Período Cretáceo


 

O que foi o Período Cretáceo?


O Período Cretáceo foi o último período da Era Mesozoica, estendendo-se aproximadamente de 145 milhões a 66 milhões de anos atrás. Ele sucedeu o Período Jurássico e antecedeu o Período Paleógeno, que já faz parte da Era Cenozoica. Durante esse intervalo geológico ocorreram transformações profundas na superfície terrestre, incluindo mudanças na configuração dos continentes, elevação do nível dos mares e intensa diversificação da vida.

Esse período recebeu o nome “Cretáceo” devido à grande presença de depósitos de giz (creta), formados principalmente por restos microscópicos de organismos marinhos ricos em carbonato de cálcio. Esses depósitos são encontrados em várias regiões do planeta, especialmente na Europa Ocidental. O Cretáceo foi marcado por um clima predominantemente quente, pela grande expansão dos oceanos rasos e pelo domínio de dinossauros em diversos ambientes terrestres.

Durante o Cretáceo, os continentes continuaram a se separar como resultado da fragmentação do supercontinente Gondwana. A América do Sul, a África, a Antártida, a Índia e a Austrália seguiram trajetórias geológicas próprias. Esse processo contribuiu para o surgimento de novos oceanos e para a diversificação dos ambientes naturais, o que influenciou diretamente a evolução de plantas e animais.

O período terminou com um dos eventos mais marcantes da história da Terra: a grande extinção em massa ocorrida há cerca de 66 milhões de anos, conhecida como extinção do Cretáceo-Paleógeno. Esse evento levou ao desaparecimento de cerca de 75% das espécies do planeta, incluindo todos os dinossauros não avianos. A hipótese mais aceita aponta o impacto de um grande asteroide na região atual da Península de Yucatán, no México, como principal causa desse processo.


Características do Período Cretáceo:


- Clima global quente: o clima da Terra durante o Cretáceo foi predominantemente quente e úmido. Não existiam grandes calotas polares permanentes, o que resultava em temperaturas relativamente elevadas em praticamente todas as regiões do planeta.

- Elevação do nível dos mares: o nível médio dos oceanos foi significativamente mais alto do que o atual. Grandes áreas continentais ficaram cobertas por mares rasos, formando extensas plataformas marinhas que favoreceram a diversidade de organismos aquáticos.

- Separação dos continentes: ocorreu o avanço do processo de fragmentação dos antigos blocos continentais derivados do supercontinente Gondwana. A América do Sul separou-se progressivamente da África, enquanto a Índia iniciou seu deslocamento em direção à Ásia.

- Grande diversidade de dinossauros: os dinossauros atingiram grande diversidade e dominaram os ecossistemas terrestres. Entre os grupos mais conhecidos estavam os tiranossauros, os hadrossauros (dinossauros com “bico de pato”) e os ceratopsianos, como o Triceratops.

- Expansão das plantas com flores: durante o Cretáceo ocorreu a grande expansão das angiospermas, ou plantas com flores. Essas plantas passaram a ocupar diversos ambientes terrestres, transformando as paisagens e estabelecendo novas relações ecológicas com insetos polinizadores.

- Diversificação dos insetos: a expansão das plantas com flores contribuiu para o surgimento e diversificação de muitos grupos de insetos. Abelhas, borboletas e outros polinizadores começaram a se tornar mais comuns nos ecossistemas.

- Grande variedade de répteis marinhos: os mares do Cretáceo abrigavam grandes répteis marinhos, como mosassauros, plesiossauros e ictiossauros. Esses predadores ocupavam posições importantes nas cadeias alimentares marinhas.

- Aparecimento de aves mais modernas: as aves continuaram sua evolução a partir de ancestrais dinossauros. No Cretáceo surgiram formas mais semelhantes às aves atuais, com adaptações mais eficientes para o voo.

- Presença de pterossauros no céu: além das aves, os céus eram ocupados pelos pterossauros, répteis voadores que apresentavam grande diversidade de tamanhos. Alguns possuíam envergadura de asas comparável à de pequenos aviões modernos.

- Formação de grandes depósitos de giz: muitos mares rasos estavam repletos de micro-organismos marinhos, cujos restos calcários se acumularam no fundo dos oceanos. Com o tempo, esses sedimentos deram origem a extensas formações de giz características desse período geológico.

- Extinção em massa no final do período: o fim do Cretáceo foi marcado por uma grande extinção global. O impacto de um asteroide, associado possivelmente a intensas atividades vulcânicas, provocou mudanças climáticas abruptas, levando ao desaparecimento de inúmeros grupos de organismos.

 

A extinção em massa do final do Cretáceo (66 milhões de anos)



O final do Período Cretáceo foi marcado por um dos eventos mais importantes da história da Terra: a extinção em massa ocorrida há cerca de 66 milhões de anos. Esse episódio provocou o desaparecimento de aproximadamente 75% das espécies existentes no planeta. Entre os grupos extintos estavam os dinossauros não avianos, diversos répteis marinhos, muitos organismos marinhos microscópicos e várias espécies de plantas e animais terrestres.

