em Alagoas. O Brasil ainda dependia muito da importação de petróleo, mas começava a consolidar uma base técnica própria.
1968: ocorreu a primeira descoberta de petróleo no mar brasileiro, no campo de Guaricema, em Sergipe. Esse fato marcou o início da exploração offshore no país.
Década de 1970: a exploração marítima ganhou importância crescente. A Petrobras passou a investir em tecnologia para atuar na plataforma continental brasileira, abrindo caminho para a produção em águas profundas.
1973: a primeira crise internacional do petróleo elevou os preços do barril e afetou fortemente o Brasil, que ainda importava grande parte do petróleo consumido. O episódio reforçou a necessidade de ampliar a produção nacional e diversificar a matriz energética.
1974: foi descoberto petróleo na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. Essa bacia se tornaria uma das áreas mais importantes da história petrolífera brasileira.
1975: foi criado o Proálcool, programa de incentivo ao etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida buscava reduzir a dependência brasileira em relação à gasolina e ao petróleo importado.
1977: começou a produção comercial na Bacia de Campos. A partir desse momento, a exploração marítima passou a ocupar papel cada vez mais relevante na produção nacional.
1979: a segunda crise internacional do petróleo voltou a pressionar a economia brasileira. O país intensificou investimentos em exploração, produção e alternativas energéticas.
Década de 1980: a Petrobras avançou na exploração em águas profundas. O desenvolvimento tecnológico permitiu ampliar a produção marítima e reduzir gradualmente a dependência de petróleo importado.
Década de 1990: a Bacia de Campos consolidou-se como a principal área produtora do Brasil. O petróleo offshore tornou-se dominante na produção nacional.
1997: foi aprovada a Lei do Petróleo, que flexibilizou o monopólio estatal da Petrobras e permitiu maior participação de empresas privadas e estrangeiras no setor. No mesmo ano, foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Final da década de 1990: começaram as rodadas de licitação para exploração e produção de petróleo e gás natural. O setor petrolífero brasileiro passou a funcionar com maior presença de diferentes empresas, embora a Petrobras continuasse sendo a principal companhia do país.
2003: a Petrobras anunciou descobertas importantes em águas profundas e ultraprofundas, reforçando a posição brasileira no domínio tecnológico da exploração offshore.
2006: foi descoberto o campo de Tupi, posteriormente chamado de Lula, na camada do pré-sal da Bacia de Santos. Essa descoberta abriu uma nova fase da história do petróleo no Brasil.
2007: o governo brasileiro anunciou oficialmente o grande potencial das reservas do pré-sal. A descoberta colocou o Brasil em posição de destaque no cenário mundial da produção petrolífera.
2008: teve início a produção-piloto no pré-sal. O Brasil passou a testar em escala produtiva a exploração de petróleo em grandes profundidades, abaixo de espessas camadas de sal.
2010: foi aprovado um novo marco regulatório para o pré-sal, com regras específicas para áreas estratégicas. O regime de partilha de produção passou a ser adotado em determinados campos.
2010: foi criada a Pré-Sal Petróleo S.A., empresa estatal responsável por representar a União nos contratos de partilha de produção do pré-sal.
2013: ocorreu o primeiro leilão do pré-sal sob o regime de partilha, envolvendo o campo de Libra, depois denominado Mero. Esse campo tornou-se uma das grandes promessas da produção brasileira.
2014: o Brasil enfrentou forte crise envolvendo denúncias de corrupção na Petrobras, investigadas pela Operação Lava Jato. O episódio afetou a imagem da empresa, sua política de investimentos e parte da cadeia produtiva ligada ao setor de óleo e gás.
2016: foi aprovada mudança nas regras do pré-sal, retirando a obrigação de a Petrobras ser operadora única em todos os campos do regime de partilha. A empresa manteve papel central, mas o setor passou a contar com maior participação de outras companhias.
2017: a produção do pré-sal continuou crescendo e passou a representar parcela cada vez maior da produção nacional. O avanço mostrou a importância da Bacia de Santos para o futuro energético brasileiro.
2019: o campo de Búzios ganhou destaque como uma das maiores áreas produtoras do país. Localizado no pré-sal da Bacia de Santos, tornou-se fundamental para a expansão da produção brasileira.
2020: a pandemia de Covid-19 provocou forte queda momentânea na demanda mundial por petróleo e instabilidade nos preços internacionais. Mesmo assim, o pré-sal brasileiro manteve importância estratégica para a produção nacional.
2021: a produção do pré-sal continuou a crescer, reforçando a concentração da produção brasileira em águas profundas e ultraprofundas. O país consolidou sua posição entre os grandes produtores mundiais.
2022: o debate sobre preços dos combustíveis ganhou grande destaque no Brasil, especialmente em razão da inflação, da política de preços da Petrobras e dos efeitos internacionais da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022.
2023: a Petrobras completou 70 anos de criação. O período foi marcado por debates sobre investimentos em exploração, refino, transição energética, política de preços e papel estratégico da empresa na economia nacional.
2024: continuaram os debates sobre a Margem Equatorial, região marítima do Norte e Nordeste do Brasil considerada promissora para novas descobertas. A discussão envolveu interesses econômicos, riscos ambientais, licenciamento e compromissos climáticos.
2025: o Brasil atingiu recorde histórico de produção de petróleo e gás. Segundo a ANP, a maior parte da produção veio do pré-sal, que representou, em média, 79,63% da produção nacional em óleo equivalente.
2026: o setor petrolífero brasileiro permanece marcado pelo protagonismo do pré-sal, pela importância econômica da Petrobras, pela expansão da produção marítima e pelos debates sobre transição energética, preservação ambiental e novas fronteiras exploratórias.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 30/04/2026
Fontes de referência:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo_no_Brasil
COTTA, Pery - O petróleo é nosso? - Guavira Editores, 1975
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