O que é Netuno?
Netuno é o oitavo planeta do Sistema Solar e o mais distante do Sol entre os planetas oficialmente reconhecidos. Localizado após Urano, ele integra o grupo dos gigantes gelados, categoria que reúne corpos planetários de grande porte compostos por hidrogênio, hélio e quantidades significativas de substâncias voláteis congeláveis, como água, amônia e metano. Sua posição extrema no Sistema Solar faz com que receba uma quantidade muito pequena de energia solar, o que contribui para suas temperaturas extremamente baixas e para a aparência azulada que o tornou um dos planetas mais visualmente marcantes da Astronomia.
Apesar de estar muito longe da Terra, Netuno ocupa lugar central na história da ciência porque sua existência foi prevista por cálculos matemáticos antes mesmo de ser observado diretamente. Isso o torna um caso singular na história da Astronomia do século XIX, quando o avanço da mecânica celeste permitiu localizar um planeta com base em perturbações gravitacionais percebidas na órbita de outro corpo. Assim, Netuno não é importante apenas por suas características físicas, mas também por representar uma grande conquista do pensamento científico moderno.
Seu diâmetro, sua massa, sua atmosfera extremamente dinâmica e seu sistema de luas e anéis fazem dele um objeto de grande interesse para pesquisadores. Embora esteja muito distante, Netuno não é um mundo imóvel ou inativo. Pelo contrário, trata-se de um planeta com ventos intensos, tempestades gigantescas, estrutura interna complexa e um comportamento atmosférico que ainda desafia a compreensão científica. Seu estudo ajuda os astrônomos a compreender não apenas a formação do Sistema Solar, mas também a natureza de muitos exoplanetas semelhantes descobertos em torno de outras estrelas.
Origem do nome Netuno
O nome Netuno foi inspirado no deus romano dos mares, equivalente ao deus grego Poseidon. A escolha não foi casual. A coloração azulada do planeta, produzida em grande parte pela presença de metano em sua atmosfera, evocava a imagem simbólica de um mundo ligado ao oceano e às águas profundas. Essa associação entre Astronomia e mitologia era comum na tradição europeia de nomear planetas, preservando uma herança cultural que remonta à Antiguidade.
A adoção desse nome consolidou a continuidade do padrão de nomenclatura já utilizado para outros planetas, como Marte, Júpiter e Saturno. No caso de Netuno, a relação com o mar também acabou se tornando particularmente apropriada por outro motivo: sua atmosfera é extremamente turbulenta, com nuvens, correntes e tempestades que lembram, em certo sentido, a agitação de um oceano colossal em escala planetária.
Descoberta de Netuno
A descoberta de Netuno ocorreu em 23 de setembro de 1846, marcando um dos episódios mais notáveis da história da Astronomia. Diferentemente dos planetas conhecidos desde a Antiguidade, como Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, Netuno não foi identificado inicialmente por simples observação visual, mas por meio de cálculos matemáticos. Isso aconteceu porque astrônomos perceberam que a órbita de Urano apresentava pequenas irregularidades que não podiam ser explicadas apenas pela influência gravitacional dos planetas já conhecidos.
Essas perturbações levaram cientistas a supor que um planeta ainda não observado deveria estar atuando gravitacionalmente sobre Urano. Dois matemáticos tiveram papel decisivo nesse processo: o francês Urbain Le Verrier e o britânico John Couch Adams. Trabalhando de forma independente, ambos realizaram cálculos para estimar onde esse novo planeta deveria estar no céu. A confirmação definitiva veio quando o astrônomo alemão Johann Gottfried Galle, no Observatório de Berlim, apontou seu telescópio para a região indicada por Le Verrier e encontrou Netuno muito próximo da posição prevista.
Esse episódio teve enorme repercussão científica no século XIX, pois demonstrou a extraordinária capacidade da Física e da Matemática de prever fenômenos naturais invisíveis à observação direta imediata. A descoberta de Netuno tornou-se, assim, um marco da mecânica newtoniana e do desenvolvimento da Astronomia moderna.
Posição de Netuno no Sistema Solar
Netuno ocupa a oitava órbita planetária em relação ao Sol. Ele está localizado além de Urano e muito distante da região interna do Sistema Solar, onde se encontram os planetas rochosos. Sua distância média ao Sol é de aproximadamente 4,5 bilhões de quilômetros, o que equivale a cerca de 30 unidades astronômicas. Isso significa que Netuno está, em média, trinta vezes mais distante do Sol do que a Terra.
