Literatura de Cordel



O que é

 

Literatura de Cordel é uma forma de expressão literária popular caracterizada pela produção de textos em versos, organizados em estrofes rimadas e impressos em folhetos de baixo custo. Tradicionalmente associada às camadas populares, essa manifestação combina elementos da escrita e da oralidade, sendo frequentemente recitada ou cantada em espaços públicos. Sua estrutura segue padrões métricos específicos, enquanto sua linguagem é acessível e próxima da fala cotidiana. Desenvolvida no Brasil a partir do século XVIII, sobretudo na região Nordeste, a Literatura de Cordel constitui um importante meio de difusão cultural, abordando temas variados que vão desde narrativas ficcionais até acontecimentos históricos e críticas sociais.

 

Origem


A Literatura de Cordel tem origem na tradição literária popular europeia, especialmente em Portugal e na Espanha, entre os séculos XVI e XVII. Nesse período, circulavam folhetos impressos de baixo custo que traziam narrativas sobre feitos heroicos, acontecimentos históricos e histórias religiosas. Com a expansão marítima e a colonização, essa prática chegou ao Brasil por volta do século XVIII. Em território brasileiro, o cordel encontrou um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, principalmente em regiões onde a oralidade era um meio central de transmissão cultural, o que contribuiu para sua adaptação e fortalecimento ao longo do tempo.



Nome


O termo “cordel” está associado à forma de comercialização dos folhetos. Em feiras e mercados populares, esses impressos eram expostos pendurados em cordas ou barbantes, permitindo que os compradores visualizassem facilmente os títulos disponíveis. Essa prática, herdada de Portugal, acabou dando nome à manifestação. Portanto, a denominação não está relacionada ao conteúdo ou à estrutura dos textos, mas sim ao modo de apresentação e venda, evidenciando o caráter popular e acessível dessa produção literária.



Forma


A Literatura de Cordel apresenta uma estrutura formal baseada em versos rimados e estrofes organizadas de acordo com padrões métricos definidos. Entre as formas mais utilizadas estão as sextilhas, as setilhas e as décimas, cada uma com regras específicas de composição. A regularidade métrica e o uso de rimas contribuem para a musicalidade dos textos, facilitando a memorização e a recitação. Essa característica aproxima o cordel da tradição oral, ao mesmo tempo em que evidencia um domínio técnico por parte dos autores.



Linguagem


A linguagem utilizada no cordel é simples, direta e próxima da fala cotidiana. Os autores recorrem a expressões populares, regionalismos e construções que refletem o modo de comunicação das comunidades em que estão inseridos. Essa escolha não implica ausência de complexidade, mas sim uma estratégia de comunicação eficiente, que busca alcançar um público amplo. A clareza da linguagem permite que os textos sejam compreendidos por diferentes camadas sociais, ao mesmo tempo em que preserva a identidade cultural regional.



Temas retratados


A diversidade temática é uma das marcas da Literatura de Cordel. Os folhetos abordam histórias de amor, aventuras, narrativas fantásticas, episódios religiosos e acontecimentos históricos.


Também são comuns textos que tratam de questões sociais e políticas, nos quais os autores expressam críticas e opiniões sobre a realidade em que vivem. Essa variedade demonstra a versatilidade do cordel, que pode funcionar tanto como entretenimento quanto como instrumento de reflexão e análise social.



Produção


A produção do cordel é, tradicionalmente, marcada pela autonomia dos autores. Em muitos casos, o próprio cordelista é responsável pela escrita, impressão e venda dos folhetos. Historicamente, utilizavam-se técnicas simples de impressão, o que permitia a produção em larga escala com baixo custo. A comercialização ocorre principalmente em feiras livres, mercados e eventos culturais, estabelecendo uma relação direta entre autor e público. Essa dinâmica reforça o caráter popular e coletivo da Literatura de Cordel.



Ilustrações


As capas dos folhetos de cordel são frequentemente ilustradas com xilogravuras, uma técnica que consiste na gravação de imagens em matrizes de madeira. Essas imagens são posteriormente entintadas e impressas no papel, resultando em figuras de traços marcantes e forte contraste. As xilogravuras geralmente representam cenas relacionadas ao conteúdo do texto, contribuindo para a compreensão da narrativa. Com o tempo, essa forma de ilustração tornou-se um elemento distintivo do cordel, sendo reconhecida como uma importante expressão artística.



Região de destaque


Embora a Literatura de Cordel esteja presente em diversas regiões do Brasil, foi no Nordeste que ela se consolidou com maior intensidade, especialmente entre os séculos XIX e XX. Estados como Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte destacam-se como importantes centros de produção e difusão. Nessa região, o cordel se integrou profundamente às práticas culturais locais, refletindo as experiências sociais, econômicas e culturais das populações nordestinas.