A hipótese científica mais aceita aponta o impacto de um grande asteroide na região atual da Península de Yucatán, no México. Esse impacto formou a cratera de Chicxulub e teria lançado grandes quantidades de poeira e gases na atmosfera, reduzindo a entrada de luz solar e alterando profundamente o clima global. Vale ressaltar também que intensas atividades vulcânicas na região conhecida como Trapps do Decão, na atual Índia, podem ter contribuído para as mudanças ambientais que culminaram nessa grande extinção.



A fauna e a flora do Cretáceo


O Cretáceo foi um período de grande diversidade biológica, tanto em ambientes terrestres quanto marinhos. Nos continentes, os dinossauros dominavam os ecossistemas, ocupando diferentes nichos ecológicos. Havia espécies herbívoras de grande porte, como os saurópodes e hadrossauros, bem como predadores carnívoros, entre eles os tiranossaurídeos.

Nos oceanos, a diversidade também era muito grande. Répteis marinhos, como os mosassauros e plesiossauros, ocupavam o topo das cadeias alimentares. Ademais, muitos organismos marinhos microscópicos, como os foraminíferos e cocólitos, eram extremamente abundantes e desempenhavam papel importante na formação de sedimentos marinhos. No ambiente terrestre, as plantas com flores passaram a se expandir amplamente, alterando as paisagens e contribuindo para a diversificação de insetos e outros animais.



Movimentos tectônicos e mudanças na configuração dos continentes



Durante o Cretáceo ocorreram importantes mudanças na configuração geográfica do planeta devido à movimentação das placas tectônicas. Esse processo deu continuidade à fragmentação do supercontinente Gondwana, iniciada em períodos anteriores da Era Mesozoica. Como resultado, vários continentes começaram a assumir posições mais próximas das atuais.

A América do Sul separou-se progressivamente da África, formando o Oceano Atlântico Sul. Ao mesmo tempo, a Índia iniciou um rápido deslocamento em direção ao continente asiático, processo que posteriormente resultaria na formação da Cordilheira do Himalaia. Essas transformações geológicas influenciaram o clima global, os padrões de circulação oceânica e a distribuição das espécies pelo planeta.

 

 

Infográfico com as características do período Cretáceo
Infográfico com síntese das características do período Cretáceo

 

 

 

 


 

 

RESUMO

 

Período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás)

• Último período da Era Mesozoica.
• Sucedeu o Período Jurássico e antecedeu o Período Paleógeno.
• Marcado por mudanças geológicas, expansão dos mares e grande diversidade biológica.
• Terminou com uma grande extinção em massa que eliminou os dinossauros não avianos.

O que foi

• Período geológico que ocorreu entre aproximadamente 145 milhões e 66 milhões de anos atrás.
• Recebeu esse nome devido à grande presença de depósitos de giz formados por restos de organismos marinhos microscópicos.
• Caracterizou-se por clima global quente, elevação do nível dos mares e diversificação da vida.


Características gerais:

• Clima quente
• Temperaturas elevadas em grande parte do planeta.
• Ausência de grandes calotas polares permanentes.
• Elevação do nível dos mares
• Grandes áreas continentais ficaram cobertas por mares rasos.
• Formação de extensas plataformas marinhas.
• Separação dos continentes
• Continuação da fragmentação do supercontinente Gondwana.
• Formação progressiva do Oceano Atlântico.
• Grande diversidade de dinossauros
• Dinossauros dominaram os ambientes terrestres.
• Existência de espécies herbívoras e carnívoras de grande porte.
• Expansão das plantas com flores
• Surgimento e rápida diversificação das angiospermas.
• Transformação das paisagens terrestres.


Fauna e flora

• Diversidade de répteis marinhos
• Presença de mosassauros, plesiossauros e outros predadores marinhos.
• Evolução das aves
• Surgimento de aves mais semelhantes às atuais.
• Origem associada a dinossauros terópodes.
• Diversificação dos insetos
• Expansão de insetos polinizadores.
• Relação ecológica com plantas com flores.


Mudanças geológicas

• Movimentação das placas tectônicas
• Continuação da separação dos continentes.
• Deslocamento da Índia em direção à Ásia.
• Formação de novos oceanos
• Ampliação do Oceano Atlântico.
• Alterações na circulação oceânica.


Extinção do final do Cretáceo (66 milhões de anos)

• Grande extinção em massa que eliminou cerca de 75% das espécies do planeta.
• Desaparecimento dos dinossauros não avianos e de vários organismos marinhos.
• Impacto de um asteroide na região da Península de Yucatán, no atual México, associado a mudanças climáticas globais.

 

 


 

 

Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 15/03/2026

 





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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fonte de referência:

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Cretaceous


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