Essa posição periférica faz com que ele leve um tempo muito longo para completar uma volta em torno do Sol. Um único ano em Netuno corresponde a cerca de 164,8 anos terrestres. Em outras palavras, desde sua descoberta em 1846, o planeta completou apenas uma órbita solar inteira em 2011. Esse dado ilustra a imensa escala temporal envolvida no movimento dos corpos mais externos do Sistema Solar.
Seu dia, por outro lado, é relativamente curto. Netuno realiza uma rotação completa em aproximadamente 16 horas terrestres. Assim, embora seu ano seja extremamente longo, sua rotação é rápida, como ocorre também com outros gigantes gasosos e gelados. Essa combinação entre rotação acelerada e grande porte influencia diretamente a dinâmica de sua atmosfera, contribuindo para a formação de ventos e sistemas meteorológicos intensos.
Classificação: gigante gelado
Netuno é classificado como um gigante gelado. Essa categoria o distingue dos gigantes gasosos clássicos, como Júpiter e Saturno. Embora todos esses planetas possuam grande tamanho e sejam compostos majoritariamente por gases, Netuno e Urano apresentam proporções mais elevadas de materiais como água, amônia e metano em seu interior, o que os torna estruturalmente diferentes.
O termo “gelado” não significa que o planeta seja formado por uma superfície sólida de gelo semelhante à encontrada em um lago congelado. Em contexto astronômico, a palavra se refere a compostos voláteis que, em condições adequadas, podem congelar. Em Netuno, esses materiais encontram-se sob condições extremas de pressão e temperatura, formando camadas fluidas e exóticas, muito distintas do gelo comum existente na Terra.
Essa classificação é importante porque ajuda os cientistas a compreender a diversidade dos planetas gigantes e também serve de modelo para o estudo de exoplanetas. Muitos mundos descobertos fora do Sistema Solar possuem tamanho e composição aproximados aos de Netuno, tornando o planeta uma referência importante para a Astronomia planetária contemporânea.
CARACTERÍSTICAS DE NETUNO:
1. Tamanho, massa e dimensões
Netuno é um planeta muito grande quando comparado à Terra, embora seja menor que Júpiter e Saturno. Seu diâmetro equatorial é de aproximadamente 49 mil quilômetros, o que significa que ele tem cerca de quatro vezes o diâmetro terrestre. Seu volume é tão vasto que mais de cinquenta Terras poderiam caber em seu interior.
Sua massa corresponde a cerca de 17 vezes a massa da Terra. Isso o torna um planeta extremamente massivo, com gravidade significativa. Ainda assim, sua densidade média é menor que a dos planetas rochosos, pois grande parte de sua constituição é formada por gases e fluidos sob alta pressão. A gravidade em sua atmosfera superior é comparável, em alguns aspectos, à da Terra, o que é um dado curioso, considerando sua enorme dimensão.
Sua forma não é perfeitamente esférica. Assim como outros planetas gigantes, Netuno apresenta um achatamento nos polos e um alargamento na região equatorial, resultado de sua rápida rotação. Esse formato influencia a distribuição de massa e afeta, em pequena medida, sua dinâmica interna e atmosférica.
2. Composição de Netuno
A composição de Netuno é complexa e reflete sua natureza de gigante gelado. De modo geral, o planeta é constituído por uma atmosfera externa rica em hidrogênio, hélio e metano, além de camadas internas compostas por água, amônia e outros materiais voláteis sob condições extremas de pressão. Em seu centro, acredita-se que exista um núcleo rochoso relativamente pequeno, porém muito denso e quente.
A atmosfera superior contém principalmente hidrogênio molecular e hélio, mas a presença de metano tem papel fundamental em sua aparência. O metano absorve parte da luz vermelha proveniente do Sol e reflete mais intensamente tons azulados, o que explica a coloração azul intensa de Netuno. Esse tom azul, contudo, não depende apenas do metano. Estudos mais recentes sugerem que outros processos atmosféricos e partículas em suspensão também influenciam essa coloração.
