Quem foi
John Locke foi um importante filósofo inglês. É considerado um dos líderes da doutrina filosófica conhecida como empirismo e um dos ideólogos do liberalismo e do iluminismo. Foi também professor desta Universidade, onde lecionou grego, filosofia e retórica.
Suas ideias políticas e sociais tiveram influência significativa, indo muito além de sua vida, afetando as revoluções americana e francesa e formando a base de muitas constituições democráticas.
Biografia
John Locke nasceu em 29 de agosto de 1632, na vila de Wrington, no condado de Somerset, Inglaterra. Filho de um advogado ligado ao Parlamento durante a Guerra Civil Inglesa, Locke cresceu em um ambiente marcado por debates políticos e religiosos intensos. Essa formação inicial contribuiu para o desenvolvimento de seu interesse por questões relacionadas ao poder, à autoridade e aos limites da ação do Estado. Sua educação básica ocorreu em escolas locais até ingressar na Westminster School, uma das mais prestigiadas instituições de ensino da época.
Em 1652, Locke iniciou seus estudos no Christ Church College, da Universidade de Oxford, onde se formou em 1656 e obteve o grau de mestre em 1658. Embora a universidade fosse fortemente orientada pela tradição escolástica, Locke demonstrou interesse crescente pelas ciências naturais e pela filosofia experimental, influenciado por autores como Francis Bacon. Durante esse período, estudou medicina, área que lhe permitiu contato com métodos empíricos de investigação e com círculos intelectuais ligados ao avanço científico do século XVII.
A trajetória profissional de Locke foi profundamente marcada por sua relação com Anthony Ashley Cooper, mais tarde conde de Shaftesbury. A partir de 1667, Locke atuou como secretário, conselheiro político e médico pessoal de Shaftesbury, o que o inseriu diretamente no centro da vida política inglesa. Essa experiência prática influenciou decisivamente suas reflexões sobre governo, leis e direitos individuais. Com o agravamento das tensões políticas e a perseguição a opositores do regime, Locke passou períodos de exílio na França e, posteriormente, nos Países Baixos entre 1683 e 1689.
O retorno de Locke à Inglaterra ocorreu após a Revolução Gloriosa de 1688, evento que consolidou a monarquia constitucional. Nesse contexto, publicou suas principais obras filosóficas e políticas, entre elas "Ensaio sobre o Entendimento Humano" e "Dois Tratados sobre o Governo". Nessas obras, desenvolveu uma teoria empirista do conhecimento, segundo a qual a mente humana é moldada pela experiência, e formulou princípios fundamentais do liberalismo político, como a defesa dos direitos naturais à vida, à liberdade e à propriedade, bem como a legitimidade do governo baseada no consentimento dos governados.
John Locke passou seus últimos anos dedicando-se à escrita, à reflexão filosófica e a funções administrativas de menor destaque. Faleceu em 28 de outubro de 1704, na cidade de High Laver, Essex
Empirismo filosófico de Locke
Para John Locke a busca do conhecimento deveria ocorrer através de experiências e não por deduções ou especulações. Desta forma, as experiências científicas devem ser baseadas na observação do mundo. O empirismo filosófico descarta também as explicações baseadas na fé.
Locke também afirmava que a mente de uma pessoa ao nascer era uma tábula rasa, ou seja, uma espécie de folha em branco. As experiências que esta pessoa passa pela vida é que vão formando seus conhecimentos e personalidade. Defendia também que todos os seres humanos nascem bons, iguais e independentes. Desta forma é a sociedade a responsável pela formação do indivíduo.
Visão Política de Locke
Locke criticou a teoria do direito divino dos reis, formulada pelo teólogo e bispo francês Jacques Bossuet. Para Locke, a soberania não reside no Estado, mas sim na população. Embora admitisse a supremacia do Estado, Locke dizia que este deve respeitar as leis natural e civil.
Locke também defendeu a separação da Igreja do Estado e a liberdade religiosa, recebendo por estas ideias forte oposição da Igreja Católica.
Locke, assim como Montesquieu, defendia que o poder deveria ser dividido em: Executivo, Legislativo e Judiciário. De acordo com sua visão, o Poder Legislativo, por representar o povo, era o mais importante e, portanto, os outros dois deveriam estar subordinados a ele. Vale lembrar que, no entendimento de Montesquieu, deveria haver uma relação de equilíbrio entre os três poderes.
Embora defendesse que todos os homens fossem iguais, foi um defensor da escravidão. Não relacionava a escravidão à raça, mas sim aos vencidos na guerra. De acordo com Locke, os inimigos e capturados na guerra poderiam ser mortos, mas como suas vidas são mantidas, devem trocar a liberdade pela escravidão.