Oralidade


A oralidade é um aspecto fundamental da Literatura de Cordel. Muitos textos são recitados ou cantados em apresentações públicas, feiras e encontros culturais, mantendo uma forte conexão com a tradição oral. Essa prática permite a disseminação das histórias para além do texto escrito, alcançando públicos que, muitas vezes, não têm acesso à leitura formal. A performance dos cordelistas, com entonação e ritmo característicos, contribui para tornar a narrativa mais envolvente e dinâmica.



Importância cultural


A Literatura de Cordel desempenha um papel relevante na preservação da cultura popular brasileira. Por meio de seus textos, são transmitidos costumes, valores, crenças e experiências de diferentes grupos sociais. Em 2018, o cordel foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil, o que evidencia sua importância histórica e cultural. Ao longo do tempo, essa manifestação tem se adaptado às transformações sociais, mantendo sua capacidade de dialogar com diferentes públicos e de permanecer como uma forma viva de expressão cultural.



Exemplos de cordelistas populares:

 

Leandro Gomes de Barros (1865–1918): um dos principais nomes da Literatura de Cordel no Brasil, foi responsável por uma vasta produção de folhetos que abordavam temas variados, como humor, crítica social e narrativas populares. Sua obra ajudou a consolidar o cordel como forma literária no país, estabelecendo modelos de escrita que influenciaram diversos autores posteriores.


João Martins de Athayde (1880–1959): além de editor, foi também autor de cordéis, produzindo folhetos que seguiam a tradição métrica e temática do gênero. Sua atuação foi decisiva para a ampliação da circulação do cordel, organizando a publicação e distribuição em maior escala.


José Camelo de Melo Rezende (1885–1964): destacou-se como autor de cordéis narrativos, sendo especialmente conhecido por obras como “Pavão Misterioso”, uma das mais populares do gênero. Seus textos apresentam forte caráter narrativo, com enredos envolventes e linguagem acessível.


Manoel Camilo dos Santos (1905–1987): foi um importante cordelista e editor, responsável pela tipografia São Francisco, uma das mais relevantes na produção de folhetos. Sua atuação contribuiu tanto para a criação quanto para a difusão da Literatura de Cordel no Nordeste brasileiro.


Rodolfo Coelho Cavalcante (1919–1987): autor e divulgador do cordel, produziu diversos folhetos e também atuou na defesa e valorização dessa forma de expressão. Foi um dos responsáveis por organizar eventos e iniciativas voltadas à preservação da Literatura de Cordel no século XX.



Exemplos de obras da literatura de Cordel

Exemplos de obras da literatura de Cordel

 

 

Dia do Cordelista

 

- No Brasil, o Dia do Cordelista é comemorado em 19 de novembro. Foi nesse dia, em 1865, que nasceu Leandro Gomes de Barros, um dos grandes poetas da literatura de cordel.

 

 


 

Resumo em 10 tópicos:

 

1. Origem: a Literatura de Cordel surgiu na Europa, especialmente em Portugal e na Espanha, entre os séculos XVI e XVII, chegando ao Brasil no período colonial, por volta do século XVIII.

2. Nome: o termo “cordel” vem do modo como os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas ou barbantes.

3. Forma: é composta por textos escritos em versos, geralmente organizados em estrofes com rimas, seguindo métricas específicas como sextilhas (estrofes de seis versos).

4. Linguagem: utiliza uma linguagem simples, direta e popular, facilitando a compreensão por pessoas de diferentes níveis de escolaridade.

5. Temas: aborda uma grande variedade de assuntos, como histórias de amor, aventuras, religião, política, fatos históricos, lendas e críticas sociais.

6. Produção: tradicionalmente, os próprios autores escrevem, imprimem e vendem seus folhetos, sendo comuns as vendas em feiras e mercados populares.

7. Ilustrações: as capas dos folhetos costumam apresentar xilogravuras, uma técnica de gravura em madeira muito associada à identidade visual do cordel.

8. Região de destaque: embora exista em todo o Brasil, a Literatura de Cordel se desenvolveu principalmente no Nordeste, tornando-se uma importante expressão cultural da região.

9. Oralidade: muitos cordéis são recitados ou cantados, mantendo uma forte relação com a tradição oral e com apresentações públicas.

10. Importância cultural: é considerada um patrimônio cultural brasileiro, pois preserva tradições, costumes e formas de expressão popular, além de transmitir conhecimentos e valores sociais ao longo do tempo.

 

 

Infográfico sobre as características da Literatura de Cordel
Infográfico com síntese das características da Literatura de Cordel.

 

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994)
Atualizado em 14/04/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de consulta:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_de_cordel

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

 

O que Literatura de Cordel? Rápido e fácil I Português On-line - Canal Português On-line l Profa. Aline


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