No interior, o planeta provavelmente possui um manto espesso formado por fluidos quentes e densos, às vezes descritos como uma mistura de água, amônia e metano em estados físicos exóticos. Nessas profundezas, as condições são tão extremas que a matéria se comporta de maneiras incomuns, muito diferentes do que observamos na Terra.
3. Estrutura interna de Netuno
A estrutura interna de Netuno costuma ser dividida em três grandes regiões: atmosfera, manto e núcleo. A camada mais externa é a atmosfera gasosa, composta principalmente por hidrogênio, hélio e metano. Abaixo dela encontra-se o manto, uma região espessa e extremamente densa, onde substâncias como água, amônia e metano estão submetidas a pressões e temperaturas elevadíssimas. No centro, acredita-se que haja um núcleo sólido ou semissólido formado por rochas e metais.
O núcleo de Netuno provavelmente possui massa comparável à da Terra ou até superior. Sua temperatura interna pode atingir milhares de graus Celsius. Esse calor interno é particularmente relevante porque Netuno emite mais energia do que recebe do Sol. Em outras palavras, ele possui uma fonte de calor interna significativa, e isso ajuda a explicar a atividade atmosférica observada no planeta.
Uma das hipóteses mais fascinantes sobre o interior de Netuno envolve a possibilidade de formação de diamantes. Em condições extremas de pressão, o carbono presente em compostos como o metano poderia se separar e cristalizar em forma de diamantes, que então afundariam em direção às regiões mais profundas do planeta. Embora essa ideia ainda esteja ligada a modelos teóricos e experimentos laboratoriais, ela ilustra o quanto o interior de Netuno é um ambiente físico extraordinário.
4. A atmosfera de Netuno
A atmosfera de Netuno é uma das mais ativas e violentas de todo o Sistema Solar. Ela é composta principalmente por hidrogênio, hélio e metano, mas apresenta também nuvens, faixas atmosféricas, tempestades e ventos extremamente intensos. Apesar da grande distância em relação ao Sol e das baixíssimas temperaturas, Netuno exibe uma meteorologia surpreendentemente dinâmica.
A camada superior de sua atmosfera é extremamente fria, com temperaturas próximas de -200 °C. Mesmo assim, o planeta apresenta movimentos atmosféricos muito energéticos. Isso sugere que boa parte de sua atividade climática não depende da radiação solar, mas do calor interno que emerge de suas camadas mais profundas. Esse fator diferencia Netuno de muitos corpos do Sistema Solar cuja dinâmica atmosférica está mais diretamente ligada à energia recebida do Sol.
As nuvens observadas em Netuno podem ser compostas por cristais de metano congelado. Em diferentes altitudes, podem existir ainda nuvens de outras substâncias, dependendo das condições locais de pressão e temperatura. O planeta apresenta bandas atmosféricas e formações temporárias que mudam com o tempo, revelando um ambiente em constante transformação.
5. A cor azul de Netuno
A cor azul de Netuno é uma de suas características mais conhecidas. Durante muito tempo, essa coloração foi atribuída quase exclusivamente ao metano presente na atmosfera, já que esse gás absorve parte da luz vermelha e permite maior reflexão dos comprimentos de onda azulados. Essa explicação continua correta em parte, mas não é suficiente para explicar toda a intensidade do azul observada no planeta.
Pesquisas indicam que partículas atmosféricas e processos de dispersão da luz também contribuem para a tonalidade particular de Netuno. Isso ajuda a entender por que ele apresenta um azul mais profundo e saturado do que Urano, apesar de ambos possuírem atmosferas com composição semelhante em muitos aspectos. A diferença de aparência entre os dois planetas está relacionada não apenas à composição química, mas também à estrutura das camadas atmosféricas e à distribuição de aerossóis e neblinas.
Essa coloração não é apenas um aspecto estético. Ela fornece pistas importantes sobre a química atmosférica, a estrutura das nuvens e a forma como a luz interage com os materiais presentes no planeta. Em Astronomia, a cor observada de um astro pode revelar dados fundamentais sobre sua composição e seu comportamento físico.
6. Ventos e tempestades extremas
Netuno é conhecido por abrigar alguns dos ventos mais rápidos já detectados em qualquer planeta do Sistema Solar. Em determinadas regiões, as velocidades podem ultrapassar 2 mil quilômetros por hora, o que representa uma intensidade extraordinária, especialmente considerando a baixa energia solar recebida pelo planeta. Esses ventos fazem de Netuno um mundo meteorologicamente extremo.