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| John Locke: grande nome do empirismo e do liberalismo no século XVII. |
Principais obras de John Locke:
- "Ensaio sobre o Entendimento Humano" (1690). Obra central do empirismo moderno, na qual Locke investiga a origem, os limites e a validade do conhecimento humano. Defende que a mente nasce como uma tábula rasa e que todas as ideias derivam da experiência sensível ou da reflexão. O texto estabelece uma crítica às ideias inatas e propõe uma nova epistemologia baseada na observação e na experiência.
- "Dois Tratados sobre o Governo" (1690). Trabalho fundamental da filosofia política liberal, dividido em duas partes. No primeiro tratado, Locke refuta a teoria do direito divino dos reis. No segundo, apresenta sua concepção de governo civil, defendendo os direitos naturais à vida, à liberdade e à propriedade, bem como o princípio de que o poder político deve resultar do consentimento dos governados.
- "Cartas sobre a Tolerância" (1689). Conjunto de escritos nos quais Locke argumenta a favor da tolerância religiosa como condição essencial para a paz civil. Sustenta que o Estado não deve impor crenças religiosas, pois a fé pertence ao âmbito da consciência individual. A obra contribuiu de forma decisiva para a separação entre autoridade política e autoridade religiosa.
- "Alguns Pensamentos sobre a Educação" (1693). Texto no qual Locke expõe suas ideias pedagógicas, enfatizando a formação moral, o desenvolvimento do caráter e a importância da experiência no processo educativo. Defende uma educação prática, voltada para a razão, a disciplina e a autonomia do indivíduo, em oposição ao ensino excessivamente livresco.
- "A Razoabilidade do Cristianismo" (1695). Obra em que Locke procura demonstrar que os princípios essenciais do cristianismo são compatíveis com a razão humana. O autor sustenta que a fé cristã deve ser compreendida de forma racional e moral, evitando dogmatismos e disputas teológicas que possam gerar intolerância.
- "Ensaio sobre a Verdadeira Natureza do Entendimento Humano" (publicação póstuma, 1706). Texto complementar ao "Ensaio sobre o Entendimento Humano", no qual Locke aprofunda reflexões sobre a percepção, a linguagem e os limites do conhecimento. A obra reforça sua posição empirista e sua preocupação com o uso adequado da razão na investigação filosófica.
Exemplos de frases de John Locke:
- "Não se revolta um povo inteiro a não ser que a opressão seja geral".
- "A leitura fornece conhecimento à mente. O pensamento incorpora o que lemos".
- "As ações dos seres humanos são as melhores intérpretes de seus pensamentos".
- "Onde não há lei, não há liberdade".
- "O que te preocupa, te escraviza".
- "O preço de qualquer produto sobe ou desce à proporção do número de compradores e vendedores...".
Você sabia?
Locke considerava um desperdício uma propriedade que não era utilizada. Ele ia até mais longe, dizendo se tratar de uma ofensa contra a natureza.
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| Infográfico com uma síntese de John Locke e seu pensamento político e filosófico |
Dicas do professor: Como esse tema costuma ser cobrado em Vestibulares e ENEM?
1. Empirismo e teoria do conhecimento
Locke costuma ser cobrado pela defesa de que o conhecimento tem origem na experiência, com destaque para a ideia de tábula rasa e a negação das ideias inatas.
2. Direitos naturais
As provas frequentemente exploram a noção de direitos naturais à vida, à liberdade e à propriedade como fundamentos do pensamento liberal moderno.
3. Liberalismo político
É comum a cobrança de Locke como um dos principais formuladores do liberalismo, especialmente na defesa da limitação do poder do Estado e da proteção do indivíduo.
4. Consentimento dos governados
Questões costumam abordar a ideia de que o poder político é legítimo apenas quando deriva do consentimento da sociedade, rejeitando o absolutismo.
5. Direito de resistência
A possibilidade de resistência ou deposição de governos que violem os direitos naturais aparece como ponto central em questões interpretativas.
6. Separação entre Estado e religião
Locke é frequentemente associado à defesa da tolerância religiosa e à ideia de que o Estado não deve impor crenças religiosas.
7. Influência nas revoluções burguesas
As provas relacionam o pensamento de Locke à Revolução Gloriosa de 1688 e à consolidação do constitucionalismo moderno.
8. Influência nas constituições modernas
É recorrente a associação entre Locke e a formação de ideias presentes em constituições liberais dos séculos XVIII e XIX, especialmente no mundo ocidental.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 10/01/2026
JORGE FILHO, Edgar José. Moral e História em John Locke. São Paulo: Loyola, 2018.
Fontes de referência do texto:
GALLO, Sílvio. Filosofia – Experiência do Pensamento. São Paulo: Editora Ática, 2017.
BELO, Renato dos Santos. 360° Filosofia – História e Dilemas. São Paulo: Editora FTD, 2015.
Vídeo indicado no YouTube:
RESUMO DE FILOSOFIA: JOHN LOCKE | Prof. Leandro Vieira