As tempestades neptunianas são gigantescas estruturas atmosféricas comparáveis, em alguns casos, a grandes sistemas ciclônicos. A mais famosa delas foi a Grande Mancha Escura, observada pela sonda Voyager 2 em 1989. Essa formação lembrava, em aparência, a Grande Mancha Vermelha de Júpiter, mas mostrou-se muito menos estável. Anos depois, ela já não era mais visível, e novas manchas escuras surgiram em outras regiões do planeta.
Essas tempestades parecem ser fenômenos temporários, o que indica uma atmosfera bastante mutável. O estudo desses sistemas ajuda a compreender a circulação atmosférica em mundos gigantes e a relação entre calor interno, rotação planetária e dinâmica de fluidos. Netuno, portanto, é um laboratório natural para o estudo de atmosferas extremas.
7. Temperatura e clima
Netuno é um dos planetas mais frios do Sistema Solar. Sua temperatura média nas camadas superiores da atmosfera gira em torno de -214 °C, embora haja variações conforme a altitude e a latitude. Essas condições resultam de sua enorme distância do Sol, que reduz drasticamente a quantidade de energia solar disponível.
Entretanto, o clima de Netuno não pode ser entendido apenas a partir do frio. O planeta emite mais calor do que recebe, e esse calor interno tem grande importância na manutenção de sua atividade atmosférica. Assim, mesmo em um ambiente extremamente gelado, existem processos energéticos intensos que alimentam ventos, correntes e tempestades.
Esse contraste entre frio extremo e forte dinamismo atmosférico é uma das razões pelas quais Netuno desperta tanto interesse científico. Seu clima demonstra que a atividade planetária não depende exclusivamente da proximidade com a estrela central, mas também da estrutura interna, da composição e da história de formação do planeta.
8. O campo magnético de Netuno
Netuno possui um campo magnético incomum quando comparado ao da Terra. Enquanto o campo magnético terrestre está relativamente alinhado com o eixo de rotação do planeta, o de Netuno apresenta forte inclinação e parece estar deslocado em relação ao centro do planeta. Esse comportamento peculiar também é observado em Urano, sugerindo que os gigantes gelados possuem estruturas magnéticas distintas das dos demais planetas.
A origem desse campo magnético está provavelmente ligada aos movimentos de materiais eletricamente condutores em seu interior. Em vez de ser gerado em um núcleo metálico semelhante ao da Terra, o campo de Netuno pode resultar da circulação de fluidos exóticos em regiões intermediárias do planeta. Isso o torna um caso particularmente importante para a compreensão dos dínamos planetários.
Esse campo magnético interage com partículas carregadas do ambiente espacial, contribuindo para a formação de uma magnetosfera complexa. Embora menos famosa que a de Júpiter ou Saturno, a magnetosfera de Netuno é um componente essencial de sua identidade física e influencia a forma como o planeta se relaciona com o vento solar e com o espaço ao seu redor.
9. Anéis de Netuno
Netuno possui um sistema de anéis, embora eles sejam muito menos visíveis e famosos do que os de Saturno. Esses anéis são escuros, tênues e compostos provavelmente por partículas de poeira e fragmentos rochosos misturados com materiais gelados. Sua baixa refletividade dificulta a observação a partir da Terra, especialmente sem instrumentos avançados.
Os anéis de Netuno receberam nomes ligados a cientistas importantes da história da Astronomia, como Galle, Le Verrier, Lassell, Arago e Adams. Um aspecto curioso desse sistema é a presença de estruturas conhecidas como arcos, regiões em que o material parece concentrar-se de forma desigual ao longo do anel. Durante algum tempo, isso intrigou os cientistas, pois parecia contrariar a tendência natural de dispersão das partículas.
Hoje se entende que a interação gravitacional com algumas luas de Netuno ajuda a manter essas concentrações. Esse sistema de anéis, embora discreto, é importante porque mostra que estruturas anelares não são exclusividade de Saturno. Diversos planetas gigantes possuem anéis, cada um com características próprias.
10. As luas de Netuno
Netuno possui várias luas naturais, e o número conhecido foi ampliado ao longo do tempo com o aperfeiçoamento das observações astronômicas. Entre elas, a mais importante é Tritão, que domina amplamente o sistema de satélites do planeta em tamanho, massa e relevância científica. Outras luas menores, como Nereida, Proteu, Larissa e Despina, também integram esse conjunto, embora sejam menos estudadas.
O sistema de luas de Netuno é particularmente interessante porque combina satélites pequenos e irregulares com Tritão, um corpo de grande porte e características muito peculiares. Essa diversidade sugere uma história orbital e gravitacional complexa, marcada por capturas, perturbações e possíveis reorganizações dinâmicas ao longo de bilhões de anos.
O estudo dessas luas ajuda a reconstruir a evolução do sistema neptuniano e também a compreender como os planetas gigantes interagem gravitacionalmente com corpos menores ao seu redor. Em Astronomia planetária, as luas são fundamentais porque preservam pistas importantes sobre a formação e a transformação dos sistemas planetários.
11. A órbita de Netuno
A órbita de Netuno em torno do Sol é ampla, estável e relativamente pouco inclinada em relação ao plano geral do Sistema Solar. Sua trajetória, contudo, não é perfeitamente circular, mas levemente elíptica, como ocorre com todos os planetas. Essa órbita leva aproximadamente 164,8 anos terrestres para ser completada.
Devido à sua distância extrema, Netuno move-se lentamente pelo céu quando observado da Terra. Isso explica por que sua identificação exigiu observações cuidadosas e cálculos precisos. Durante muito tempo, o planeta foi invisível a olho nu, o que impediu seu reconhecimento na Antiguidade, apesar de já ter sido eventualmente observado sem que fosse corretamente identificado como planeta.
A órbita de Netuno também tem relevância por sua relação com objetos transnetunianos e com a estrutura dinâmica das regiões externas do Sistema Solar. Sua gravidade influencia diversos corpos além de sua própria vizinhança imediata, contribuindo para organizar ressonâncias orbitais e padrões de distribuição de pequenos objetos gelados.
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| Infográfico resumido com as principais características do Planeta Netuno |
Netuno e o Cinturão de Kuiper
Netuno está intimamente ligado ao Cinturão de Kuiper, uma vasta região além de sua órbita povoada por corpos gelados, planetas anões e remanescentes da formação do Sistema Solar. Essa área tornou-se especialmente importante a partir do fim do século XX, quando o número de objetos conhecidos nessa região cresceu significativamente.
A influência gravitacional de Netuno é decisiva para a dinâmica do Cinturão de Kuiper. Muitos objetos dessa região estão em ressonância orbital com o planeta, o que significa que completam suas órbitas em relações matemáticas estáveis com a órbita neptuniana. Plutão, por exemplo, está em ressonância 3:2 com Netuno, completando duas voltas ao redor do Sol para cada três órbitas de Netuno.
Esse relacionamento mostra que Netuno atua como um importante organizador gravitacional do Sistema Solar exterior. Seu papel vai muito além de ser apenas o último planeta. Ele participa ativamente da arquitetura orbital de regiões distantes e ajuda a explicar a distribuição atual de muitos corpos gelados.
Exploração espacial de Netuno
A exploração direta de Netuno foi extremamente limitada até hoje. A única sonda que visitou o planeta de perto foi a Voyager 2, lançada pela NASA em 1977 e que realizou seu sobrevoo em agosto de 1989. Esse encontro foi histórico, pois forneceu as primeiras imagens detalhadas e os primeiros dados diretos sobre o planeta, suas luas, seus anéis e sua atmosfera.
A Voyager 2 revelou um mundo muito mais ativo e complexo do que muitos cientistas imaginavam. Foi essa missão que registrou a Grande Mancha Escura, os ventos intensos, a estrutura dos anéis e as características extraordinárias de Tritão. Sem esse sobrevoo, o conhecimento sobre Netuno ainda seria muito mais limitado.
Mesmo décadas após essa visita, Netuno continua sendo um dos planetas menos explorados do Sistema Solar. Isso se deve, em grande parte, à sua distância extrema, que torna missões espaciais longas, caras e tecnologicamente desafiadoras. Ainda assim, muitos cientistas defendem novas missões ao planeta, justamente porque ele permanece repleto de questões em aberto.
O que a Voyager 2 descobriu
A missão Voyager 2 transformou radicalmente o conhecimento humano sobre Netuno. Antes dela, o planeta era visto principalmente como um disco distante e azulado, com poucos detalhes visíveis. Após o sobrevoo de 1989, passou a ser conhecido como um mundo dinâmico, com meteorologia intensa, sistema de anéis, campo magnético peculiar e uma lua principal extremamente singular.
Uma das descobertas mais impressionantes foi a confirmação da intensidade dos ventos neptunianos. A sonda detectou velocidades atmosféricas surpreendentes, revelando que Netuno abriga uma das atmosferas mais rápidas do Sistema Solar. Também foram observadas nuvens altas e tempestades escuras em constante transformação.
Outro grande destaque foi Tritão. A Voyager 2 registrou paisagens geladas, terrenos complexos e plumas que indicavam atividade criovulcânica. Essa descoberta ampliou significativamente o interesse científico por luas geladas e mostrou que mesmo corpos muito frios podem ser geologicamente ativos.
Netuno na observação astronômica
Netuno não pode ser visto a olho nu em condições normais de observação, devido à sua grande distância e ao seu brilho relativamente fraco. Para observá-lo, normalmente é necessário utilizar binóculos potentes ou telescópios. Mesmo assim, ele costuma aparecer como um pequeno ponto azulado, e não como um disco detalhado, exceto com instrumentos mais avançados.
Sua observação depende também de mapas celestes, aplicativos astronômicos ou efemérides, pois o planeta se desloca lentamente entre as constelações do céu ao longo dos anos. Para astrônomos amadores, localizar Netuno pode ser uma experiência interessante, especialmente por representar um contato visual com uma das regiões mais remotas do Sistema Solar planetário.
Do ponto de vista científico, telescópios terrestres e espaciais continuam desempenhando papel essencial em seu estudo. Instrumentos modernos conseguem acompanhar variações atmosféricas, tempestades, brilho de nuvens e mudanças em seu sistema de satélites, mesmo sem a presença de uma nova sonda em órbita.
Curiosidades sobre Netuno
Netuno foi o primeiro planeta descoberto por previsão matemática antes da observação direta. Esse fato o distingue de todos os planetas conhecidos desde a Antiguidade e o torna um símbolo da força explicativa da ciência moderna.
Um ano em Netuno dura cerca de 164,8 anos terrestres. Isso significa que uma estação neptuniana pode durar várias décadas na Terra, já que o planeta também apresenta inclinação axial suficiente para gerar estações.
Embora esteja extremamente distante do Sol, Netuno apresenta uma atmosfera muito ativa, com ventos mais rápidos do que os registrados em Júpiter ou Saturno. Esse é um dos grandes paradoxos atmosféricos do Sistema Solar.
Sua maior lua, Tritão, provavelmente foi capturada gravitacionalmente e pode ser um antigo objeto do Cinturão de Kuiper. Isso faz do sistema de Netuno um conjunto particularmente importante para a compreensão da evolução orbital do Sistema Solar exterior.
Importância científica de Netuno
Netuno é um planeta de enorme importância científica por várias razões. Em primeiro lugar, sua descoberta marcou um triunfo da Matemática aplicada à Astronomia, mostrando que leis físicas podiam revelar a existência de corpos invisíveis. Em segundo lugar, sua composição e sua estrutura ajudam a compreender melhor a categoria dos gigantes gelados, ainda menos conhecida do que a dos gigantes gasosos.
Seu estudo também é fundamental para a análise da formação e evolução do Sistema Solar. Netuno está ligado à dinâmica do Cinturão de Kuiper, à história orbital de Plutão, à captura de Tritão e à distribuição de objetos gelados nas regiões externas. Desse modo, ele participa diretamente de questões centrais da Astronomia planetária.
Vale destacar também que Netuno possui enorme valor comparativo para a pesquisa de exoplanetas. Muitos mundos encontrados em outras estrelas lembram esse planeta em tamanho e composição, o que faz dele uma espécie de modelo natural para compreender parte significativa da diversidade planetária do universo observável.
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| Planeta Netuno (fonte: NASA). |
Revisado por Luiz Antônio Machado (graduado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP)
Atualizado em 29/03/2026
Fontes:
https://www.britannica.com/place/Neptune-planet